O ex-chefe do Comando Especial de Goiânia, considerado a elite do Exército e responsável pela segurança da capital federal, o general de brigada Mário Fernandes (na reserva), foi preso na manhã de hoje.
Os alvos dos mandados de prisão são o general Mario Fernandes, o tenente-coronel Helio Ferreira Lima, os majores Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo, além do policial federal Wladimir Matos Soares. A PF apurou que alguns dos alvos da operação de hoje participaram da organização de uma reunião entre kids pretos para planejar as ações golpistas, em 12 de novembro de 2022.
TODOS os kids pretos golpistas fizeram curso com o exército americano em Fort Benning nos EUA.
O general Mário encerrou o mandato anterior como assessor especial da presidência da república ( em minúsculo ) e, atualmente, estava lotado no gabinete do deputado Pazzuelo, aquele general ex-ministro da saúde de Bolsonaro.
Que eu me lembre, é o primeiro general preso em décadas.
Essa prisão parece inaugurar uma temporada de detenções espetaculares, culminando possivelmente com a do ex-presidente Bolsonaro, apontado como o chefe de todos os golpistas.
O tal general Mário simplesmente tramava sequestrar o presidente Lula, o vice-presidente Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Não sei dizer se a mente obscura do general é fruto de alguma loucura — algo que poucos gostam de invocar nesse tipo de caso —, de megalomania ou de algo ainda mais grave.
O fato é que, até agora, não vimos sinal de loucura. O general se escondeu no gabinete de um parlamentar, mas acabou sendo encontrado.
Espero que joguem a chave da cela no rio mais profundo.
Por fim, é importante lembrar que são todos Kids Pretos.
Atualização : Não era sequestro, mas assassinato. Traidores da pátria.
Peço desculpas pela referência ao excelente filme argentino, mas não pude evitar a lembrança ao ver as imagens apagadas do encontro de Lula com Milei. Ambos estavam de cara fechada, destoando das dezenas de cumprimentos calorosos entre os chefes de Estado presentes no encontro do G20.
Nossa imprensa passou a semana dizendo que a Argentina boicotaria, atrapalharia ou vetaria as propostas do Brasil para o encontro. No entanto, não só isso não aconteceu — o que seria impossível — como a Argentina ainda assinou os acordos. Embora tenha dito que não concordava, assinou.
Aparentemente, a ida do presidente francês, Emmanuel Macron, à Argentina na véspera do G20 teve esse propósito: convencer Milei a assinar. Macron não saiu de mãos vazias, já que a França aproveitou para, pela décima vez, reafirmar sua oposição ao acordo entre Mercosul e União Europeia. Eu, que sempre fui contra esse acordo, começo a me inclinar a apoiá-lo diante da insistente resistência francesa.
Na verdade, foi a França que usou a Argentina em mais essa rodada de negação. Contudo, a oportunidade dada a Milei de discordar de algo certamente deve ter pesado na cabeça do presidente argentino.
Circula a informação de que Milei planeja pedir 20 bilhões de dólares aos EUA — diretamente a Trump — para iniciar o processo de dolarização da economia argentina. Com o câmbio atual, supervalorizado, qualquer congelamento da situação paritária seria mais um golpe mortal na economia do país.
Ontem, surpreendentemente, divulgaram a carta com os acordos dessa etapa do G20 antes do encerramento do evento, algo incomum. Essa antecipação certamente diz muito.
O Brasil se fortalece no cenário internacional enquanto aguarda o retorno de Trump ao poder.
Vida que segue.
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Se não fosse uma política fragorosamente derrotada na recente eleição nos EUA, essa decisão de Biden poderia ter o potencial de nos levar ao uso de armas nucleares novamente, dessa vez na Europa. Isso sem mencionar o alerta de Putin, feito meses atrás, de que o uso de mísseis de longo alcance seria considerado uma declaração de guerra da OTAN contra a Rússia.
O que Biden tenta fazer no apagar das luzes de sua administração é provocar o acirramento da guerra entre Ucrânia e Rússia, que já está moribunda em função das declarações do futuro presidente Trump. Ele reafirmou, após ser eleito, que vai encerrar esse conflito.
