O analista da manchete que ilustra o post faz uma observação correta, embora tardia: desde 2002, Lula não tem adversário.
Mas é sempre interessante quando eles percebem isso e falam. Perceber, eles percebem desde sempre. Falar já é outra coisa — sugere que jogaram a toalha.
Claro que nem todos, ou melhor, a minoria, vai reconhecer esse fato. A maioria deve continuar na velha toada de críticas nem sempre fundamentadas e ataques políticos disfarçados de análise, e há quem torça contra descaradamente.
Não faz diferença.
Hoje vi uma notícia de que, seis meses antes do desaparecimento de Rubens Paiva, o jornal O Globo afirmava que eram falsas as denúncias de torturas e desaparecimentos políticos patrocinados pela ditadura no Brasil. Nem é preciso comentar. Essa sempre foi a visão política desse tipo de jornalismo: contra o Brasil e seu povo, sempre a favor do dinheiro e da máxima exploração.
E, no caso de Lula, tanto faz como tanto fez. O líder brasileiro segue vencendo as eleições que disputa e deve continuar assim até sua aposentadoria em 2030, quando, aí sim, o Brasil deve ingressar em um sistema parlamentarista — ou algo muito próximo disso.
Mas ainda temos tempo até lá. Até 2030, seguimos firmes. Depois, só Deus sabe.
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Com o provável aumento de mais 1% na taxa Selic no fim de março, devemos voltar a ouvir o discurso sobre desequilíbrio fiscal.
No entanto, nem de longe estamos correndo qualquer risco fiscal no momento. O superávit de mais de R$ 89 bilhões em janeiro foi o maior da história e, cá entre nós, uma dívida na mesma moeda do país — como é o nosso caso — não quebra ninguém. Seria diferente se a dívida fosse em moeda estrangeira, geralmente o dólar.
Mas a questão que se estende um pouco além de março é se o choque de juros está realmente contendo a inflação. E, aparentemente, não está funcionando tão bem assim. Como já comentamos repetidamente, não temos uma inflação de demanda, mas sim uma inflação de custo, com preços indexados ao dólar pressionando o aumento.
A situação melhorou significativamente de janeiro para cá, em parte pelo aumento dos juros, em parte porque o terrorismo do Campos Neto acabou, e apesar da guerra comercial de Trump que segue uma dinâmica incerta — ninguém sabe se é para valer ou se é para negociação. Além disso, cada vez mais se confirma a expectativa de uma supersafra de grãos, o que já parece estar provocando uma queda nos preços dos alimentos.
Hoje sai o IPCA de janeiro ( previsão de altíssimos 1,3%), e seguimos acompanhando esse delay dos índices de referência, que servem para avaliar as decisões de política monetária. Outros indicadores seguem mostrando inflação pressionada. Quanto ao PIB, a conversa é de que estamos com dificuldades e crescendo menos, mas sabemos que o primeiro trimestre depende muito da safra. Como a projeção é de uma colheita forte, pode ser que, diferentemente de 2024, o agronegócio colabore com o crescimento da economia em 2025, em vez de puxá-la para trás.
A prioridade segue sendo conter os preços em 2025, garantindo que a cesta básica tenha um custo mais acessível para que os aumentos na massa salarial e no salário mínimo realmente se traduzam em ganho de poder de compra. Caso contrário, todo o esforço se perde.
Há críticas e cobranças no sentido de que o governo deveria reduzir estímulos e investimentos para controlar a inflação. Como quase tudo que essa gente fala, esse argumento também parte de um equívoco: associar inflação relativamente baixa a uma economia relativamente aquecida a demanda excessiva. O que, de fato, se busca é um crescimento médio e uma inflação moderada, longe de qualquer descontrole. No Brasil, a inflação segue historicamente baixa, e o verdadeiro alvo da alta de juros sempre foi o câmbio — onde mora o maior risco inflacionário —, e não o consumo.
Enquanto isso, o governo trabalha para manter os investimentos e agora propõe a medida dos empréstimos consignados para empregados do setor privado, que pode movimentar R$ 120 bilhões em 2025 e baratear o crédito. Alguns dizem que a medida é contraditória com o combate a inflação, mas não é, como tentamos explicar.
Dada a dinâmica e a diversidade da economia, seguimos resistindo e mantendo o crescimento. No entanto, um cuidado extra com o custo dos alimentos é essencial. Se os resultados da safra e do câmbio se confirmarem, poderemos ter preços mais baixos rapidamente, ainda no primeiro semestre, garantindo um segundo semestre mais favorável e impulsionando o crescimento no ano. Contando com juros menores, por certo.
