O simpático presidente da Petrobras, Prattes, informa que os preços dos combustíveis estão no limite. Caso o preço do petróleo continue aumentando, alguns reajustes serão necessários.
A empresa também anunciou que distribuirá R$ 15 bilhões aos acionistas, referentes ao segundo trimestre do ano e em linha com os dividendos das maiores empresas do ramo, valor substancialmente abaixo dos R$ 50 bilhões que estavam sendo divulgados enquanto a gasolina era vendida a preços elevados e o patrimônio era entregue nas privatizações. Isso não apenas comprometeu os recursos para investimento, mas também deu a entender que o objetivo era, na verdade, desmantelar a empresa. Agora, por exemplo, serão destinados R$ 35 bilhões para a recuperação da frota naval da empresa, gerando 35 mil empregos e reativando os estaleiros no Brasil. Além da ampliação da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, gerando mais 30 mil empregos. E esses são apenas alguns exemplos.
Depois , as pessoas ficam surpresas com os resultados positivos do governo atual, alegando que é pura sorte.
O Brasil já é um dos dez maiores produtores mundiais de petróleo, bem como um dos principais exportadores. A previsão é que a exploração do petróleo dobre até 2030, sem mencionar a margem equatorial, que ainda está por ser explorada e está atualmente em fase de planejamento para a operação segura e eficaz.
Quanto à declaração de Prattes sobre a possibilidade de aumentar os preços dos combustíveis, percebo uma certa esperteza de sua parte. Parece que o preço do barril, um pouco acima de US$ 85, está se aproximando de um limite, e sua declaração foi mais para inglês ver, uma migalha retórica para os “tubarões” que o rodeiam.
Nomeado o novo Ministro do STF, o ex-advogado do presidente Lula, Cristiano Zanin. Uma vitória imensa para o melhor direito, aquele que defende a verdade e a justiça, em oposição à corrente política que perseguia adversários.
Tudo isso agora é história. Os grandes derrotados são conhecidos e não são poucos.
Quando a onda começou em 2008, no mensalão de Roberto Jefferson, o mesmo que ataca e atira em policiais e está preso, o consórcio político contra o Partido dos Trabalhadores foi se formando, principalmente na mídia tradicional em aliança com o PSDB. O Ministro Joaquim Barbosa foi o primeiro a embarcar na canoa do ativismo contra a política, ingenuamente trabalhando para negá-la, escolhendo os alvos nos governos populares, os mais honestos que já tivemos. Na capa da revista semanal da direita agradecida, nos programas e nas homenagens na televisão da ditadura, Barbosa foi tragado pela vaidade e prazerosamente deixou-se levar para águas profundas. Vale lembrar que nesses julgamentos, os advogados de defesa dos dirigentes petistas atacados, foram escolhidos entre os melhores do Brasil, sem sucesso.
Os alvos eram sempre os dirigentes do PT. Nós que os conhecíamos, acompanhávamos as trajetórias políticas e sabíamos de suas vidas e lutas, tínhamos a certeza de que tudo aquilo era mentira, uma perseguição política manipulando a lei, interesses de classe contra a política nacional e os interesses dos trabalhadores.
Isso resultou em uma condenação baseada no domínio do fato, no “condeno porque a literatura me permite” – algo vergonhoso e ridículo – que, no entanto, só anunciava o pior que estava por vir.
A Lava Jato dispensa comentários e ainda estamos no processo da autópsia, cujas entranhas revelam os piores e mais vergonhosos feitos.
No entanto, de lá surgiu Zanin, que diferente dos medalhões escolhidos para a defesa contra as falsas acusações do Mensalão, foi escolhido por Lula porque acreditava no que estava fazendo, acreditava no seu cliente., e enfrentou a injustiça com a denúncia do Lawfare, uma tese que alcançou fama mundial e ajudou a revelar a verdade que libertou nosso Lula.
Todos sabemos disso.
Desejamos uma longa presença no STF, onde ele repetirá e deixará marcada a presença da melhor razão, aquela que combate a manipulação e a mentira. Ele será uma lembrança desse tempo, um marco da resistência contra os desafios futuros que certamente virão.
O Bacen anunciou um corte de 0,50% na taxa Selic, um número que, se não era inteiramente previsto, também não estava fora das especulações.
O inusitado foi o desempate de Campos Nero na votação de 5×4 do colegiado do Banco; o desempate contou com o voto do seu presidente. O voto derrotado defendia a redução de 0,25% na taxa.
Penso nos muitos motivos da decisão de Nero, e sem dúvida, a forte pressão que sofreu influenciou, talvez até seu instinto de sobrevivência.
