Enquanto o maluquinho do Norte supõe que seu país não precisa de nada nem de ninguém, um deputado francês pede de volta o presente que sua nação deu no passado: a Estátua da Liberdade, símbolo esquecido dos EUA. (Mesmo que o motivo do pedido tenha origem pra lá de equivocada: a defesa da guerra na Ucrânia, que Trump vai minando aos poucos.)
Lembrei-me de uma conversa de anos atrás com um professor de história britânico, que me explicou que imaginar o feudalismo como um período de isolamento total era um erro. O isolamento absoluto nunca ocorreu, e o intercâmbio entre cidades próximas e distantes jamais cessou.
Talvez Trump imagine um mundo onde os EUA continuem controlando as pautas econômicas como no período pós-Guerra Fria. Se por um lado isso de fato aconteceu, por outro, a economia chinesa, indiana, coreana e até a brasileira se fortaleceram, além da terrível sentença verdadeira que afirma que a história só se repete como farsa.
Talvez Trump esteja apenas forçando a mão para abrir negociação, como aprendeu em seus negócios do dia a dia. Há quem diga que, como herdeiro, só fez falir os negócios da família. E, cá entre nós, parece estar fazendo o mesmo com a economia dos EUA.
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E nem foi coincidência a escolha da data do julgamento na Primeira Turma do STF, composta por Zanin, Fux, Cármen, Dino e Moraes. O que se aguarda é a aceitação da denúncia da PGR, apresentada por Gonet, por unanimidade, iniciando assim o processo sob a relatoria de Moraes, em ritmo acelerado, considerando as investigações extremamente robustas e as provas abundantes dos crimes cometidos.
A única estratégia que restou para os advogados de defesa é protelar, e nem isso devem conseguir. A oitiva de testemunhas e advogados será muito rápida, já que os golpistas foram separados em núcleos, e os mais envolvidos, especialmente os de cargos mais altos, serão julgados primeiro – casos de Bolsonaro, Heleno e Braga Netto.
O STF adiantou o serviço: na semana passada, concluiu o julgamento que estendeu o foro privilegiado para crimes cometidos no exercício do mandato, mesmo após seu término. Ou seja, processos relativos a crimes de detentores de mandatos não descem mais para instâncias inferiores, mesmo que o indivíduo não tenha mais mandato – caso de Bolsonaro e seus ex-ministros.
Além disso, a questão de julgar na Turma, e não no Plenário, também foi decidida e permanece como está. Seguramente, essas decisões limitam as possibilidades de defesa protelatória, além de isolar a dupla de ministros bolsonaristas do STF da segunda Turma.
O que restou para Bolsonaro é o ocaso, e depois de ontem a situação piorou. Se, em abril, a nova convocação de ato, desta vez na Paulista, fracassar também, a turma do Centrão vai virar a página, e a grande mídia (PIG) vai enlouquecer atrás da velha fórmula da terceira via.
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No auge, estimou-se a presença de 18 mil testemunhas em Copacabana neste último domingo, confirmando a decadência de Bolsonaro.
O bolsonarismo segue, deve encontrar um novo nome, mas não vai muito além disso. Talvez em 2026 um sobrenome Bolsonaro apareça, porque o titular não admite largar o osso — o que lhe seria fatal — nem nomear alguém sem o mesmo sobrenome para ocupar seu lugar. O resultado disso é o afastamento de parceiros da direita que almejam a vaga, mas já não veem necessidade de carregar o peso de um réu e futuro condenado.
Aliás, Bolsonaro afirmou no palanque que não vai fugir, o que, vindo de um mentiroso contumaz, não significa nada.
Novas manifestações estão sendo marcadas para São Paulo em abril. Tarcísio compareceu ao evento no Rio, mas preferiu falar sobre a carestia, em acenos próprios para o futuro. No entanto, o mais provável é que ele tente a reeleição em São Paulo, deixando o sobrenome Bolsonaro queimar as últimas velas antes de, quem sabe, assumir ele mesmo o comando da nau avariada.
Para quem dizia querer mandar uma foto para Trump e se apresentar como a grande esperança política nacional diante de um suposto clamor irresistível, o fracasso foi total. E considerando que a maioria dos patrocinadores dessas manifestações são igrejas cristãs evangélicas, o fiasco cresce de proporção e pode acabar levando essa trupe religiosa junto para o sal.
A estratégia de pressionar o STF e a classe política parece ter fracassado e seu futuro é incerto. Anunciaram para esta semana a coleta de assinaturas suficientes para aprovar a urgência da anistia e levar a votação à Câmara, mas não acredito nisso. Na micareta fracassada de ontem, não se viu ninguém além da turma mais radical, e o centrão não deu qualquer sinal de apoio.
Serve de teste para vermos qual será a decisão do atual presidente da Câmara, Hugo Motta. A princípio, parece que ele conseguirá ficar na moita devido à baixa adesão à proposta de anistia. Caso contrário, veremos como ele irá agir, apesar da quase certeza de que não há apoio suficiente para levar isso adiante.
Boa semana a todos.
