O Ipea divulga uma importante pesquisa que atualiza os efeitos do Bolsa Família na economia e na vida das pessoas.
Impressiona que 46,8% dos lares brasileiros sejam amparados pelo auxílio. O mais relevante, no entanto, é que o estudo demonstra que o programa não afeta diretamente os níveis de emprego — uma distorção frequentemente proclamada —, mas eleva o rendimento médio das camadas populares. Isso ocorre porque o auxílio estabelece uma base mínima de negociação: pagar menos do que o valor recebido do governo torna-se inaceitável para os trabalhadores, o que parece óbvio.
Essa pode ser a razão da resistência e fúria contra o programa por parte de alguns setores. A insistência em falsos dilemas, como o argumento de que os beneficiários “preferem não trabalhar”, é apenas uma tentativa de justificar o desconforto de quem agora precisa pagar mais pelos serviços que utiliza.
Outro dado revelador é que jovens estão retornando à escola, a quantidade de pessoas atendidas volta mais rapidamente ao mercado de trabalho, e a economia melhora. Isso acontece porque distribuir um pouquinho para muitos é muito mais eficiente do que concentrar recursos em poucos.
Quem conhece regiões dominadas por latifúndios percebe que elas frequentemente produzem miséria, em contraste com áreas de pequenos proprietários, onde a produção é feita com muito esforço, mas acompanhada de dignidade.
Os benefícios do programa são inúmeros. Vou deixar um link para acompanhar os principais, conforme citados em reportagem do Terra:
Enquanto a direita lança uma candidatura mais furada que a outra, dia sim e no outro dia também, seguimos firmes com a candidatura de Lula em 2026.
Na verdade, é ainda muito cedo para falar disso — ao menos publicamente —, mas parece que, na ausência de assunto neste início de ano, vamos por aí mesmo.
Lula é candidato.
Adversário não temos. 2025 será o ano de enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo, conflagrando a direita em múltiplas e fracassadas aventuras. Todo mundo sabe disso, e especular agora é apenas uma forma de manter o balcão de negócios em dia, salvar candidaturas ao Legislativo ou, na falta de algo melhor, simplesmente ocupar o debate público.
A questão da idade, que poderia ser um empecilho, sob o ponto de vista do próprio Lula, não é. Ele repete há décadas que vai viver 120 anos e não diz isso por acaso. Nem vou listar as inúmeras iniciativas já tomadas neste início de 2025 que apontam claramente para a decisão de enfrentar mais uma eleição. Difícil seria apontar algum indício na direção contrária.
Quem não tem candidato — ou tem candidatos demais, inviabilizando qualquer nome em tais circunstâncias — é a direita.
Se há alguma dúvida, ela se refere ao cenário depois de 2030, não porque a idade de Lula pesaria ainda mais, mas porque a Constituição não permite mais de dois mandatos consecutivos para um presidente.
O Ano Inicia com o Debate sobre o Caminho do Governo Lula
O ano começou com mais um falso dilema: para qual direção o governo Lula penderá neste terceiro e decisivo ano do mandato? Para a direita, o centro ou a esquerda?
Cenário 1: À Direita
A aposta seria seguir nas mãos do Centrão. O argumento utilizado pelos críticos é que, sem as emendas parlamentares, o governo acabará cedendo ainda mais espaços no Executivo, abrindo novos ministérios ou secretarias para acomodar aliados.
Cenário 2: À Esquerda
A alternativa seria enfrentar o Legislativo com apoio popular direto: povo nas ruas, em manifestações, pressionando o Centrão e exigindo mudanças estruturais.
Cenário 3: Ao Centro
A hipótese mais provável é manter o atual rumo, promovendo reformas dentro dos limites impostos pelo modelo eleitoral brasileiro, que privilegia a reeleição de quem já detém mandatos. Isso vale para políticos de esquerda também.
Inclusive, tem-se falado sobre mudanças na eleição para o Senado, sugerindo limitar o voto a apenas um candidato nas duas vagas para senadores em 2026. A ideia parece interessante, mas aguardemos o debate.
Para Onde Vai o Governo Lula?
Lula sempre se mostrou um social-democrata. Já o PT é mais difícil de qualificar, pois abriga quadros bastante diversos. No entanto, há um movimento claro de aproximação da social-democracia na maior parte do partido.