Um dos argumentos usados para defender o corte de apenas 0,25% é que, cedendo mais, o governo e os agentes econômicos iriam pleitear futuramente maiores cortes. E é exatamente o que está acontecendo, com as apostas para os próximos encontros não se firmando nos 0,5% prometidos na decisão de ontem e nas próximas reuniões, mas em 0,75%. E eu estou entre eles.
O momento é rico em reflexões.
Primeiro, o Bacen abandonou a retórica belicista e irreal, cedendo às pressões do governo e do mercado. Isso também mostra a base ilusória em que as decisões pretensamente técnicas repousam quando os interesses estão alinhados em uma mesma direção.
Segundo, há uma equivocada impressão dos agentes e analistas no exterior, que olham para a trajetória dos juros no Brasil e louvam o fato de termos sido os primeiros a subir e, agora, os primeiros a baixar. Eles não sabem que subimos por motivos alheios aos que eles imaginam, porque os juros subiram para pouco mais de 2% para permitir a valorização do dólar, o que interessava ao Guedes e seu projeto de privatização e venda de patrimônio barato. Esse plano fracassou e provocou alta inflação, ameaçando os planos de reeleição do chefe deles todos. A solução foi abandonar o plano entreguista de privatização e segurar a inflação, subindo os juros aos píncaros. Inutilmente, como sabemos.
Agora, depois de posar de economista radical enquanto, na verdade, boicotava o projeto de desenvolvimento do novo governo, Nero cede pressionado, inclusive pelos banqueiros a quem serve, de onde vem e para onde pretende retornar.
Aos poucos, o pulso que ainda pulsa vai normalizando a batida. Gradativamente, nosso Brasil pousa em um caminho com rumo certo, deixando para trás os sobressaltos e a retórica violenta.
Não que a violência termine, ou que terminará, porque ela serve a propósitos políticos específicos, sendo revivida e mantida ativa. Ela veio para ficar por um tempo imprevisível.
Porém, penso em nós, aqueles que enfrentaram a besta e suas crias, os que enxergaram a saída e venceram a batalha. Nós apreciamos a justiça e um país de oportunidades, porque conhecemos o mal que o fascismo provoca.
Estamos em uma crescente calmaria, refletida no engajamento entre nossos formadores de opinião, os que nos informam enfrentando dura labuta. Todos reclamam da queda geral do interesse, do engajamento e do retorno, inclusive financeiro, o que para muitos pode levar a buscar forçar a pauta para sobreviver, tentando atrair atenção.
É uma realidade dura, com a qual todos precisamos lidar, pois enquanto a situação se acalma, naturalmente a tendência de acomodação acompanha. É o que acontece.
Na medida do possível, precisamos manter o interesse, apoiar o que for relevante e indispensável, e participar. Para o ano, teremos eleições para prefeitos, e logo enfrentaremos a batalha das eleições presidenciais.
O futuro começa hoje, e nossos guerreiros precisam também da relativa paz para seguirem trabalhando.
Em mais um daqueles dias estranhos, onde chegam notícias inacreditáveis sobre os feitos do gado bolsonarista, transitamos entre perplexidade, risos, espanto e reflexões.
Como foi possível chegarmos onde chegamos? Como foi possível permanecer no desastre, mesmo enfrentando a ameaça mortal de uma pandemia? Deve existir uma explicação , mas isso não nos exime do vexame e das responsabilidades.
O ex-presidente pediu e recebeu uma enxurrada de Pix de seus seguidores, em valores e quantidades suspeitas de R$17 milhões, destinados a pagar multas diversas de ações temerárias, além de ofensas e mentiras sobre a realidade e adversários. No entanto, ele recebeu o dinheiro, não pagou nenhuma multa e aplicou os fundos. Além disso, a data do início dos depósitos não bate com a divulgação da conta; os depósitos começaram meses antes da campanha pública de arrecadação, talvez para ocultar e misturar números.
Os terroristas da Praça dos Três Poderes, em Brasília, durante a invasão e depredação, fizeram cadastro para acessar o Wi-Fi livre e grátis dos palácios, fornecendo nomes e CPF pessoais.
Mauro Cid e um de seus militares, que davam apoio ao ex-presidente, trocaram e-mails oficiais entre si, enviando ofícios, nos quais combinavam de ocultar pedras preciosas recebidas pelo casal ex-presidencial em Téofilo Ottoni, conhecida região de extração de gemas valiosas.