Curioso também foi o encontro com o presidente chinês Xi Jinping, na véspera do G20, onde Biden fez um movimento de aproximação com a China. No entanto, essa tentativa não deve encontrar acolhida na política de Trump.
Trump, por sua vez, busca se aproximar da Rússia, enfraquecer a aliança entre Rússia e China – promovida pela política agressiva dos democratas – e iniciar sua guerra comercial na Ásia, esperando contar com a neutralidade russa.
O Brasil também se vê em meio a essa confusão. Para negociar tarifas com os EUA – que Trump já avisou que pretende aumentar significativamente – a China pode optar por trocar o Brasil pelos EUA como fornecedor de alimentos, como carnes e grãos, o que poderia prejudicar a corrente de comércio brasileira. Por isso, Lula tenta fechar um acordo com a Europa para manter abertas importantes rotas comerciais.
Assim, uma sequência de traições em tratados firmados nos últimos anos, incluindo os BRICS, deixa todos em expectativa quanto às decisões de Trump que ainda estão por vir.
Por fim, a resposta de Putin às agressões da Ucrânia com mísseis de longo alcance pode mudar de tom. As ameaças de retaliação nuclear foram feitas durante o governo Biden, que apoia a Ucrânia sem prazo definido. Com Trump assumindo em dois meses e prometendo alterar o curso da guerra, Putin pode optar por pisar no freio – dependendo da gravidade do ataque – para evitar a escalada do conflito e apostar em uma resolução com Trump no poder.
Esse seria o melhor cenário.
Faço a ressalva de que, quando se trata de assuntos de guerra, costumo errar, porque prefiro pensar no fim dos conflitos e na paz. E erro sempre.
Espero não errar desta vez, mas…
A propósito, o tema das guerras foi propositalmente excluído do G20, para abrir espaço para discutir a fome.
Para conhecimento : Presidente Lula teve 11 reuniões bilaterais nesse domingo, véspera do G20. O presidente encontrou com as autoridades no Forte de Copacabana.
Segue a lista completa de reuniões 👇🏽
10h30 – reunião com o presidente da República da África do Sul, Cyril Ramaphosa;
11h20 – reunião com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim;
12h10 – reunião com a primeira-ministra da República Italiana, Giorgia Meloni;
14h15 – audiência com o Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan;
15h00 – reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen;
15h50 – reunião com o presidente da República Socialista do Vietnã, Pham Minh Chinh;
16h40 – reunião com o presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço;
17h30 – reunião com o presidente da República da Türkiye, Recep Tayyip Erdoğan;
18h20 – reunião com o presidente da República Árabe do Egito, Abdel Fattah El-Sisi;
19h30 – reunião com o presidente da República Francesa, Emmanuel Macron;
20h20 – reunião com o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Luis Arce.
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Me ocorreu uma metáfora futebolística para tentar situar como percebo a atual conjuntura internacional após a vitória de Trump.
No que diz respeito aos EUA, ninguém tem dúvidas de que as coisas vão se complicar. O secretariado a ser nomeado (e há uma resistência no Senado, de maioria republicana, no caminho) parece um filme de terror. As instituições serão esgarçadas e desafiadas ao limite. O resultado final, historicamente, costuma ser desastroso, mas teremos tempo de sobra para verificar isso.
É importante perceber o quanto o cenário está se transformando rapidamente. Fica, contudo, a dúvida: será que está mudando para permanecer igual, ou algo a mais será definitivamente acrescentado ou suprimido?
A ver.
O que nos interessa é o Brasil. No momento, estamos liderando o G20 com um discurso inclusivo, levantando bandeiras como a taxação de bilionários no mundo (sim, somos incapazes de taxá-los internamente) e inserindo questões como fome e movimentos sociais na pauta de maneira definitiva. Se há algum país com capacidade de persistir nessa luta, é o Brasil de Lula. Francamente, são poucas — senão inexistentes — as vozes no cenário global tão contundentes quanto a sua.