Por muito tempo, as resistências ao reconhecimento de Lula como um líder equilibrado, democrático e com prioridades sociais eram atribuídas ao preconceito ou à defesa do PSDB, que por anos foi o queridinho da imprensa e dos analistas políticos.
No entanto, a ascensão do bolsonarismo revelou algo diferente: a preferência de muitos setores está no conservadorismo extremo, anti-trabalhista e contrário a qualquer resquício de modernidade. Esses grupos preferem o fascismo explícito a uma social-democracia alinhada ao povo.
O PSDB, que muitos associavam à social-democracia, mostrou, em retrospecto, que sua principal contribuição ao Brasil ficou no Plano Real. E mesmo esse marco só se sustentou pela estabilidade e pelos avanços econômicos promovidos depois nos governos Lula. Sem a visão desenvolvimentista de suas administrações, o plano teria fracassado – um caminho similar ao que se vê na Argentina com as políticas de Milei.
A Demonização do PT e a Persistência de Lula
Muitos analistas ainda situam Lula e o PT na extrema-esquerda, algo que não condiz com a realidade. Esses mesmos analistas sonham com uma “terceira via” que inclui figuras como Tarcísio de Freitas, alinhado ao bolsonarismo, numa clara tentativa de barrar Lula.
Quando dizem que o brasileiro é conservador, referem-se principalmente ao Congresso, cuja composição reflete a realidade de reeleições automáticas, falta de renovação e interesses lobistas. No entanto, a eleição de Lula também mostra um tipo de conservadorismo brasileiro mais voltado à busca de segurança econômica, com viés social-democrata.
A esquerda, no Brasil, muitas vezes apoia Lula pelo voto útil, mesmo que parte desse grupo critique constantemente o candidato e suas decisões.
Conclusão
Mudar para permanecer o mesmo.
Lula e seu governo não estão mudando de direção. Permanecem onde sempre estiveram: promovendo conciliação, enfrentando a direita conservadora (ontem) e agora a direita extremista. A governabilidade no presidencialismo brasileiro exige negociação constante com o Congresso – um Legislativo conservador mais pela dinâmica eleitoral do que pelo perfil ideológico dos eleitores.
O governo atual caminha para consolidar a social-democracia como força dominante no Brasil. Lula vence porque suas propostas atendem às demandas de um grupo majoritário favorecido por suas políticas.
O PT enfrenta mais dificuldades em momentos de prosperidade econômica, quando parte da população tende a esquecer a origem de suas conquistas, com ainda muito a ser recuperado após os governos de Temer e Bolsonaro, Lula continua como favorito para 2026. E, após seu ciclo, a social-democracia poderá encontrar novos nomes para manter-se como força política vitoriosa.
Os dois primeiros anos de Lula: Arrumação, Planejamento e Caminho para a Colheita
O atual mandato do presidente Lula reflete o que vimos em sua trajetória anterior: um primeiro período voltado à arrumação da casa e ao planejamento de médio e longo prazo, preparando o terreno para colheitas que ocorrem na segunda metade de cada ciclo. Este início de governo já trouxe realizações significativas, que muitas vezes passam despercebidas em meio ao discurso de crise permanente.
Apesar das constantes tensões com o Congresso, o governo avançou em áreas estratégicas, ainda que sob duras negociações. O fato é que 93% dos projetos de lei enviados ao Legislativo foram aprovados – uma marca histórica que supera qualquer administração anterior.
Reformas e Retomada Econômica
A aprovação da reforma tributária foi um divisor de águas. Aliada à retomada dos investimentos, já visível na criação de empregos e na elevação das rendas, mostrou-se essencial para reconstruir as bases econômicas do país. A desconfiança inicial, vinda até de antigos aliados de Lula, está perdendo espaço para resultados concretos e crescentes.
Agora, o foco se volta ao equilíbrio fiscal. Aqui, o ministro Fernando Haddad tem conduzido ajustes que visam alinhar as despesas obrigatórias ao novo arcabouço fiscal. Embora mudanças nos critérios de saúde e educação ainda causem receios, é evidente que tais reformas são essenciais para preservar o orçamento e manter a capacidade de investimento público.
