Por sorte, toda vez que Lula assume o governo o Brasil se transforma novamente em um país majoritariamente composto de pessoas de classe média. O gráfico acima mostra, para quem quiser ver.
O problema é que ascensão social é encarada como resultado de esforço próprio, independente do governo de plantão, o que minimiza o reconhecimento das políticas verdadeiramente responsáveis por esse feito e a consequente valorização e prestígio de quem promove.
Claro que sem esforço próprio ninguém chega a lugar nenhum. Da mesma forma que sem oportunidade é muito difícil de obter sucesso. É isso que um governo com as políticas de investimento geral e irrestrito promove: oportunidades. E cada um aproveita como pode ou deseja.
Poderíamos parar por aqui, sem explicitar o quanto tamanha declaração dói nos ouvidos matreiros dos analistas da grande mídia. Depois do enterro da globalização – que martelaram em nosso ouvidos por anos e anos – o bloqueio da compra pelos japoneses da siderúrgica, agora a intensão da extensão das despesas públicas para valores muito superiores ao PIB inteiro.
Sobrou o que para os nossos liberais de quinta defenderem?
Sobre a entrevista de Trump de ontem é melhor aguardar para ver o real por trás da retórica. Por enquanto o dólar ficou tão baratinado quanto as demais moedas no mundo. Imagino que isso deve ser divertido para sociopatas. E as ameaças devem ter o poder de disparar mais uma corrida armamentista, que favorece as empresas bélicas americanas.
No mais, loucuras, loucuras.
Vai sobrar para todos, inclusive para os próprios.
O que nos leva ao deboche e cinismo da imprensa de insistir em superávit fiscal como causador do dólar caro, sendo que eles são um dos 17 favorecidos pelas medidas de 2013 – anticíclicas e para épocas difíceis – que nunca mais se conseguem suprimir, mesmo com o país voltando a crescer.
O arcabouço fiscal objeto de severas críticas – a esquerda e a direita – foi cumprido nos termos previstos na sua concepção. Problema do déficit está inteiramente situado na consequência dos juros mais altos do mundo praticados por desculpas que foram mudando durante o ano, e finalmente a desculpa que pegou exatamente com a consequência do pagamento dos juros exorbitantes. De fato, temos um problema com a subida da dívida bruta, longe de explodir, mas com trajetória incompatível com a dinâmica da nossa economia em desenvolvimento e desconectada dos superávites da balança comercial que fecha 2024 com mais de US$ 74 bilhões de saldo positivo.
Por onde olhamos todos os indicativos e emprego, renda, superávites fiscais e comerciais, aprovação de leis de interesse e reformas do governo no Congresso, abertura de mercados e segurança jurídicas, em tudo o Brasil avança sem problemas, exceto o serviço bilionário da dívida pública que precisa ser alterado com urgência.
Agora em janeiro temos mais uma reunião no BC para aumentar em 1% a Selic, conforme previsto na ata da última reunião. Vamos cumprir a previsão e aguardar a próxima em março, quando o novo presidente vai poder começar a agir com seus próprios pensamentos. Até lá é aguentar o tranco.
Essa foto acima é do dia em foi inaugurado um busto do ex -deputado Rubens Paiva, no salão da câmara . Bolsonaro passou pelo local e diante dos parentes convidados para a homenagem, cuspiu no busto .
Enquanto o Brasil comemora a vitória do Globo de Ouro de melhor atriz de Fernanda Torres, fazendo o papel da Eunice, esposa de Rubens Paiva e contando sua história, que é a história do nosso Brasil, no ano em que Bolsonaro e generais serão presos por continuarem querendo cuspir em todos nós, é bom deixar o registro.
Parece que demos uma volta no rumo da história no nosso Brasil. É bom ficar atento e forte, mas agora é comemorar.
O Guaidó 2.0, mais um “presidente fake” venezuelano, Edmundo não-sei-o-resto, anda por aí afirmando que retornará ao seu país para assumir a presidência no próximo dia 10 de janeiro.
Esse personagem permaneceu escondido em um local não divulgado durante todo o período de apuração dos resultados das eleições na Venezuela. Enquanto isso, governo e oposição disputavam as narrativas e os rumos políticos do país. Curiosamente, Edmundo não apareceu, e quem enfrentou a situação nas ruas foi Corina. Concordemos ou não com suas posições, a coragem foi demonstrada por ela.
Não vou me alongar relembrando todos os acontecimentos naquele momento, mas é preciso destacar que Edmundo, com uma ordem de prisão em aberto e na condição de fugitivo, dificilmente retornará à Venezuela no dia 10, como promete. Duvido. Vamos esperar para ver, ou não.