Quanto à efetividade do encontro do G20, acredito que será limitada. No entanto, o fato de o Brasil articular os temas de pobreza, renda, guerras e preservação ambiental em um único pacote torna essa posição difícil de ser ignorada. Além disso, politicamente, torna-se inviável para a oposição desconstruir esse discurso.
Sim, temos a Argentina de Milei e o futuro governo dos EUA, ambos caminhando na contramão desse esforço, fortalecidos por uma onda egoísta que domina o cenário mundial. O medo provoca o fechamento, e, sem dúvida, provocar medo é a principal tarefa desse grupo.
O G20 vai começar, e o desafio será descobrir para que lado a retórica irá pender. Diferente da realidade, a retórica prepara o futuro: às vezes consegue impor mudanças; outras vezes, não. Mas, sem que a ideia seja lançada, não se chega a lugar algum.
Navegar é preciso.
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Primeiro, é importante observar que a demora, no Brasil, costuma ser um indicativo de que a tramitação de um processo foi honesta. Qualquer processo – seja para aprovar um simples requerimento na Prefeitura da sua cidade – que não demore mais do que o esperado geralmente teve algum fator que acelerou o andamento, e, nesse caso, dificilmente foi algo bom ou honesto.
Dito isso, nossa PGR (Procuradoria-Geral da República) e o atual procurador, Gonet, seguem essa lógica à risca. Suas iniciativas raramente fogem à regra: são sempre atrasadas e carregadas de intenções e objetivos que, como mencionado, nem sempre são os mais transparentes.
Mas é assim que as coisas funcionam, ou não funcionam, porque um olho fica no processo e o outro, no ambiente ao redor. A pressão é constantemente medida, e agora convivemos com vazamentos programados para construir cenários e preparar denúncias – uma prática herdada da Operação Lava Jato, que veio para ficar.
A demora, nesse contexto, provoca reações e excitação. Quando se torna cada vez mais evidente que Bolsonaro será indiciado, a reação de tentar uma anistia antes mesmo da condenação expõe o nível de estresse do grupo. Isso também reflete a disputa pelo “espólio do mito” e a necessidade de manter a tropa unida. Ao menos um integrante, por enquanto, não aguentou a pressão e decidiu “explodir com tudo” – inclusive consigo mesmo.
Os prazos dos inquéritos continuam sendo ampliados com descobertas recentes e relevantes. Nada se move sem que a trama inteira seja desvendada. Embora isso pareça demorado, ajuda a reforçar o entendimento do esquema, mantém os investigados sob controle relativo e aponta caminhos claros para o futuro.
No entanto, é fato que alguns personagens tentam emplacar teses para amenizar suas condutas criminosas e reduzir suas penas. O caso da anistia é mais uma bandeira do que uma realidade, mas, por exemplo, a pregação do atual ministro da Defesa de aliviar condenações de alguns envolvidos nos ataques de 8 de janeiro não visa os “peões” da história, mas sim os mandantes, aqueles que atuaram em prol do golpe. No caso do ministro Múcio, sua intenção parece ser proteger os militares. Afinal, se as penas dos invasores chegam a 17 anos, qual será a dos mandantes? Reduzir as punições da base para suavizar as penas no topo parece ser o verdadeiro objetivo.
Enquanto isso, essas discussões continuam circulando, e seguimos aguardando o inevitável: o indiciamento e a condenação de todos os responsáveis, sem a menor sombra de dúvida.
Não é trivial enfrentar e atravessar esse “espinheiro”, mas estamos quase lá.
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Foi Nelson Rodrigues quem observou que, entre nós, qualquer coisa no momento seguinte vira piada. E o atentado para lá de esquisito, ocorrido ontem em Brasília, foi um prato cheio.
Depois do susto, surgiram alguns dos melhores apelidos para o maluco que achou que iria explodir o STF:
V de Velório
Coiote Catarinense
Kamiquase
Burrabomber
Bomba Meu Boi
Os motivos para essa maluquice podem ser atribuídos ao clima de ódio constantemente alimentado pelo fascismo, que acaba incitando personagens frágeis ou perturbados a esse tipo de loucura. Não é por acaso que esse estilo de fazer política, sempre tensionando, leva a reações tresloucadas, como tentar jogar bombas no STF e acabar se tornando vítima do próprio atentado.