Essas medidas são sempre pontuais e sujeitas a revisões futuras. No entanto, se mudanças precisam ocorrer, é preferível que sejam conduzidas por Lula e Haddad, figuras historicamente comprometidas com o social, do que por uma direita insensível às necessidades da população.
O Crescimento como Solução Sustentável
O crescimento do PIB é o único caminho realista para resolver nossas mazelas sociais. Sem ele, continuaremos presos a um ciclo de baixos salários e limitada capacidade de consumo, característica de uma economia que atende a uma minoria.
Os primeiros sinais de mudanças positivas já aparecem: um número crescente de trabalhadores têm pedido demissão para buscar melhores condições ou remunerações, um reflexo direto de um mercado mais aquecido. Esse movimento não é trivial. Ele representa um deslocamento do poder, que começa a equilibrar-se entre empregadores e trabalhadores.
Obstáculos Políticos e Sociais
É fato que os setores conservadores, representados por grande parte do Centrão, resistem. Deputados e senadores seguem alinhados aos interesses dos mais ricos e privilegiados. Contudo, eles são sobreviventes políticos e sabem se reposicionar conforme as demandas da sociedade e o sucesso de políticas populares.
Os desafios também estão no campo da reconstrução do apoio social. A classe média e até setores populares foram cooptados por ideias conservadoras e até extremistas durante a última década, o que torna o resgate desse público uma tarefa árdua, mas não impossível.
Um Futuro Promissor
As próximas etapas do mandato atual devem repetir o que vimos no segundo mandato de Lula: colheitas que consolidem o progresso alcançado até aqui. A perspectiva é de “oito anos em quatro”, e caso Lula opte por disputar a reeleição poderemos ter “16 anos em oito”, ou, quem sabe, até mais, conforme as bases sólidas hoje estabelecidas floresçam plenamente.
Estamos diante de um cenário desafiador, mas promissor. O equilíbrio global exige uma postura firme e ajustada às constantes mudanças do contexto internacional. A colheita pode não ser instantânea, mas os sinais indicam que a caminhada está na direção certa.
Amazônia tem menor taxa de desmatamento em 9 anos.Taxa de desmatamento caiu 77,2%% no Pantanal e 48,4% no Cerrado.
Ponto fundamental: o governo Lula encontrou o país destruído: Entre 2015 e 2022, a taxa média de crescimento do PIB foi 0,4%, com desemprego e pobreza crescentes. Bolsonaro deixou um rombo fiscal: rombo de R$ 800 bilhões em 4 anos, sem jamais cumprir o Teto de Gastos.
Estima-se déficit primário de R$ 55,4 bilhões para 2024.Se considerar R$ 20 bilhões de recursos empossados. Mais gastos de R$ 40 bilhões do Perse e Desoneração da Folha, despesas que não foram o governo que criou, mas o congresso, 2024 teria superávit fiscal.
Inflação abaixo das expectativas do mercado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,34% em dez. e ficou 0,28% abaixo do resultado de novembro (0,62%). Acumulado de 4,71% em 2024. As expectativas do mercado: alta inflacionária de 0,45% e 4,82%.
Foram várias reformas e programas estruturais criados e aprovados pelo governo que garantem ao país crescimento de longo prazo e retomada da indústria: Mercado de carbono, Lei do Hidrogênio de Baixo Carbono, Lei do Combustível do Futuro, Nova Lei de Informática, Programa Brasil Semicondutores, Programa de Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), Marco de Garantias, Regime Especial da Indústria Química (REIq), Brasil Mais Produtivo, Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), Lei do Combustível do Futuro, Plano Mais Produção, Debêntures de Infraestrutura e Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. Esses programas são instrumentos de políticas públicas de Estado, para que o país matenha a retomada do crescimento econômico de longo prazo e fortalecimento da indústria.
As “estatais que dão prejuízo”, de acordo com Folha de São Paulo e Globo são obviamente empresas cuja função não é prioritariamente gerar lucro.
1. Emgepron, a mais deficitária, está construindo navios de guerra para Marinha. +
2-Correios é a segunda mais deficitária, mas tem prejuízos concentrados na atuação em regiões remotas do país, tanto com correspondências, como está menos comum, quanto com entregas.
Diminuir esse prejuízo implicaria na prática em isolar algumas regiões do país.