Enquanto isso, outro tema no cenário internacional é a Síria, onde diplomatas alemães e franceses, após visitas recentes, declararam esperar “um período inclusivo e pacífico” sob o novo governo. Sei que a linguagem diplomática, por necessidade e princípio, tende a suavizar os cenários, mas acho que exageraram.
A tomada de poder por um grupo de características semelhantes ao Talibã, num país completamente dividido por facções extremistas e interesses estrangeiros — como os da Turquia, possivelmente de Israel, entre outros —, faz com que qualquer ideia de uma “transição pacífica e inclusiva” pareça ilusória. Isso sem mencionar o ex-líder Bashar al-Assad, atualmente refugiado na Rússia, que ainda pode ter algum recurso para movimentar no tabuleiro.
Por fim, fica o habitual desabafo quanto à cobertura internacional da nossa gloriosa imprensa: segue o padrão de sempre. Não informa. Pior, desinforma.
Em poucos dias o novo Presidente dos EUA assume, mas é difícil imaginar que tal decisão não tenha passado pelo crivo de Trump.
O fato é que os arautos do livre mercado não permitem que os japoneses comprem sua indústria de aço, o liberalismo só presta quando é a favor e nunca contra.
Não que não soubéssemos disso, mas é sempre bom não deixar passar quando acontece.
Enquanto isso, por aqui no Brasil, embarcamos em todas as ondas que vem do Norte. A última foi a tal globalização que agora parece que virou pó. Sempre promovida pelos interesses distintos dos nossos, sempre apoiados por certa mídia e mercado financeiro. Nunca ouvimos um reconhecimento dos erros, jamais uma palavra de análise histórica . E estão todos por aí papagaiando as mesmas coisas, embora diferentes. Se me entendem.
Então ficamos assim, os japoneses não vão poder comprar a siderúrgica por interesse estratégico nacional dos EUA, e nós, quem diria, finalmente poderemos nos espelhar neles?
Déficit fiscal praticamente Zero – 0,1% do PIB para ser exato – enterra o discurso da turma financista, imprensa golpista e oposição ociosa.
Quanto a saída de U$ 25 bilhões em dezembro, uma impressão: estão mandando os lucros polpudos de 2024 para a Matriz e aproveitam para derrubar as próprias ações que irão recomprar . Enquanto espalham boatos de que o Brasil está bichado e vão embora. E tem gente que acredita!
Olho no lance, minha gente, deixemos de lado nossa ingenuidade.
2025 parte com previsão de crescimento de 2,5%. 2023 partir de 0,7% e 2024 de 1,5%.
Precisa dizer mais ?
Imagino que no fim do ano mais “ surpresas” aguardam.
O Ipea divulga uma importante pesquisa que atualiza os efeitos do Bolsa Família na economia e na vida das pessoas.
Impressiona que 46,8% dos lares brasileiros sejam amparados pelo auxílio. O mais relevante, no entanto, é que o estudo demonstra que o programa não afeta diretamente os níveis de emprego — uma distorção frequentemente proclamada —, mas eleva o rendimento médio das camadas populares. Isso ocorre porque o auxílio estabelece uma base mínima de negociação: pagar menos do que o valor recebido do governo torna-se inaceitável para os trabalhadores, o que parece óbvio.
Essa pode ser a razão da resistência e fúria contra o programa por parte de alguns setores. A insistência em falsos dilemas, como o argumento de que os beneficiários “preferem não trabalhar”, é apenas uma tentativa de justificar o desconforto de quem agora precisa pagar mais pelos serviços que utiliza.
Outro dado revelador é que jovens estão retornando à escola, a quantidade de pessoas atendidas volta mais rapidamente ao mercado de trabalho, e a economia melhora. Isso acontece porque distribuir um pouquinho para muitos é muito mais eficiente do que concentrar recursos em poucos.
Quem conhece regiões dominadas por latifúndios percebe que elas frequentemente produzem miséria, em contraste com áreas de pequenos proprietários, onde a produção é feita com muito esforço, mas acompanhada de dignidade.
Os benefícios do programa são inúmeros. Vou deixar um link para acompanhar os principais, conforme citados em reportagem do Terra:
Enquanto a direita lança uma candidatura mais furada que a outra, dia sim e no outro dia também, seguimos firmes com a candidatura de Lula em 2026.
Na verdade, é ainda muito cedo para falar disso — ao menos publicamente —, mas parece que, na ausência de assunto neste início de ano, vamos por aí mesmo.
Lula é candidato.
Adversário não temos. 2025 será o ano de enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo, conflagrando a direita em múltiplas e fracassadas aventuras. Todo mundo sabe disso, e especular agora é apenas uma forma de manter o balcão de negócios em dia, salvar candidaturas ao Legislativo ou, na falta de algo melhor, simplesmente ocupar o debate público.