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Esta semana veremos mais uma manifestação flopada dos extremistas, desta vez no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, tentaram algo semelhante, mas ninguém nem ficou sabendo. O protesto é mais um falso apelo por anistia aos golpistas condenados pelos atos de depredação na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro.
O presidente do STF, ministro Barroso, explicou que, dos 1.200 acordos de não persecução penal oferecidos aos envolvidos, mais da metade recusou. A proposta incluía: dois anos sem redes sociais, multa de R$ 5 mil para quem pudesse pagar e participação em um curso sobre democracia oferecido pelo Ministério Público. Quem aceitasse teria o passaporte devolvido e não precisaria usar tornozeleira eletrônica. A alternativa? Recusar o acordo, ser julgado e correr o risco de pegar até 15 anos de prisão, como tem acontecido.
Ou seja, a recusa não veio de ingênuos, mas de pessoas que optaram conscientemente pelo confronto ideológico. E, sabendo ou não, continuam servindo de bucha de canhão para o ex-presidente e os generais, cujo verdadeiro objetivo é garantir anistia para si próprios – não para os que estão presos e permanecerão assim.
Anistia não virá. Pode até ser debatida na Câmara, mas dificilmente avançará no Senado e é impensável no STF, onde não há qualquer base legal que permita anular esse tipo de crime.
A única forma de escapar seria um golpe de Estado – exatamente o que tentaram. E, se ficassem impunes, voltariam a tentar com ainda mais força.
Sem anistia.
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Nosso querido ministro Lewandowski está elaborando e articulando a PEC da Segurança Pública desde que assumiu a pasta do Ministério da Justiça.
Ele teve que enfrentar a resistência dos governadores do Sul e Sudeste, bolsonaristas, que não queriam nem ouvir falar em mudanças na área, muito menos vindas do Executivo. Temem perder o comando das tropas, por piores que sejam e por mais que não cumpram suas obrigações.
Mas, como a PEC prevê a destinação de recursos para o setor — e dinheiro sempre é um atrativo irresistível —, as negociações avançaram. Agora, anunciam que nesta sexta-feira Lula vai se debruçar sobre o tema porque a proposta ganhou tração.
E andou mesmo?
Sim, porque a vaga de ministro da Justiça interessa dentro do rearranjo ministerial que o governo está conduzindo, tanto para garantir governabilidade nos próximos dois anos quanto para fortalecer alianças de olho em 2026. E nosso Lewa deve entrar como moeda de troca nessa fase. Afinal, assim como aconteceu com a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade, ele entrou no governo como um nome técnico, mas agora o espaço precisa ser ocupado por um político capaz de operar na articulação política.
Vida que segue. Nada a reclamar. Lewandowski cumpriu sua missão, e com sacrifícios. Antes de aceitar o cargo, já era procurado para atuar nos grandes processos e poderia estar ganhando muito mais no setor privado. Mostrou, portanto, sua cota de sacrifício pessoal até agora e o governo segue governando.
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Nova presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, disse nesta quarta-feira, 12, que identifica crimes militares na conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é capitão reformado do Exército e foi denunciado no STF por tentativa de golpe de Estado. (Estadão)
O trecho acima tem muito mais importância do que parece, além de vir da primeira mulher a assumir o Tribunal Superior Militar na história.
Bolsonaro é capitão reformado, e uma condenação no TSM significaria sua expulsão (pela segunda vez), perda de remuneração e, principalmente, o desmonte de dois discursos centrais do bolsonarismo: o de que ele é um perseguido político e o de que ainda é um militar.
Ainda é cedo para pensar em algo assim, mas uma denúncia parece inevitável e pode causar danos irreversíveis à imagem do ex-capitão.
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Enquanto os passageiros aguardavam na fila, dois homens deixaram duas sacolas na plataforma. Segundos depois, uma delas explodiu, espalhando dezenas de panfletos.
O incidente aconteceu em São Paulo, no Terminal Pinheiros, por volta das 5h40 da manhã.
As câmeras do terminal registraram os dois suspeitos, mas, até o momento, ninguém foi encontrado.
Foi um incidente menor, sem vítimas, mas não pode ser ignorado. O método é conhecido: explosivos e tentativas de atribuir responsabilidades a terceiros, especialmente ao campo da esquerda.
Não é novidade. A assinatura é clara, e a falta de empenho nas investigações pode acabar garantindo impunidade. Em um terminal de transporte público, onde há monitoramento por câmeras, é difícil imaginar qualquer dificuldade para identificar os responsáveis. Se não investigarem, é porque não querem.
Não se pode subestimar esse tipo de provocação. Quando acuados, esses grupos sempre partem para ações mais graves.
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Mas, para a imprensa brasileira, é só briga de torcida.
Todas as quartas-feiras, os aposentados argentinos saem às ruas em Buenos Aires. Fazem isso há anos. Com o governo Milei, seguiram na rotina, agora protestando contra a falta de reajustes das pensões, o fim dos subsídios a remédios e a desvalorização contínua de seus benefícios diante da inflação altíssima — passada e ainda presente.
Ontem, a cena se repetiria, com a marcha passando pelo Congresso, onde novas leis de arrocho para aposentados seriam votadas. Mas a polícia decidiu reprimir a manifestação, porque as torcidas organizadas dos 40 maiores clubes de futebol do país tomaram as dores dos aposentados e decidiram engrossar o protesto.