3-Emgea, a terceira mais deficitária, atua principalmente junto à Caixa em programas habitacionais. Além disso, compra e gere ativos para União de acordo com o interesse de projetos dos demais Ministérios.
4. Infraero, que até seria dispensável citar, é essencial para segurança aérea e a conexão das cidades do país e da cadeia logística de suprimentos. É a empresa que garante rotas inclusive para onde não há interesse da aviação comercial.
5-Dataprev faz o armazenamento e gestão de documentos e arquivos públicos, e teve gastos recentemente mais concentrados em processos de digitação e facilitação eletrônica do acesso de usuários a mais serviços públicos pela internet.
Em 2 anos, vejam resumo de algumas grandes conquistas para o povo brasileiro do governo @LulaOficial e @geraldoalckmin:
1. Crescimento do PIB em 2024 de 3,2% e em 2024 3,5%.
2. Taxa de desemprego 6,1%, menor taxa da história.
Segue 🧶
3. A massa de rendimento real foi novo recorde, chegando a R$ 332,7 bilhões.O rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.285).
4. Crescimento da indústria de 3,6% em 2024, maior em 10 anos.
5. Crescimento de 75% do emprego na indústria, destes 55% são jovens.
Resultado de política industrial da Nova Indústria Brasil (NIB):
Segmentos de alta tecnologia crescem 5%, acima da indústria de transformação,que vai crescer 3,6%.
Esse crescimento é resultado de medidas da NIB,como linhas de crédito do Plano Mais Produção.
7. A taxa de investimento como proporção do PIB em 18%.
8. O Brasil se tornou o 2° maior receptor de investimentos estrangeiros diretos do mundo em 2024.
9. Investimento em infraestrutura saiu de R$ 188 bilhões em 2022, para R$ 260 bilhões em 2024.
10. Com o Plano Mais Produção, a Nova Indústria Brasil (NIB) disponibilizou R$ 507 bilhões de crédito para investimentos.
BNDES, FINEP, EMBRAPII, CEF, BB, BASA e BNB, estão juntos para estimular uma Indústria Mais Inovadora e Digital, Exportadora, Verde e Competitiva.
11. BNDES aumentou o volume de Desembolso de R$ 98 bilhões em 2022, para R$ 148 bilhões em 2024. O crédito para a indústria cresceu 262% em 2024.
12. Com a Nova Indústria Brasil (NIB), Novo PAC e PTE, o setor privado já anunciou investimentos de R$ 2,3 trilhões.
13. Finep bateu recorde e ultrapassa R$ 10 bi em financiamentos
Recursos financeiros liberados pela Finep em 2024 representam o dobro do montante financiado em 2023
O desempenho também representa um crescimento três vezes superior em relação ao resultado de 2022.
14. Com a NIB estimulando a agroindústria, a taxa de crescimento da groindústria teve o melhor resultado em 14 anos, crescimento de 4,2% em outubro,e 2,7% no acumulado.
15. Linhas branca e marrom,registraram o maior crescimento da produção e vendas nos últimos 10 anos, 25%.
16. Com o Mover, programa da NIB, o setor automotivo bateu recorde nas vendas, crescimento de 15% em 2024. A produção cresceu 11%, maior crescimento dos últimos 10 anos.
17. Máquinas e equipamentos estão puxando o crescimento industrial, crescimento de 8,3% em 2024.
18. O setor de bens de consumo duráveis cresceu 9,8% em 2024. São mais bens como automóveis, geladeiras, TVs, fogões, máquinas de lavar, etc, chegando ao povo.
19. No ranking mundial de produção industrial, o Brasil avançou 30 posições, saltando de 70° para 40°.
20. Varejo chega ao fim do ano com alta de 12,2% nas vendas na comparação com 2023:
Entre os itens mais procurados estão: os eletrônicos (alta de 25,9% nas vendas ante 2023); os brinquedos (+24%) e as roupas e os acessórios (+13%). Setor alimentar, 18,4%.
21. Depois de mais 40 anos, foi aprovada a Reforma Tributária, que estimula investimentos e exportações.
Estima-se que a reforma gerará um crescimento adicional da economia de 12% a 20% em 15 anos. Hoje, esses 12% representariam R$ 1,2 trilhão a mais no PIB de 2022.