A questão da idade, que poderia ser um empecilho, sob o ponto de vista do próprio Lula, não é. Ele repete há décadas que vai viver 120 anos e não diz isso por acaso. Nem vou listar as inúmeras iniciativas já tomadas neste início de 2025 que apontam claramente para a decisão de enfrentar mais uma eleição. Difícil seria apontar algum indício na direção contrária.
Quem não tem candidato — ou tem candidatos demais, inviabilizando qualquer nome em tais circunstâncias — é a direita.
Se há alguma dúvida, ela se refere ao cenário depois de 2030, não porque a idade de Lula pesaria ainda mais, mas porque a Constituição não permite mais de dois mandatos consecutivos para um presidente.
O Ano Inicia com o Debate sobre o Caminho do Governo Lula
O ano começou com mais um falso dilema: para qual direção o governo Lula penderá neste terceiro e decisivo ano do mandato? Para a direita, o centro ou a esquerda?
Cenário 1: À Direita
A aposta seria seguir nas mãos do Centrão. O argumento utilizado pelos críticos é que, sem as emendas parlamentares, o governo acabará cedendo ainda mais espaços no Executivo, abrindo novos ministérios ou secretarias para acomodar aliados.
Cenário 2: À Esquerda
A alternativa seria enfrentar o Legislativo com apoio popular direto: povo nas ruas, em manifestações, pressionando o Centrão e exigindo mudanças estruturais.
Cenário 3: Ao Centro
A hipótese mais provável é manter o atual rumo, promovendo reformas dentro dos limites impostos pelo modelo eleitoral brasileiro, que privilegia a reeleição de quem já detém mandatos. Isso vale para políticos de esquerda também.
Inclusive, tem-se falado sobre mudanças na eleição para o Senado, sugerindo limitar o voto a apenas um candidato nas duas vagas para senadores em 2026. A ideia parece interessante, mas aguardemos o debate.
Para Onde Vai o Governo Lula?
Lula sempre se mostrou um social-democrata. Já o PT é mais difícil de qualificar, pois abriga quadros bastante diversos. No entanto, há um movimento claro de aproximação da social-democracia na maior parte do partido.
Por muito tempo, as resistências ao reconhecimento de Lula como um líder equilibrado, democrático e com prioridades sociais eram atribuídas ao preconceito ou à defesa do PSDB, que por anos foi o queridinho da imprensa e dos analistas políticos.
No entanto, a ascensão do bolsonarismo revelou algo diferente: a preferência de muitos setores está no conservadorismo extremo, anti-trabalhista e contrário a qualquer resquício de modernidade. Esses grupos preferem o fascismo explícito a uma social-democracia alinhada ao povo.
O PSDB, que muitos associavam à social-democracia, mostrou, em retrospecto, que sua principal contribuição ao Brasil ficou no Plano Real. E mesmo esse marco só se sustentou pela estabilidade e pelos avanços econômicos promovidos depois nos governos Lula. Sem a visão desenvolvimentista de suas administrações, o plano teria fracassado – um caminho similar ao que se vê na Argentina com as políticas de Milei.
A Demonização do PT e a Persistência de Lula
Muitos analistas ainda situam Lula e o PT na extrema-esquerda, algo que não condiz com a realidade. Esses mesmos analistas sonham com uma “terceira via” que inclui figuras como Tarcísio de Freitas, alinhado ao bolsonarismo, numa clara tentativa de barrar Lula.
Quando dizem que o brasileiro é conservador, referem-se principalmente ao Congresso, cuja composição reflete a realidade de reeleições automáticas, falta de renovação e interesses lobistas. No entanto, a eleição de Lula também mostra um tipo de conservadorismo brasileiro mais voltado à busca de segurança econômica, com viés social-democrata.
A esquerda, no Brasil, muitas vezes apoia Lula pelo voto útil, mesmo que parte desse grupo critique constantemente o candidato e suas decisões.
Conclusão
Mudar para permanecer o mesmo.
Lula e seu governo não estão mudando de direção. Permanecem onde sempre estiveram: promovendo conciliação, enfrentando a direita conservadora (ontem) e agora a direita extremista. A governabilidade no presidencialismo brasileiro exige negociação constante com o Congresso – um Legislativo conservador mais pela dinâmica eleitoral do que pelo perfil ideológico dos eleitores.
O governo atual caminha para consolidar a social-democracia como força dominante no Brasil. Lula vence porque suas propostas atendem às demandas de um grupo majoritário favorecido por suas políticas.
O PT enfrenta mais dificuldades em momentos de prosperidade econômica, quando parte da população tende a esquecer a origem de suas conquistas, com ainda muito a ser recuperado após os governos de Temer e Bolsonaro, Lula continua como favorito para 2026. E, após seu ciclo, a social-democracia poderá encontrar novos nomes para manter-se como força política vitoriosa.