
Como temos explicado, ontem confirmou-se a escolha do filho Flávio para a disputa presidencial do próximo ano. A notícia começou a correr logo após o almoço, com uma nota do Metrópoles, e foi se espalhando até que Flávio publicasse a confirmação em suas contas.
A surpresa do anúncio não foi o nome em si, previsto por nós, mas a antecipação. Parecia que Bolsonaro iria usar a estratégia do Lula de escrever o nome no TSE para a disputa presidencial, esperar a negativa e só depois anunciar o sucessor. E assim se manteria em evidência. Por algum motivo, antecipou — e aí moram algumas dúvidas. Pode ter sido a movimentação da esposa, Michelle, atrapalhando acordos nos estados, como fez no Ceará com Ciro e como ameaçava Eduardo Paes no Rio, na sequência. Pode ser porque Tarcísio tentava intensificar sua presença, e uma chapa dele com Michelle de vice começou a circular. Ou pode ter sido o cálculo de que os fatos estão colocados e, quanto mais cedo surgir um nome da oposição — até agora não tinham esse nome —, melhor para o início da campanha.
Pode ter sido uma soma dos fatos, mas isso por parte de quem queria a vaga. Na familícia nunca foi assunto e, com o provável impedimento legal de Eduardo, sobrou Flávio para o sacrifício, como eles mesmos falam sobre a candidatura.
Sim, sacrifício, porque vai para perder, como expliquei várias vezes anteriormente. Vai pelo legado, pela herança, para que não caia em outras mãos. E depois, derrotado, vê-se como fica.
E aí está a questão central dos fatos desta sexta-feira. Com a queda impressionante da bolsa de valores e disparada do câmbio/dólar: o anúncio da candidatura de Flávio.
Mas não exatamente por causa dele, e sim por causa do Lula.
É curiosa a incapacidade de perceber os fatos.
Durante esta última semana, a bolsa disparou e o dólar foi caindo, caindo — e esse movimento começou após a pesquisa que mostrava empate técnico entre Lula e Tarcísio no segundo turno.
O anúncio de hoje vem acompanhado da certeza de que Flávio não é páreo para Lula e, nesse caso, a frustração da bolsa precificou o que a vitória de Lula significa para a Faria Lima em 2026, em números auditáveis…
Claro que teremos todo o ano de 2026 para repor o estrago; é evidente que a taxa Selic segue atraindo investimentos e dólares para manter o câmbio comportado daqui a alguns dias.
Mas o desapontamento foi o gatilho para a realização dos lucros e para observar o cenário com Lula reeleito.
Flávio, por enquanto, dividiu a direita, que está perplexa com a decisão. Esperavam enterrar Bolsonaro vivo e ainda levar seus votos, mas ele não entrou no jogo e mostrou as cartas.
O momento é de “barata voa” na direita, e cada um deve cuidar de sua vida daqui até a eleição — e Flávio que se vire.
Sozinho, bem entendido.
A propósito: até a hora em que escrevo, não vi nenhuma manifestação de Tarcísio.
Que, a meu ver, passa até a correr riscos na sua reeleição se seguir passando esse recibo de insatisfação ao eleitorado bolsonarista que o elegeu da primeira vez.
E isso vale para todo o centrão e os queixosos com o lançamento de Flávio: onde estão seus candidatos para a disputa presidencial do próximo ano? Onde estão seus votos para ganhar do Lula?
Pois é, não têm.
Ontem foi o mercado chorando as pitangas com a vitória do Lula. Não se engane: o problema para eles é Lula continuar fazendo o Brasil crescer com distribuição de renda e investimentos.
Aliás, Lula ontem mandou um recado para o agronegócio que derrubou as leis ambientais no Congresso recentemente: quando a China e a Europa pararem de comprar sua soja, por devastação e uso de agrotóxicos, vocês vão me procurar novamente.
É isso que dói nessa gente: a verdade.
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