Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, criticou o swap de US$ 20 bilhões do Tesouro americano para a Argentina. Ele afirma que o dinheiro não visa ajudar o país, mas sim resgatar as apostas fracassadas dos fundos próximos ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.
O New York Times sugere que o propósito do resgate argentino não é estabilizar a economia, mas ajudar fundos que têm títulos argentinos, que incluem BlackRock, Fidelity, Pimco e ex-colegas de Wall Street de Bessent, como Stanley Druckenmiller e Robert Citrone.
A promessa foi reforçada com promessas de mais US$ 20 bilhões por parte da iniciativa privada, com uma condição: o governo não pode perder a eleição de outubro.
Como essa condição é, a essa altura, improvável, com os índices de aprovação do governo em queda acentuada e rápida, essa condição caiu como uma bomba negativa na opinião pública nessa véspera eleitoral. O efeito foi amenizado em nova declaração, dessa vez com juras de apoio incondicional ao projeto Milei.
Esse vai e vem precisou ser reforçado e o governo Trump está, sim, comprando peso argentino à vista, sem divulgar o montante, tentando suportar o câmbio atual até as eleições, repetindo o histórico padrão nesses casos, quando a desvalorização real ultrapassa 20 a 30%, e, uma vez passadas as eleições, a desvalorização ocorrerá em qualquer resultado no pós-eleitoral.
Esse tipo de ocorrência costuma marcar administrações definitivamente; dificilmente, para não dizer que de forma nenhuma, o governo Milei se recuperará de uma desvalorização cambial represada para enganar eleitores, sobretudo porque a consequência se verá no custo dos alimentos e na volta da inflação.
Inflação que é, em primeira instância, o objetivo das administrações argentinas sucessivas, e seria a razão de todo sacrifício para sua contenção. O fracasso nesse combate significa tornar inúteis todos os sacrifícios impostos à população argentina e, a partir de agora, inaceitáveis para a maioria.
Os EUA vão, aos poucos, buscar interlocutores com a oposição e Milei vai ser deixado de lado, como acontece nesses casos. Provavelmente, sua administração acaba ainda neste mês e, dali em diante, é o salve-se quem puder, com dinheiro novo servindo para quem se aventurou a pular fora com os recursos que arriscou — como Krugman alerta, e não sem razão, por essa ser a prática comum nesses casos.
E o dinheiro novo vai embora, e fica mais dívida para manter o país no cabresto.
Todos sabem.
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Tem muita gente boa dando como certo que o governo exonerou 380 apadrinhados no governo federal indicados por deputados do Centrão que formam a base do governo.
Aquela móvel, vá lá.
Estou há dias tentando confirmar essas exonerações e não encontro confirmação.
A questão parece ter início nas falas do Presidente Lula, após aquela MP das Bets, Bancos e Bilionários caducar por falta de aprovação do Congresso no prazo limite. Lula disse que não iria implorar por apoio e que ficasse quem quisesse.
Dali em diante começaram a aparecer dois movimentos: um que ameaçava de exoneração os indicados pelos infiéis e um segundo que dizia que a representação da cobrança e manutenção dos recursos que seriam arrecadados iria voltar em breve.
De fato, pingam aqui e ali algumas exonerações, que até onde consegui apurar, não passaram de uma dezena.
E a tal lista dos nomeados, de onde entendo que surgiu o tal número astronômico de 380, apareceu em uma coluna do UOL três dias atrás como um levantamento de indicados por partidos, e não foi desmentida, mas esses números não foram confirmados nas demissões.
Curioso de onde foi que esse jornalista conseguiu essa lista, que todos repercutem sem duvidar e ainda afirmam que se tratam de exonerações que ninguém confirma. Mais, surge a informação que deputados do PT querem “dedurar” indicações do Centrão, mostrando, se ainda faltava alguma coisa, o quanto essa história está mal contada.
Ok, é uma operação que pode sim exonerar, está mandando avisos e promovendo a conta-gotas algumas demissões — umas dez confirmadas — de gente graúda do Centrão, até uns do PL, e abriu não a caixa de ferramentas, mas o balcão de negócios.
Que faz parte da relação do Executivo com sua base de apoio e da forma de preencher 10 mil cargos federais.
O movimento atende também a alguns propósitos: alinhar a base para o enfrentamento eleitoral no horizonte, dar uma satisfação àqueles que apoiam, manter o apoio e acomodar os novatos que parecem estar se achegando.
Lembrem que, apesar de perder a tal votação da MP das BBBs, o governo teve a seu favor quase 200 votos — acima da média de 130 que andava conseguindo nos embates anteriores, quando foi derrotado no plenário da Câmara.
Além das demissões, o Haddad avisa que entre 7 e 10 bilhões de reais em emendas ficam bloqueados para não comprometer o orçamento.
A novidade em tudo o que está acontecendo é a disposição do governo em enfrentar o Legislativo e, no mínimo, equilibrar as forças da relação, supondo — e a meu ver com razão — que tem condições, a partir de agora, com o Brasil deslanchando, a oposição sem candidato a presidente e Lula cada vez mais firme na reeleição, de repactuar a relação.