22. Taxa de pobreza caiu para mínima histórica,27,4%.
23. A taxa de miséria caiu para a mínima histórica.Parcela de brasileiros miseráveis caiu para 4,4%
24. Amazônia tem menor taxa de desmatamento em 9 anos.Taxa de desmatamento caiu 77,2%% no Pantanal e 48,4% no Cerrado.
25.Ponto fundamental: o governo Lula encontrou o país destruído:
Entre 2015 e 2022, a taxa média de crescimento do PIB foi 0,4%, com desemprego e pobreza crescentes.
Bolsonaro deixou um rombo fiscal: rombo de R$ 800 bilhões em 4 anos, sem jamais cumprir o Teto de Gastos.
26. Estima-se déficit primário de R$ 55,4 bilhões para 2024.
Se considerar R$ 20 bilhões de recursos empossados.
Mais gastos de R$ 40 bilhões do Perse e Desoneração da Folha, despesas que não foram o governo que criou, mas o congresso, 2024 teria superávit fiscal.
27. Inflação abaixo das expectativas do mercado
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,34% em dez. e ficou 0,28% abaixo do resultado de novembro (0,62%).
Acumulado de 4,71% em 2024.
As expectativas do mercado: alta inflacionária de 0,45% e 4,82%.
28. Foram várias reformas e programas estruturais criados e aprovados pelo governo @LulaOficial e @geraldoalckmin, que garantem ao país crescimento de longo prazo e retomada da indústria:
Mercado de carbono
Lei do Hidrogênio de Baixo Carbono
Lei do Combustível do Futuro
Nova Lei de Informática
Programa Brasil Semicondutores
Programa de Mobilidade Verde e Inovação (MOVER)
Marco de Garantias
Regime Especial da Indústria Química (REIq)
Brasil Mais Produtivo
Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA)
Plano Mais Produção
Debêntures de Infraestrutura
Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel
Esses programas são instrumentos de políticas públicas de Estado, para que o país matenha a retomada do crescimento econômico de longo prazo e fortalecimento da indústria.
O cenário atual da economia brasileira parece estar entrando em uma fase de acomodação. Embora nem todos os indicadores sejam positivos, há sinais consistentes de equilíbrio em diversas áreas.
O preço do dólar, por exemplo, continua alto e deve permanecer assim, embora com uma leve tendência de queda. Concordo com a previsão do Focus – algo raro – de que o dólar alcance R$ 6 em 2025. Apesar disso, a inflação está desacelerando, e o impacto negativo do câmbio elevado sobre os preços tem sido gradualmente amortecido. Adicionalmente, o crescimento no nível de empregos e os reajustes salariais seguem um ritmo que acompanha esse movimento geral de estabilização.
Esse é o caminho natural da economia à medida que supera grandes desafios: a tendência é buscar equilíbrio, desde que as condições essenciais de investimento e as acomodações obtidas até agora sejam mantidas.
Há, porém, elementos externos que merecem atenção. Entre eles, destaca-se a perspectiva de políticas instáveis vindas do próximo presidente dos EUA, que historicamente provoca impactos significativos nos mercados globais. Muito do que vimos em relação à alta de juros e à valorização do dólar nos últimos meses foi uma antecipação ao cenário que está por vir. Economias ao redor do mundo têm desvalorizado suas moedas, aguardando novas subidas nos juros americanos.
No Brasil, as projeções para 2024 são animadoras, com expectativas de crescimento do PIB em 3,5%, inflação ligeiramente acima da meta, e o cumprimento do déficit fiscal previsto no arcabouço. Esses números representam conquistas importantes que certos setores insistem em ignorar ou desqualificar para forjar crises inexistentes – e, quem sabe, até criá-las. Contudo, como sempre, a realidade numérica tende a se impor.
Costumo desafiar os críticos com dados concretos. Pergunto: em qual área específica os números atuais estão piores do que os de uma década atrás? A resposta é sempre evasiva ou inexistente. Não à toa, qualquer comparação histórica acaba recaindo nos anos de 2013 e 2014, já que a década subsequente foi marcada por retrocessos imensos, fruto das mesmas políticas defendidas por economistas de crises, analistas do caos, e políticos de quartéis e igrejas, alheios às necessidades reais do país. Sem propostas consistentes ou argumentos sólidos, restam a eles somente falácias e desinformação.