E, finalmente, o cada vez mais famoso Hacker de Araraquara, aquele que invadiu o celular da Lava Jato e revelou os podres da turma toda, foi contratado pela tresloucada Deputada Zambelli para invadir o celular do Ministro Moraes do STF e invadir as urnas eletrônicas. Ele afirma que tudo foi combinado com o ex-presidente em pessoa e prometeu fornecer as provas do que diz.
O inquieto Hacker também teria sido o autor do questionário que as Forças Armadas enviaram ao TSE durante aquele carnaval, visando desacreditar o pleito e o uso das urnas no Brasil.
Por fim, o partido do ex-presidente, PL, planejou um teatro com a presença do Hacker em um comício antes do segundo turno da eleição, onde ele, ao vivo e espelhado em um telão, digitaria 17 em uma urna eletrônica e o visor da máquina mostraria 13, provando assim a fraude.
Deixo para vocês a avaliação, até porque são 7 horas da manhã e o dia começa, e só Deus sabe o quanto mais de loucuras e revelações patéticas e inacreditáveis nos aguarda.
Que tempo triste, que comédia, que desastre, que circo, que hospício!
Hoje, finalmente, o Banco Central, sob a gestão bolsonarista, irá reduzir os juros, que são os maiores do mundo, para um valor que ainda manterá o país na liderança do abuso contra o seu próprio povo.
As previsões, ou melhor, as “apostas”, estão em uma redução de 0,25% a 0,50% na taxa de juros.
Os argumentos para essa decisão do Bacen são interessantes, mas também preocupantes. Além de “apostar”, os analistas mencionam a possibilidade de que Campos Nero entregue apenas 0,25% de redução, para não alimentar o apetite por mais cortes. Parece que estão falando de nós, que sofremos com as maiores e desnecessárias taxas de juros do mundo.
Além disso, eles ignoram qualquer reflexão racional e ponderação baseada em números ou projeções, algo que seria esperado de analistas e técnicos de um Banco Central. Em vez disso, seguem com suas “apostas” e sugerem uma redução de 0,25% porque é a postura conservadora adotada pela atual direção do Banco, independentemente da realidade objetiva observada.
Eu “apostaria” em 0,50%, mas, considerando o contexto, não colocaria dinheiro nessa aposta. O regime atual no Banco Central é impermeável a previsões, seguindo cegamente a visão totalitária de seu líder, um bolsonarista determinado a sabotar o governo eleito.
Retomei o assunto porque é importante ressaltar o caráter farsesco das decisões do BC bolsonarista e seu líder, Campos Nero. Assim como o imperador incendiário de Roma, eles usam da retórica para inspirar delírios, fugindo completamente da realidade e contando com a conivência das vozes isentas do mercado. Enquanto isso, incendeiam as possibilidades de retomarmos os investimentos na economia real.
É um desastre que marca o início da queda, mas infelizmente, ocorre de forma lenta, lenta demais.
A chacina no Guarujá, em resposta à morte de um policial militar, foi e está sendo defendida com muita ênfase pelo governador paulista Tarcisio, assumindo riscos significativos ao fazê-lo.
Esses riscos se tornam evidentes à medida que chegam relatos das atrocidades, e o número de mortes continua aumentando, começando com 8, chegando a 10 e agora mencionando 19 vítimas. Além disso, surgem denúncias de abusos durante a operação, que foi deflagrada para capturar o assassino do policial militar, mas até o momento não obteve sucesso nessa missão. A resposta de retaliação pode acarretar consequências graves e atrair a atenção que, até então, os crescentes índices de mortes praticadas pela PM em São Paulo durante o atual governo não haviam recebido.
Tarcisio viu nesse acontecimento uma oportunidade para reposicionar-se no bolsonarismo, onde antes enfrentava críticas. Enquanto disputa com Zema a preferência para herdar os votos do ex-presidente, ambos abusando da retórica extremista, agora têm um fato relevante para incluir em suas balanças políticas.
Apesar de a princípio imaginarmos uma chance de reafirmar seu pendor fascista e tentar ganhar mais apoio no grupo extremista, Tarcisio pode ter se precipitado e colher mais frutos amargos do que benefícios nessa tragédia. A situação caminha para uma chacina desvairada, fria e cruel, e pode deixar o governador paulista em péssima companhia pelo resto de seu medíocre mandato até aqui.
Da mediocridade à associação com assassinatos, a chacina pode chancelar Tarcisio no campo extremista e afastar definitivamente o apoio do centro político que ele tentava cativar, fingindo civilidade que agora jogou completamente fora. Mostrou sua verdadeira face e agiu como alguém despreparado para um cargo político tão importante quanto o que exerce atualmente. Uma melhor percepção dos fascistas quanto à sua posição política, mas uma debandada de apoio do centro, não esta afastada.