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Eduardo Bolsonaro, entre os filhos, é aquele que mais busca articulação com extremistas mundo afora, sobretudo nos EUA, onde ganhou espaço com a vitória de Trump.
Dizem que sua esposa e filha já moram nos EUA, enquanto ele exerce seu mandato em um constante vai e vem. Até o momento, neste ano, ainda não apareceu no Congresso.
Por lá, se limita a provocações e parece seguir a estratégia de forçar decisões judiciais contra si. Nesta semana, saberemos se conseguiu, pois há previsão de uma ação para apreensão de seu passaporte, sob a alegação de que conspirou contra o Estado brasileiro e clamou por intervenção estrangeira.
Com esse histórico, seu objetivo ao presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, onde foi indicado pelo PL – graças ao número de deputados da bancada –, seria prejudicar as relações entre Brasil e China, revisar e anular tratados e causar constrangimentos sempre que possível. No entanto, sua real intenção parece ser atrair a atenção dos EUA, país que de fato está em guerra comercial com a China, e ganhar holofotes para uma possível candidatura à presidência em 2026, substituindo o pai preso.
Sua eficácia na comissão, no entanto, tende a ser praticamente nula. Nos últimos anos, as comissões têm gerado mais confusão do que resultados concretos, especialmente porque Lira adotou a prática de levar projetos diretamente ao plenário, esvaziando a força desses espaços. O atual presidente da Câmara, Hugo Motta, prometeu mudar esse cenário, mas parece improvável. Assim, as comissões seguem servindo apenas para gerar likes e criar a ilusão de trabalho por parte de deputados incapazes de entregar qualquer resultado real.
Eduardo Bolsonaro seguirá essa linha, caso consiga a presidência da comissão e escape da apreensão do passaporte – o que, na minha visão, é provável. O mais certo é esperar para ver seus ataques na comissão, já que os deputados do PL foram eleitos para isso. Infelizmente, só uma nova eleição poderia enquadrá-los.
Além disso, a bancada do PL está sob intensa investigação da Polícia Federal por desvios em emendas parlamentares. Há mais de 40 investigações abertas sobre o tema, e boa parte deve atingir diretamente os deputados da sigla extremista.
Fora isso, resta acompanhar o desenrolar dos fatos. Quanto à candidatura de Eduardo à presidência, não vejo grandes riscos. Ele vem para perder, como um sacrificado, tentando segurar numericamente a bancada extremista .
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Na semana passada, venceu o prazo para a apresentação das defesas dos acusados de tentativa de golpe de Estado — ex-presidentes, generais, diversos militares e alguns civis (apenas uma mulher). Sem nenhuma explicação convincente ou justificativa, esses acusados devem, ainda nesta semana, ser formalmente transformados em réus naquele que acredito ser o maior processo da história do Brasil.
O ineditismo de incluir generais na acusação dispensa qualquer retrospectiva histórica. No caso brasileiro, é algo extraordinário, especialmente considerando que, nos EUA, quem tentou algo semelhante — e da mesma forma — é atualmente o presidente no poder.
O ministro Alexandre de Moraes recebeu as defesas dos acusados e abriu prazo de cinco dias para a resposta da Procuradoria-Geral da República (PGR), ou seja, até sexta-feira. Ninguém tem dúvida sobre o teor da resposta que a PGR fornecerá, e então começa, de fato, o processo, que já conta com abundância de provas, testemunhos, vídeos, imagens, conversas e, se isso não bastasse, os quatro anos de atividades públicas e antidemocráticas de todos os agora formalmente réus.
O cronograma indica que, até o fim do ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir e enviar os condenados para a prisão. Enquanto isso, aguardamos as acusações contra os inúmeros políticos com mandato que também participaram da tentativa de golpe. As investigações sobre quem financiou os atos parecem mais adiantadas, mas é fundamental saber em detalhes a participação de cada envolvido. Após a prisão e a condenação severa dos arruaceiros do 8 de janeiro, não se espera pena leve para a trupe de golpistas agora acusados.
Sobre as defesas, vimos de tudo. Na próxima semana, é provável que surjam diversos pedidos de habeas corpus por parte de praticamente todos os acusados, e o processo começará a caminhar. O julgamento na Primeira Turma do STF e a provável decisão unânime podem evitar medidas protelatórias para levar o caso ao Plenário.
Faço aqui uma observação: duvido, sinceramente, que em algum momento o atual presidente do STF, Luís Roberto Barroso — que é da Segunda Turma e, portanto, estaria fora deste julgamento —, não arrume um jeito de aparecer no caso. Certamente com o discurso de “fortalecer a democracia” e afins, mas… a impressão é de que ele quer mesmo é aparecer.