Por fim, é essencial observar o que está acontecendo na Argentina. Mesmo após tantos sacrifícios, os recursos acumulados no final do ano retornam a condições próximas às de um ano atrás, com pouca ou nenhuma melhora. O resultado? Mais dívida, mais empréstimos do FMI e um povo que enfrenta dificuldades cada vez maiores. O diagnóstico sobre a necessidade de ajustar a balança comercial e buscar superávits em dólares está correto, mas os métodos são totalmente equivocados, conduzindo o país para o declínio.
Se olhassem para os vizinhos, aprenderiam como ajustar suas economias. No entanto, optam por fazer tudo ao contrário, colhendo os resultados esperados de políticas mal orientadas. O que nos resta é observar até onde isso irá.
O curioso nas especulações sobre quem fragiliza quem, nos cálculos sobre os efeitos políticos da decisão do ministro Dino de suspender o pagamento de emendas com base na regra básica de transparência, é como a análise muitas vezes se desvia da questão central.
A primeira observação relevante é que o governo Lula já havia cumprido sua parte nos acordos ao liberar as emendas acordadas. A decisão de sustá-las surge no momento de questionar: por que o Legislativo insiste em manter sigilo sobre bilhões de reais de recursos públicos? Esse é um problema real, impossível de defender, que levanta todo tipo de desconfiança.
A ideia de que essa decisão fragilizaria a relação entre Executivo e Legislativo, apontada por alguns analistas, foca nas possíveis tensões políticas em vez de direcionar atenção ao cerne da questão: a necessidade de uma gestão transparente dos recursos.
É evidente que há insatisfação no Congresso, especialmente entre os parlamentares habituados às “emendas livres.” No entanto, a resolução dessa prática nociva — além de extremamente cara ao país — só pode vir da aplicação rigorosa da lei. E é exatamente aí que o ministro Dino atua, sem receios.
A decisão agora é clara: cumprir a lei e alinhar os interesses e recursos de maneira que some esforços em vez de dividir. No curto prazo, isso pode trazer dificuldades no asfalto, mas é uma mudança fundamental que beneficia escolas, postos de saúde e demais serviços essenciais que ganham prioridade nesse novo cenário.
O Executivo, como o grande articulador nacional, tem a chance de ver seus planos abrangentes ganharem maior adesão, enquanto deputados e senadores ávidos por influência precisarão adaptar suas ações a práticas mais alinhadas com o interesse público.
Embora momentos de tensão estejam garantidos, não há um impacto estrutural negativo significativo a se esperar. Esse período, marcado pela troca iminente dos presidentes das casas legislativas e pelo ambiente de intensas negociações, representa uma oportunidade valiosa para redefinir práticas em benefício do país.
Já as críticas e ameaças — com a velha retórica alarmista — seguem o padrão de sempre: muito barulho sem substância. Apesar de tóxicas, são inócuas, inertes e apenas sinalizam a resistência de setores que tentam manter privilégios questionáveis.
Nesta sexta-feira, a Câmara deve recorrer da decisão do ministro Dino, alegando que todos os critérios legais foram cumpridos e que as emendas deveriam ser liberadas. Será interessante acompanhar o desenrolar desse capítulo. Entretanto, é pouco provável que o recurso prospere, e assim a novela continua com congressistas pressionados e recorrendo às ameaças rotineiras.
Em tempo: câmara recorreu e Dino respondeu perguntando o que não tem resposta.
Essa parece ser a condição e a decisão atual do governo em suas relações institucionais, considerando o Congresso e sua peculiar maneira de enfrentar os desafios do país, sua interação com o Banco Central e ambas as diretorias — a que está de saída e a que assumirá em breve. Isso inclui também suas avaliações de cenário em meio a um escandaloso ataque especulativo contra a nossa moeda.
Sem dúvida, a aprovação do pacote na última hora e de forma apressada não deixa um saldo ruim, pois atende às expectativas de forma básica. Onde o Congresso realmente se faz presente é na preservação dos privilégios, tanto próprios quanto daqueles que já possuem muito. Porém, quando se trata de cortes no salário mínimo ou no Benefício de Prestação Continuada (BPC), não hesitam em agir.