Tudo depende do resultado em 2026. Não basta somente reeleger Lula — como tantas e tantas vezes temos conversado — fazer uma bancada maior e ter mais gente disposta a ajudar o Brasil é decisivo.
Pode ser que estejamos para quebrar a maldição de Ulysses e a profecia de um Legislativo cada vez pior?
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Não estava difícil de prever, na verdade estamos tratando do assunto há mais de um ano, e agora, depois de muita relutância, a ficha da probabilidade crescente da reeleição vai se consolidando.
Outra verdade é que nunca surgiu adversário. Mesmo o chefe dos golpistas, com a caneta da Presidência e das verbas nas mãos — agora inelegível e a caminho da prisão —, perdeu. Nunca foi um adversário para ganhar, no máximo para manter as bancadas e fazer a disputa mais apertada.
Isso acabou. E, como afirmei em post anterior, estão em busca de um nome para ser lançado com vistas a 2030, e não é mais Tarcísio o preferido.
Querem virar a página do bolsonarismo.
Sabemos que, a essa altura do campeonato, quando pesquisas são super-relativas — números recentes mostram que 57% da população não se interessa ainda por eleição agora e 14% só vai fazê-lo na véspera —, o que teoricamente deixaria qualquer previsão sem sentido e todas as possibilidades abertas.
O que não é assim que funciona.
Primeiro, porque a inércia favorece quem já está no poder. Segundo, porque tendência é uma coisa séria em eleições: líder com números bons em pesquisas prévias e antecipadas não costumam virar — se nada extraordinário acontecer — e, sobretudo, em presidenciais, onde os 2 nomes mais carimbados disponíveis disputam.
Os demais fazem figuração, seguram bancadas e fazem planos futuros.
E dessa vez, tem tudo para se repetir, com Lula disparando na frente e, como eu tenho afirmado, chances de vencer pela primeira vez no primeiro turno.
Resta à oposição tentar lançar alguém para superar o bolsonarismo no médio prazo, e essa me parece a opção de momento para eles. E nem estão chamando de terceira via, talvez por ser expressão carimbada de derrota, mas retornam ao “outsider” um suposto alguém de fora da política para tudo resolver.
Vivem mudando, sim, mas por agora vão por aí.
Por fim o problema do “ já ganhou”, “salto alto”, coisas do gênero que nunca é bom abraçar. O fato é que estamos mais para “ já perdemos”, e a constatação vem do lado de lá.
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Podem se preparar: a turma do dinheiro e da mídia oligopolista está em busca de um terceiro nome para disputar a próxima eleição. Sim, novamente essa história.
O que significa que estão desistindo de Tarcísio, o governador de SP, perdido na necessidade de aguardar o chefe, porque até seus votos e reeleição em SP andam patinando.
Ainda estão insinuando, como fazem quando querem testar a viabilidade eleitoral de algum nome — sempre entre opositores ideológicos do petismo.
Repare que a busca não exclui nomes de políticos. A exigência seria de um nome equidistante entre as forças majoritárias — os “extremos”, segundo gostam de afirmar —, onde, supostamente, mora o equilíbrio e a sabedoria.
E eu sempre tento explicar que extremista é Bolsonaro. Lula e o PT são o centro brasileiro, a nossa social-democracia que a turma do dinheiro finge não reconhecer.
Porque são mais bolsonaristas do que admitem — só que são bolsonaristas sem Bolsonaro, precisam de alguém capaz de comer com talheres sem deixar cair a comida no chão.
Eu estou esperando o nome que eles vão inventar. Tenho cá minhas suspeitas entre Ratinho, do Paraná, e Leite, do Rio Grande do Sul. Mas alguma coisa sobre ambos ainda vai acontecer, e podem também estar perdendo o timing. Sim, de fato, ambos não seriam uma grande novidade, mas ensaiam seus discursos nessa direção — com Leite mais empenhado, dizendo nunca ter abraçado nem Lula nem Bolsonaro. Na verdade, quis, mas não foi abraçado pelo fascista. Ratinho joga parado e, de tanto nada fazer, pode estar perdendo o bonde.
Pode ser também o início de uma caminhada para 2030, jogando a toalha para Lula dessa vez e preparando terreno futuro.
E, nesse caso, Tarcísio é carta fora do baralho para essa turma — surpreendentemente, só contarem com ele agora e não depois.
E aí os motivos passam por uma busca de superação do bolsonarismo e sua herança.
Não existe nenhum mérito nessa ideia — ela sempre existiu. Manter as aparências sempre foi um propósito permanente, e Bolsonaro e sua turma não passam nesse exame de aparências: são toscos, mal-acabados e ignorantes demais.
Quem vem lá?
Não demora e saberemos.