Que não seja para atrapalhar.
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Pela ótica da produção brasileira, os maiores estímulos para o crescimento da atividade econômica vieram dos serviços e da indústria.
Dentro dos dois setores, três atividades se destacaram: o comércio (com alta de 3,8%), a indústria de transformação (também de 3,8%) e as outras atividades de serviço (5,3%). Juntas, essas três atividades econômicas foram responsáveis por cerca de metade do crescimento do PIB em 2024, segundo Rebeca Palis.
Houve desaceleração no último trimestre de 2004, que indica início de 2025 modesto em crescimento. Haddad anda falando em priorizar o combate à inflação e menor PIB, mas temos um segundo semestre inteiro por cumprir; de fato o primeiro semestre deve ser mais parado. A fala do ministro também deve ser entendida pelo momento, quando o BC ainda tem mais uma tarefa árdua por cumprir e aumentar a Selic, talvez pela última vez, dependendo da confusão de Trump não criar entraves internacionais graves no câmbio.
Nosso roteiro esta traçado, inflação foi o que derrotou Biden nos EUA, apesar de indicadores de emprego e PIB positivos, e deve nos servir de exemplo.
Observando a perplexidade dos comentaristas, todos pegos de surpresa com a mini reforma ministerial, que até agora parece mais uma reforma do PT dentro do governo.
É possível imaginar que mais mudanças ocorram, mas a surpresa parece ter atingido tanto aliados quanto adversários, todos agora fazendo suas contas.
Aquilo que foi anunciado como uma reforma para acomodar aliados e fortalecer relacionamentos políticos – sobretudo com a base parlamentar, frequentemente vista como frágil e ameaçadora, apesar de ter aprovado tudo o que o governo quis – nem de longe se concretizou.
Ao contrário, o que vemos são nomeações de nomes fortes para posições relevantes e decisivas, indicando não uma acomodação ou conchavos, mas sim uma postura de força. É como se Lula traçasse uma linha e desafiasse todos a escolherem de que lado ficar.
A oposição, que a menos de dois anos da eleição ainda não tem candidato, se encontra em posição frágil. Lula e o PT já passaram por essa situação e sabem onde isso leva. Por isso, assumem uma posição clara e agora cada um que responda aos seus objetivos e aguarde os resultados.
2025 não aponta para um ano de grande crescimento econômico, mas sim para ajustes inflacionários e fiscais, acumulando forças para um 2026 mais dinâmico, com foco na eleição.
A queda da popularidade é natural e acontece com todos ao final do segundo ano de governo. Já atingiu aliados do PT, e agora cada um vai, aos poucos, olhar para a frente e optar pela realidade diante de si.
Se começamos este período sob ameaça de um semipresidencialismo e com o Congresso rosnando, entramos na segunda metade do mandato com a bancada evangélica elegendo líderes que pregam pacificação e diálogo.
Quem ainda vê o Congresso como inimigo do governo não está entendendo nada. Afinal, eles também precisam sobreviver, fortalecer suas bancadas, e a aposta no extremismo se torna cada vez mais arriscada.
Os resultados econômicos só produzem efeitos claros quando acumulam alguns anos. Avançar 3% ao ano durante 4 ou 5 anos e, então, todos perceberão a diferença. Nem todos atribuem os méritos ao governo, nem todos colhem os mesmos benefícios, mas o progresso funciona para a maioria e está acontecendo novamente.
Daqui a alguns meses, seremos todos chamados a renovar a escolha do nosso governo, de nossos representantes nos legislativos e governadores. E a turma que trabalha em Brasília não faz, nem pensa, em outra coisa a partir de agora. O presidente mostrou seu lado e aguarda a escolha.
Façamos a nossa.
Outro ponto marcante dessa mini reforma é seu apelo eleitoral, indo além do próprio Lula e fortalecendo nomes para a disputa de 2026.
O adjetivo é provocação, e a inspiração para o acintoso ataque veio do indefectível Eduardo Bolsonaro e o trumpismo barra pesada. A lei sugere ataques a liberdade de expressão em plataformas sociais sediadas nos eua na tentativas de calar indivíduos .
Imagino que o indivíduo seja aquele foragido danjustica, Alan dos Santos, e a liberdade de mentir e falsificar versões e fatos o que pretendem assegurar.
Lei ainda não é e imagino que nunca será, assim como no Brasil passa nessas comissões de araque , depois plenário, senado até a sanção do presidente. Mas servem para isso aí, e serviu para a embaixada dos eua emitir nota onde o nome do Brasil é citado como exemplo do que eles não querem .