Nos EUA, estamos acompanhando a escolha dos secretários de Trump, e parece que os norte-americanos entrarão em um Halloween permanente, com o risco de arrastar muitas agendas globais e algumas do nosso continente para essa tensão e violência constante. Um verdadeiro filme de terror está sendo preparado no Norte, prometendo deixar o parceiro argentino em destruição bem para trás. Por sinal, na Argentina, houve comemorações porque a inflação de outubro foi pouco menos de 3%, enquanto a pobreza e a fome continuam a se espalhar no país.
Apesar de nossa inclinação para rir de nós mesmos – algo que particularmente aprecio –, a loucura tentada ontem, que terminou tragicamente para o autor, é algo que, se não desencadear uma nova onda de casos semelhantes, pode ser superado com humor. No entanto, é provável que muitos outros, bem mais preparados, estejam por aí, alimentados pelo ódio bolsonarista. E, saibamos, motivos não faltarão para que eles apelem, pois o “Mito” está a um passo de entrar em um túnel do qual talvez nunca saia. Impedido, indiciado, processado e com risco de prisão, enfrenta inúmeras e graves acusações.
Apesar do fracassado atentado, a segurança na Praça dos Três Poderes e o controle de acesso às sedes do poder precisam ser revistos. O sujeito de ontem passou o dia publicando fotos nas redes sociais, tanto dentro do STF quanto da Câmara, com mensagens de ameaça.
A discussão enviesada sobre a anistia para a violência política, e particularmente sobre os envolvidos no 8 de janeiro, parece ter sido obstruída de vez; o maluco nos prestou esse serviço, talvez até evitando algo ainda pior no futuro. Vale lembrar que aquele outro que tentou explodir o caminhão de combustível no aeroporto de Brasília já está solto.
O Errorista vestia roupas inspirado no Coringa. E mais não digo e nem me foi perguntado.
Esse regime de trabalho é comum, sobretudo, no comércio e no varejo. Somente nesse segmento, são mais de 19 milhões de trabalhadores empregados em lojas, supermercados e shoppings que permanecem abertos praticamente todos os dias.
O trabalho sem dia de descanso é uma das consequências do enfraquecimento dos sindicatos e da reforma trabalhista, realizada em contramão ao que ocorre no restante do mundo, promovida pelo golpe e aprofundada no governo bolsonarista.
Alckmin — quem diria — se mostrou a favor da tendência mundial de reduzir a carga de trabalho, seja para um regime de quatro dias com três de descanso (4×3), ou ainda no tradicional 5×2, mas certamente não no 6×1. E ele tem toda a razão.
Nosso país apresenta índices de desemprego relativamente baixos, pouco mais de 6%, mas o número de subempregos e de pessoas subutilizadas ultrapassa 50 milhões. Ou seja, reformas que reduzam o tempo de trabalho não irão pressionar o mercado, mas sim corrigir a distorção nos índices de desemprego. Com essa reforma, mais pessoas poderiam trabalhar um pouco mais, atendendo à necessidade e disponibilidade de muitos.
Não acredito que essa reforma passe agora, mas vamos acompanhar. É uma pauta valiosa para o médio prazo e pode, de forma indireta, valorizar a luta sindical com uma causa tão relevante e atual.
Com o avanço tecnológico e a crescente precarização do trabalhador, cuidar do emprego será a pauta principal na sequência da reconstrução nacional, uma vez equilibrado o orçamento e com a queda dos juros. O pequeno e médio empregador que utiliza o regime 6×1 precisará de ajuda para redimensionar seu negócio. Enquanto nos preparamos para essa mudança necessária, esses empregadores devem aproveitar para crescer junto com a economia nacional, que, com um PIB anual de 3% ao ano, acumula e realoca investimentos do povo.
É um roteiro poderoso que se delineia, devendo ser seguido e conquistado pela esquerda, pelos sindicatos e sobretudo os trabalhadores.
A proposta parece tirar a esquerda da defensiva.