Ele perde mais do que ganha, e ao fazermos esse tipo de inventário macabro, precisamos encarar a dura realidade sobre nós mesmos e o gosto do eleitorado. Pode agir com crueldade, pode matar pobres, pode enfrentar bandidos ou pessoas negras e pobres, mas não pode exagerar nem deixar isso repercutir.
É um escândalo mundial, e a política assassina do governador de São Paulo entrou no radar da opinião pública da pior maneira possível.
Um dia antes do retorno dos congressistas do recesso, com a consequente retomada dos trabalhos da confusa CPMI que apura as causas do dia 08/01, somos agraciados com um inquérito militar sobre o assalto da horda fascista a Brasília.
Onde, mais uma vez, nossos militares mostram do que são capazes de fazer.
Conseguem misturar e confundir responsabilidades, citam os comandantes indicados pelo ex-presidente e seus chefes; no caso do GSI, o General Heleno, que era quem indicava, e seus homens foram mantidos na transição pelo atual Ministro da Defesa. E deu no que deu.
Mistura-se porque cita os ex-comandantes, mas não deixa de dizer que faltou por parte do governo recém empossado planejamento e prevenção, que, segundo o inquérito, seriam capazes de evitar o desastre.
Nada é dito sobre os acampamentos nas portas dos quartéis em todo o Brasil, cheios de familiares deles próprios, fartamente divulgados nas redes sociais e de conhecimento geral. Nada é dito do acampamento em Brasília, na porta do Forte Apache, onde o tal inquérito foi escrito. Nada é falado sobre as proteções anteriores e posteriores promovidas pelo exército aos alucinados, inclusive ajudando e dando fuga; nada diz efetivamente sobre os fatos do dia 08/01.
O inquérito atual segue a inspiração de outros conhecidos e elaborados pelo exército: um que atribuiu suicídio ao jornalista Herzog e outro culpando a esquerda pelo atentado ao Riocentro. Em comum a esses desatinos, o fato de ocorrerem em momentos de desarticulação e meio desespero por parte dos militares, antes nos estertores da ditadura que esvaía, agora na derrota eleitoral do partido militar e do fascismo.
O inquérito atual soma-se aos dois anteriores, na categoria da infâmia nacional.
Mas deve servir para eles, de alguma maneira. Porque não pode ser atribuído somente à desfaçatez e total desprezo à verdade. Deve servir para reorientar a tropa, avisando que não entregam os pontos e protegem os seus, o tal do Cid incluído. E fazem mais um rolo para ao mesmo tempo ameaçar e esboçar uma defesa das acusações em andamento.
Não temos mais o que dizer deles, nem o que esperar, além de inquéritos do tipo. Agora é seguir promovendo as mudanças para prevenir outras intervenções no futuro, porque é disto que tratamos. A lei que afasta da ativa militares que entrem na política é o início, provavelmente a ser votada agora em agosto. A mudança no tal artigo 142 da constituição, aquele do poder moderador, é igualmente urgente.
A cabeça e o pensamento desta turma são casos perdidos. Só a força de um bom governo civil segura estes mentirosos.
Durante o regime militar, era permitida apenas a existência de 2 partidos: a situação e a oposição consentida. A oposição muitas vezes estava presa ou no exílio.
Em 1986, ocorreram as primeiras eleições legislativas sob a nova Constituição, que permitiu a formação de novos partidos.
O processo eleitoral, a partir de então, foi se fragmentando cada vez mais. A cada rodada, novas leis favoreciam coligações, acesso a recursos financeiros e propaganda eleitoral gratuita na TV e rádios, permitindo que pequenos partidos proliferassem abundantemente. Foi o período de ouro dos partidos de aluguel e dos donos de partidos.
Isso mudou em 2017 e 2019, quando as novas regras passaram a afetar a existência dos pequenos partidos, impondo cláusulas de barreira e acesso aos fundos partidários proporcionais ao desempenho nas urnas.
A queda no número de partidos foi enorme; em alguns estados, o número atual retornou ao patamar de 1990, e o mesmo ocorreu com a menor dispersão de votos nas cadeiras do Congresso.
Apesar do aparente progresso, uma intenção subjacente atravessa e estimula a atual legislação. O que se pretende é capturar a maioria mais facilmente e promover uma mudança profunda em nosso modelo institucional, transformando o presidente da República na Rainha da Inglaterra, enquanto o Congresso Nacional assume todo o poder, nomeando o Primeiro Ministro de entre os seus.