Foi dada a largada na reforma ministerial com a saída de Nísia da Saúde, substituída por Padilha, que deixa a articulação política no Ministério das Relações Institucionais. Esse ministério, por sua vez, deve ser assumido por alguém do MDB ou do Republicanos.
Uma aguardada mudança também ocorre na Secretaria-Geral: sai Macedo e entra Gleisi, com dois propósitos claros: filtrar o acesso ao presidente dentro do governo e limitar o poder do Centrão – que, por ora, deve se contentar com as emendas bilionárias – enquanto aciona as turbinas para 2026.
Aliás, a presença do MDB e do Republicanos não tem outro motivo senão preparar a chapa para a batalha eleitoral de 2026.
A presidência do PT ficará vaga. Gleisi tem mandato até junho, mas a definição deve ocorrer antes, com Edinho Silva e Guimarães disputando a vaga. Edinho parece ser o preferido de Lula, mas Guimarães demonstra mais apetite.
Não sei se a reforma ministerial passará disso. Embora pareça pouco, a articulação política sofrerá mudanças significativas. O tempo dirá se funcionará, mas me parece que sim, pois vem sendo conduzida com cuidado.
Os nomes de Pacheco e Lira, que andaram em alta nas especulações, sumiram da pauta. Pacheco deve disputar o governo de Minas, enquanto Lira caminha para o Senado. No entanto, Pacheco já se posiciona como aliado na reeleição de Lula, enquanto Lira ainda está em cima do muro.
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Se de fato não adianta reclamar de resultados ruins e da queda na aprovação do governo Lula, também é verdade que ele ficou ausente da arena pública por semanas devido à sua queda. Nesse período, a oposição conseguiu emplacar a fake news do Pix – algo que talvez nem tivesse ganhado força se Lula estivesse disponível para responder.
Sim, o preço dos alimentos está alto. A subida do dólar agravou o problema – que começa a ser minimizado – e tivemos dificuldades por motivos distintos com azeite, suco de laranja, café e derivados do leite. Alguns sem razão convincente, outros por seca, outros por mudanças climáticas, e todos por especulação da turma barra-pesada do comércio.
Agora, uma nova explicação para a queda da aprovação do governo surgiu por parte de Marcos Coimbra. Ele percebe uma insatisfação maior vinda da esquerda politizada, muito mais do que das camadas populares da base, que – segundo ele – nem costumam dar entrevistas nessa época, distante das eleições, e não se interessam tanto pelo debate político em seus detalhes.
De qualquer forma, a expectativa é de recuperação dos índices de aprovação nas próximas semanas. Até onde isso irá, só saberemos com o tempo.
E vale lembrar: o cálculo eleitoral é diferente dos níveis de aprovação. Com pouco mais de 30%, elege-se um presidente em praticamente todos os países do mundo – incluindo o nosso.
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O IPCA-15 de fevereiro veio acima de 1,3%. Apesar de ficar abaixo dos 1,5% previstos, o acumulado anual chega a 5%, mantendo a pressão inflacionária. O Banco Central, sem imaginação e preso à meta de 3% ao ano, deve subir a taxa Selic em mais 1% em março, conforme o roteiro traçado pelo bolsonarista Campos Neto – que ainda não conseguimos superar.
É um desastre ferroviário completo: torna a dívida pública insustentável, alimenta o discurso de mais cortes nos investimentos e desacelera a economia.
Apesar das consequências tão nefastas quanto previsíveis, o presidente Lula segue afirmando que o crescimento será superior a 3% em 2025, contrariando todas as previsões e cenários.
Mas a opinião do presidente não pode ser negligenciada. Isso sugere que algo está se movendo por baixo da superfície, além do investimento estatal. Talvez a economia tenha conseguido superar sua inércia e esteja começando a crescer sem tanta necessidade de estímulos públicos. Se for o caso, uma contração no investimento estatal pode ajudar a superar entraves fiscais e colaborar para a redução dos juros.
Sempre lembro que, para quem vive no Brasil, a Selic quase não significa nada. Estamos acostumados a trabalhar com taxas acima de 20% nos negócios – dinheiro para investimento nunca foi barato por aqui.
Existe uma corrente especulativa que se alimenta desses juros altos, mas o movimento de queda do dólar pode ajudar a amenizar a inflação. Esse parece ser o objetivo do governo e do Banco Central para 2025.
Nesse cenário, a aposta se desloca para o setor privado, que Lula parece acreditar estar disposto a sustentar o crescimento em 2025. Sim, com ajuda da Petrobras, dos Correios e até da Vale, que já começa a ser cobrada a contribuir mais para o desenvolvimento do país.
Até aqui, tudo certo. Agora, resta esperar para ver se a aposta está correta.
O apostador em questão não costuma perder.
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