A confusão tomou conta da cidade.
E nada disso foi noticiado por nossa imprensa. Se não fosse a presença das torcidas e o confronto com a polícia, seguiríamos na ignorância.
De qualquer forma, os aposentados argentinos iniciam agora uma jornada maior para derrotar Milei e seus planos de fracasso e miséria. Miséria para eles, porque na casta ninguém mexeu — e nem vai.
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O analista da manchete que ilustra o post faz uma observação correta, embora tardia: desde 2002, Lula não tem adversário.
Mas é sempre interessante quando eles percebem isso e falam. Perceber, eles percebem desde sempre. Falar já é outra coisa — sugere que jogaram a toalha.
Claro que nem todos, ou melhor, a minoria, vai reconhecer esse fato. A maioria deve continuar na velha toada de críticas nem sempre fundamentadas e ataques políticos disfarçados de análise, e há quem torça contra descaradamente.
Não faz diferença.
Hoje vi uma notícia de que, seis meses antes do desaparecimento de Rubens Paiva, o jornal O Globo afirmava que eram falsas as denúncias de torturas e desaparecimentos políticos patrocinados pela ditadura no Brasil. Nem é preciso comentar. Essa sempre foi a visão política desse tipo de jornalismo: contra o Brasil e seu povo, sempre a favor do dinheiro e da máxima exploração.
E, no caso de Lula, tanto faz como tanto fez. O líder brasileiro segue vencendo as eleições que disputa e deve continuar assim até sua aposentadoria em 2030, quando, aí sim, o Brasil deve ingressar em um sistema parlamentarista — ou algo muito próximo disso.
Mas ainda temos tempo até lá. Até 2030, seguimos firmes. Depois, só Deus sabe.
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Com o provável aumento de mais 1% na taxa Selic no fim de março, devemos voltar a ouvir o discurso sobre desequilíbrio fiscal.
No entanto, nem de longe estamos correndo qualquer risco fiscal no momento. O superávit de mais de R$ 89 bilhões em janeiro foi o maior da história e, cá entre nós, uma dívida na mesma moeda do país — como é o nosso caso — não quebra ninguém. Seria diferente se a dívida fosse em moeda estrangeira, geralmente o dólar.
Mas a questão que se estende um pouco além de março é se o choque de juros está realmente contendo a inflação. E, aparentemente, não está funcionando tão bem assim. Como já comentamos repetidamente, não temos uma inflação de demanda, mas sim uma inflação de custo, com preços indexados ao dólar pressionando o aumento.
A situação melhorou significativamente de janeiro para cá, em parte pelo aumento dos juros, em parte porque o terrorismo do Campos Neto acabou, e apesar da guerra comercial de Trump que segue uma dinâmica incerta — ninguém sabe se é para valer ou se é para negociação. Além disso, cada vez mais se confirma a expectativa de uma supersafra de grãos, o que já parece estar provocando uma queda nos preços dos alimentos.
Hoje sai o IPCA de janeiro ( previsão de altíssimos 1,3%), e seguimos acompanhando esse delay dos índices de referência, que servem para avaliar as decisões de política monetária. Outros indicadores seguem mostrando inflação pressionada. Quanto ao PIB, a conversa é de que estamos com dificuldades e crescendo menos, mas sabemos que o primeiro trimestre depende muito da safra. Como a projeção é de uma colheita forte, pode ser que, diferentemente de 2024, o agronegócio colabore com o crescimento da economia em 2025, em vez de puxá-la para trás.
A prioridade segue sendo conter os preços em 2025, garantindo que a cesta básica tenha um custo mais acessível para que os aumentos na massa salarial e no salário mínimo realmente se traduzam em ganho de poder de compra. Caso contrário, todo o esforço se perde.
Há críticas e cobranças no sentido de que o governo deveria reduzir estímulos e investimentos para controlar a inflação. Como quase tudo que essa gente fala, esse argumento também parte de um equívoco: associar inflação relativamente baixa a uma economia relativamente aquecida a demanda excessiva. O que, de fato, se busca é um crescimento médio e uma inflação moderada, longe de qualquer descontrole. No Brasil, a inflação segue historicamente baixa, e o verdadeiro alvo da alta de juros sempre foi o câmbio — onde mora o maior risco inflacionário —, e não o consumo.
Enquanto isso, o governo trabalha para manter os investimentos e agora propõe a medida dos empréstimos consignados para empregados do setor privado, que pode movimentar R$ 120 bilhões em 2025 e baratear o crédito. Alguns dizem que a medida é contraditória com o combate a inflação, mas não é, como tentamos explicar.
Dada a dinâmica e a diversidade da economia, seguimos resistindo e mantendo o crescimento. No entanto, um cuidado extra com o custo dos alimentos é essencial. Se os resultados da safra e do câmbio se confirmarem, poderemos ter preços mais baixos rapidamente, ainda no primeiro semestre, garantindo um segundo semestre mais favorável e impulsionando o crescimento no ano. Contando com juros menores, por certo.
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