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Ninguém pode ignorar a importância do debate que está sendo travado neste momento, sobretudo dentro do maior partido de esquerda do nosso país, o Partido dos Trabalhadores.
Não vou reprisar os embates que envolveram ministros, deputados, senadores e a presidenta Gleisi, todos disputando o teor do corte que foi anunciado, mas ainda não inteiramente revelado.
Este anúncio, que não deve passar desta semana, promete ser, sem dúvida, muito relevante.
Inúmeras vezes procuramos mostrar a importância do cumprimento das metas fiscais, no mesmo sentido da redução da taxa absurda de juros no Brasil. O mercado futuro de dólar age de forma coordenada em ataques especulativos perigosos, como estamos vendo acontecer. Nenhuma razão objetiva justifica isso, e, somado à omissão criminosa do atual Banco Central, coloca a questão do câmbio em posição de provocar problemas na inflação, alimentando um ciclo de más notícias que se retroalimenta e arrisca as conquistas dos dois primeiros anos do governo. Sem falar no risco que isso representa para os dois próximos anos, decisivos em termos eleitorais.
Estamos naquele exato momento em que, apesar de todas as conquistas e retomadas, o governo precisa se reposicionar para avançar.
Se conseguir, de fato, incluir no pacote a ser anunciado uma série de práticas antigas e prejudiciais, eliminando desvios de finalidade, despesas mal formuladas e outras que já nem deveriam existir, o esforço para reduzir gastos excedentes e desnecessários deve ser, então, valorizado.
Mas, como ainda não sabemos exatamente o que virá, e devido às queixas de grupos progressistas e até mesmo do PT, é de se esperar que alguns cortes dolorosos também ocorram, atraindo críticas e resistências.
Administrar não é apenas fazer o que se quer; é também realizar o que é necessário.
Lamentaria ver cortes que afetem as camadas mais vulneráveis e prefiro aguardar para avaliar o que se está tentando obter.
Além da economia, é claro, objetivos futuros e alternativas serão buscados, o que nos permitirá compreender melhor a decisão.
Muitas vezes lamentamos ver que a preferência de cortes recai sobre os mais necessitados. Mesmo que algumas falhas ocorram em certos benefícios sociais e apoios aos mais frágeis, o dinheiro está indo para quem mais precisa. Corrigir esses pontos é razoável, mas sabemos que há outros lugares em que o resultado favorece camadas sociais privilegiadas e onde não se consegue mexer.
Ainda assim, estamos confiantes, pois o rumo geral do governo é correto, o melhor. Quando algo não sai como queremos, isso não deve ser motivo de desespero ou desânimo. Se falta alguma coisa para conseguirmos controlar o dólar, se os juros estabelecidos pelo nosso Banco Central continuam terrivelmente equivocados, é nesse debate e na correção dos rumos decisivos que devemos colocar nossa força.
E, sem a presença do capital privado, o governo sozinho não vai carregar o país para sempre. Algum sinal precisa ser dado, demonstrando a disposição de cumprir as metas fiscais estabelecidas. A disposição de honrar acordos deve ser absoluta. E, na sequência, seguir com a política de investimentos, pois só assim vamos em frente e, quem sabe, retomar o fôlego.
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Lula concedeu uma entrevista à Rede TV no último domingo e deixou claro que a questão venezuelana está resolvida para ele; virou a página. Ele afirmou não ser seu direito questionar a decisão da suprema corte de nenhum país e que agora o problema de Maduro é exclusivamente dos venezuelanos.
O resultado das eleições nos EUA parece ser o sinal para Lula encerrar o capítulo com a Venezuela. Fica a questão da entrada nos BRICS ainda mal resolvida, e veremos até quando, mas o mal-estar em relação ao não reconhecimento da vitória eleitoral de Maduro parece superado — ao menos no que depende do governo brasileiro.
Mantenho a ideia de que a eleição de Trump enfraqueceu Maduro, e parece que Lula deu sinais de que não está disposto a apoiar mais interferências no país vizinho, tantas vezes mencionadas repetidamente por Trump durante sua campanha.