Sobre o BPC, o que se propõe, e com razão, é evitar a falta de critérios, já que o benefício cresce de maneira descontrolada. O salário mínimo, por sua vez, foi o primeiro a ser indexado a nova ancora fiscal. E é previsível que saúde e educação, com indexadores de despesas distintos, também sejam ajustados às mesmas regras em algum momento.
O grande desafio permanece no enfrentamento das maiores distorções, especialmente no Poder Judiciário, como os salários acima do teto constitucional, que continuam praticamente intocados. Apesar de algumas travas aprovadas, já há sinais claros de que podem ser facilmente contornadas.
Fica evidente que haverá uma nova rodada de ajustes em um momento futuro, abrangendo temas como os indexadores, as concessões tributárias e os super salários — onde estão concentradas algumas das mais flagrantes desigualdades. Felizmente, a preservação de ganhos importantes trouxe racionalidade aos cortes efetuados até aqui. Avançar sobre as distorções de forma lógica e justa será, cedo ou tarde, inevitável.
Nas relações institucionais, o cenário atual é reflexo de escolhas passadas, herdadas e ainda em vigor. Este Congresso, turbinado financeiramente, foi moldado pelo ex-presidente para sua sobrevivência política e para manter sua conhecida inércia, delegando amplamente o orçamento. O Banco Central, independente desde Temer, causou danos até aqui, e a “pantomima” necessária para agradar o mercado ainda se desenrola. Vamos observar quanto tempo isso se sustenta, e se é apenas um espetáculo temporário ou, de fato, o novo normal.
A questão que preocupa, porém, e inaugura um novo foco de tensão para o futuro, é o ataque especulativo contra o real. É provável que esse ataque tenha se fortalecido devido à omissão do Banco Central, o que parece ter sido decisivo. Talvez essa omissão seja uma característica específica do bolsonarista que está de saída, mas também existe o temor de que isso reflita uma mudança estrutural de comportamento do Banco Central daqui em diante.
E ficamos focados no ajuste fiscal, enquanto a Reforma Tributária foi concluída e aprovada.
O ex-ministro Guido Mantega — o mais longevo e vitorioso ministro da economia da nossa sofrida história — foi questionado, em entrevista ao 247, sobre como enfrentar a escalada especulativa do dólar. Sua resposta foi intrigante: ele afirmou que não diria como, mas sugeriu que analisássemos as medidas adotadas durante seu período como ministro para combater esse tipo de especulação.
Isso nos leva de volta a 2009. No ano anterior, a bolha imobiliária nos EUA havia estourado, desencadeando uma crise global que resultou na desvalorização de 20% do real naquele período. Curiosamente, a desvalorização atual é de proporção semelhante. É verdade que muitas moedas ao redor do mundo também estão se desvalorizando, mas, no caso do Brasil, a queda é mais acentuada. A meu ver, isso ocorre em parte como uma antecipação ao possível impacto da volta de Donald Trump à presidência dos EUA, com o mercado mundial precificando o cenário de valorização do dólar.
Já discutimos diversas vezes as características únicas do mercado de câmbio brasileiro. Aqui, a moeda apresenta grande volatilidade: sobe exageradamente em determinados momentos, para depois cair na mesma intensidade. Essa dinâmica é um prato cheio para a especulação desenfreada, especialmente no mercado futuro.
Atualmente, sem um Banco Central que enfrente os ataques especulativos, resta-nos aguardar janeiro, quando o BC poderá, esperamos, atuar em coordenação com os Ministérios da Fazenda e da Economia para defender os interesses nacionais e conter a especulação sobre o dólar.
Mantega não detalhou o que fez em 2009, mas enfatizou que tal ação só foi possível graças à atuação conjunta com o Banco Central.
E o que foi que ele fez, afinal?
Em resposta a uma pergunta sobre a modesta oferta de US$ 3 bilhões que o BC fará nesta quinta-feira para tentar conter a especulação, Mantega ironizou e relembrou que, em 2009, para enfrentar um cenário semelhante, a decisão foi destinar US$ 200 bilhões às operações cambiais. Esse movimento foi suficiente para impor prejuízos significativos aos especuladores e estabilizar o real. O resultado? Anos de crescimento econômico sustentado, que marcaram o maior e mais inclusivo período de expansão social e econômica da história do Brasil.