Não se fala em Parlamentarismo, porque em plebiscitos anteriores ninguém demonstrou interesse pela ideia. Então, disfarçam com um novo nome. Evidentemente, estamos tratando aqui do espírito pós-2016, quando o governo Dilma foi destituído pelo parlamento, que imaginou eternizar o feito.
O atual presidente da Câmara, Lira, ainda delira por coisas parecidas, sonhando com o comando nacional, imaginando-se sentado no trono.
E ele não escondeu isso.
Por enquanto, a tramóia descansa, ofuscada por um governo forte e competente, que o parlamento não conseguiu subjugar, apesar das inúmeras tentativas.
Diminuir o número de partidos e a fragmentação, apesar de ser uma boa iniciativa e melhor a médio prazo, precisa superar a atual fase de transição, porque o objetivo nunca foi melhorar a governabilidade ou facilitar a costura institucional. No entanto, como tantas outras manobras anteriores, pode servir a esse propósito sem necessariamente desfigurar o presidencialismo.
O novo semestre começa praticamente como terminou o anterior. As votações previstas nas casas legislativas tratam da conclusão das votações da nova âncora fiscal, da primeira parte da reforma tributária e do voto de qualidade no COAF. Decretos do governo durante o recesso entram na pauta, alguns sobre armas e punições para ataques a autoridades e ao estado de direito, devem provocar alguma discussão ou, mais provável, promover alguma negociação e compensação. E uma nova e leva de propostas de arrecadação, via Imposto de Renda, será enviada ainda em agosto, taxando rendimentos de fundos exclusivos para super ricos e taxação de apostas esportivas. Da aprovação desse conjunto de propostas dependerá novos cortes, ou não, para cumprir o orçamento de 2023, aquele com déficit de R$ 150 bilhões e, sobretudo, zerar o déficit do ano próximo.
A entrada do centrão no governo – que não existe, segundo Lula – encaminha-se com os acordos entre o PP e os Republicanos, Lira e Igreja Universal. Até o PL do ex [presidente] está na mira, se não como um todo – impossível – ao menos uma parte, estimada em 20 deputados. Com tudo isso, o número da bancada governista saltará para mais de 370 deputados, um número inimaginável há seis meses.
No Senado, o cenário é melhor do que a previsão do ano passado. O ex-presidente tinha nos senadores um grande projeto para cercar o STF e afastar um adversário da escalada fascista. Porém, para eles, tudo deu errado. Nos próximos dias, a atual presidente da corte será substituída por Barroso, que não é nada confiável, mas gosta menos do ex-presidente do que muitos de nós. Além disso, Pachecão continua sendo governista, não importando exatamente quem governa.
Outro fato importante é a reunião do COPOM do Banco Central, agora com dois novos diretores nomeados por Lula. A reunião começa no dia 1º de agosto, e no dia seguinte, a primeira redução dos juros mais altos do mundo é aguardada. Parece que teremos uma redução de 0,5%, para uma previsão anterior de 0,25%, atropelada por seguidas quedas da inflação, inclusive do tal núcleo de onde o bolsonarista Campos Nero alimentava o seu boicote ao crescimento do Brasil. Ele perdeu o núcleo e corre o risco de perder ainda mais apoio interno no Bacen.
Fechamos o segundo trimestre com uma expectativa de crescimento do PIB em torno de 0%. O semestre teve pouco mais de 2% de crescimento, impulsionado principalmente pelo primeiro trimestre e pelo agronegócio exportador.
O setor de serviços está lentamente em recuperação, até o momento mais por um certo otimismo do que por fundamentos. Esses continuam arrastados e se recuperando lentamente, assim como a massa salarial e novos contratos de trabalho, que estão ligeiramente superiores aos atuais. Tudo está crescendo e aumentando, mas de forma lenta.
Talvez seja o máximo que se possa fazer neste processo de reorganização ainda em andamento. A reação da velha mídia em atacar tudo que aparece pela frente mostra que o caminho está sendo pavimentado, e os opositores perceberam isso. O objetivo é enfraquecer o governo antes das eleições do próximo ano, pois a movimentação do eleitorado parece estar inclinando-se para os progressistas, principalmente nas cidades médias. Nas capitais, as batalhas serão muito duras, pois o centro tentará ressurgir apoiado pela mídia, enquanto a direita e a extrema direita estão em conflito e em crise. A esquerda pode colher e, ao mesmo tempo, plantar. Seguramente, sairá melhor das próximas eleições do que entrou.
Cada assunto merecerá sua avaliação no momento adequado.