De fato, Lula parecia manter uma posição de concordância com Biden, que agora não existe mais, e já deixou claro, para quem quiser ouvir, que o alinhamento, se é que existia, acabou.
Melhor assim, pois certamente a nova administração dos EUA vem com força contra a Venezuela. Nem mesmo a guerra foi descartada.
Daqui para frente, vamos aguardar as ações do novo governo dos EUA, que certamente prepara decisões ousadas para o mundo, particularmente para a Venezuela — que não é nem frágil, nem indefesa, tornando o cenário, qualquer que venha a ser, perigoso.
Ficar de fora desse problema foi a melhor decisão para o momento. Se os EUA querem falar coma Venezuela, que falem por sua conta e risco.
E Maduro respondeu : “Presidente Nicolás Maduro: Me parece muy bien, estoy de acuerdo con Lula, cada país debe buscar la manera que resolver sus asuntos, sus problemas. Brasil con sus instituciones soberanas y Venezuela con sus instituciones también soberanas. Ha sido una reflexión sabia de Lula. Punto a favor de Lula”.
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Preocupa, mas considerando que os preços foram afetados pelas secas, pelo aumento da conta de luz e que ambos os fatores estão presentes em parte para novembro e, a princípio, ausentes em dezembro, acho possível esperar uma redução nos números para cumprir o teto – a meta de 3% + 1,5% no limite.
O que não entra nas análises diretamente, e me parece um fator preponderante, é o câmbio. Com os preços das commodities alimentícias atrelados à moeda internacional, a subida extraordinária de outubro contamina todos os preços, inclusive de combustíveis, afetando em cascata toda a cadeia de custos e preços dos alimentos.
E, pior, o aumento dos juros, que estão entre os mais altos do mundo, não tem surtido efeito na redução do câmbio, como costumava ocorrer no passado. Assim, temos outras considerações sobre essa questão a observar.
A primeira é que, durante o mandato do ex-presidente, o Banco Central, sob o comando de Campos Neto, interveio no câmbio 127 vezes. Nos dois primeiros anos de Lula, apenas duas vezes. Isso já basta para perceber a intenção do contador do Santander infiltrado no governo. E, lembremos, as reservas internacionais, que estavam em queda de US$ 50 bilhões nas mãos dos ex-administradores do caos, já foram recuperadas no atual mandato e aumentaram em mais de US$ 27 bilhões no total atual. Ou seja, parcimônia no uso de reservas em dólar para segurar a especulação criminosa é sinal de omissão e nada além disso.
Outro problema grave que tratamos aqui é o volume de apostas no dólar futuro no Brasil, que supera em dezenas de vezes o capital investido na bolsa, provocando reações combinadas com a manipulação bilionária do câmbio no presente, aumentando dólar sem motivo, sem que o Banco Central tome alguma providência para contê-las. Por isso, esses volumes imensos de dinheiro em apostas futuras inibem o uso conhecido de aumento de juros para conter a alta do dólar no presente. Ou seja, aumentar juros não funciona mais para segurar o câmbio e muito menos para combater a inflação de demanda, que, por hora e há muitos anos, está ausente em nosso Brasil.
Inflação por secas, aumento de combustíveis e tarifa de energia na bandeira vermelha – nada disso é combatido com aumento de juros, o que torna a ação suicida do Banco Central atual um caso de atentado planejado contra as finanças públicas, com o aplauso da mídia corporativa, dos bancos e dos investidores. Essa é uma aposta de décadas, que concentra renda e torna inútil qualquer tentativa de conter o aumento da dívida pública com cortes no orçamento. Se em alguma dívida cuja trajetória de crescimento nos ameaça de alguma maneira, a resposta está no aumento da dívida pública devido à elevação da taxa Selic; cada 1% significa mais R$ 50 bilhões de dívida. Note que, após várias reuniões e discussões entre ministérios do governo, o corte previsto para ser divulgado não passa – dizem – de R$ 15 bilhões. Se abaixarem 0,25% na Selic, a mágica da economia está feita.
Onde está a discussão?
Em quem ganha e quem perde, porque investidores e mercados querem tudo para eles e nada para nós. E só temos nosso Lula para nos defender.
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