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Quando Lula venceu sua primeira eleição em 2002, contra o PSDB de FHC, Serra, Alckmin e Aécio, a aposta do 1% era simples: o fracasso seria inevitável. Muitos davam como certa uma volta triunfal de Fernando Henrique. Mas o que se viu foi o exato oposto. O Brasil aprendeu, de forma concreta, que políticas públicas voltadas à maioria — e não aos mais ricos — fazem toda a diferença no desenvolvimento nacional e individual.
Políticas inéditas, como a valorização do salário mínimo, nunca haviam sido experimentadas antes. E até hoje são disputadas, mesmo com resultados amplamente reconhecidos. Investimentos em educação, saúde e inclusão social mudaram a vida real das pessoas. Tudo o que temos de mais sólido e justo no país começou a se construir a partir de 2002.
Antes disso, a prioridade era o “ajuste fiscal” e o chamado “tripé macroeconômico” — instrumentos que, embora importantes para a racionalidade administrativa, mantinham intactas as amarras da concentração de renda e o empobrecimento do povo.
Com Lula, aprendemos que justiça social e equilíbrio fiscal não são opostos. Podem, e devem, caminhar juntos como a melhor forma de tratar a coisa pública.
Os números confirmam: crescimento consistente do PIB, valorização dos salários, aumento da massa salarial, acúmulo de reservas internacionais e resultados fiscais positivos marcaram seus governos. E esses indicadores voltam a aparecer agora — com o fiscal sob controle, o câmbio estável, inflação moderada, reservas em alta e avanços em emprego, renda e redução das desigualdades. São fatos, não torcida.
Desafio qualquer um a apontar um indicador pior — seja em saúde, educação, criminalidade, emprego, renda, cultura, meio ambiente ou qualquer outro — quando se comparam os governos Lula aos demais. É um dado da realidade, incontestável.
Quer um exemplo?: O Brasil tinha só 9% de eleitores com ensino superior em 2002. Hoje esse índice está em 22%, alta de 145%. O país formou mais pessoas nesses 23 anos do que em todo o século XX.
Nos primeiros mandatos, a bolsa de valores brasileira viveu um salto inédito. Antes de 2002, sequer existiam apostas condizentes com o tamanho da economia nacional. Hoje, paradoxalmente, apesar de o mercado estar nos índices máximos, os investidores andam de lado: celebram derrotas do governo como boas notícias e veem vitórias como ameaças. Um comportamento que mais parece torcida do que análise.
São as mesmas vozes que, dia e noite, poluem o noticiário com a velha visão de mundo que prefere Paulo Guedes a Haddad, Bolsonaro a Lula. E nada parece fazê-los mudar de lado. Pois que fiquem. Mas que atrapalham, atrapalham.
Um dos fatores mais importantes da queda recente da inflação — especialmente nos alimentos — é o câmbio. Com o dólar mais baixo, toda a cadeia de preços recua: alimentos, combustíveis, gás. Mas, nas apostas do mercado, acontece o inverso. Quando o governo perde uma votação, o câmbio cai. Quando o governo tenta corrigir a decisão equivocada do Congresso, o câmbio sobe. Ou seja, quanto mais forte o governo, mais o mercado aposta contra o real.
Se Lula parece favorito à reeleição, eles não querem bolsa subindo nem dólar barato. Se acham que ele pode perder, comemoram dólar estável e euforia na bolsa. Mas, no fim, essa queda de braço tem sempre o mesmo desfecho: nada resiste a um país em crescimento.
Vale lembrar que, se atualizarmos os números da bolsa brasileira do período Lula pela inflação acumulada, o índice de hoje deveria estar em torno de 200 mil pontos — muito acima dos atuais 140 mil, tratados como recorde.
A maneira de conter essa turma, infelizmente, ainda é via juros. A manipulação do câmbio futuro é um desafio que o atual Banco Central não pode enfrentar diretamente, mas o tema está na pauta — como o próprio BC já reconheceu. Até lá, seguimos pagando juros altíssimos: um pedágio caríssimo para conter a fúria destrutiva dos ricos do Brasil. E é urgente criar mecanismos para sair dessa armadilha monetária que nos aprisiona há décadas.
Se alguém vai conseguir fazer isso, serão Lula, Haddad e Galípolo no Banco Central. Do outro lado, o cardápio é conhecido: privatizações, salários congelados, cortes na saúde, na educação, na cultura, juros nas alturas e desemprego — para sobrar mão de obra barata.
A escolha é nossa. E o dia está chegando.
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Inevitável especularmos sobre as razões visíveis e invisíveis que motivaram o pedido de aposentadoria antecipada do ministro Barroso no STF.
Me inclino a imaginar que ficou desconfortável com o fracasso da Lava Jato, o retorno triunfal de sua vítima inocente, Lula da Silva, e precisou engolir a presença decisiva do petista para enfrentar golpistas e fascistas.
Barroso, a propósito, sempre preferiu decisões e programas muito mais afeitos ao gosto de um liberal de quatro costados – seu caso – do que de um sindicalista que defende trabalhadores e direitos trabalhistas.
No fracasso da Lava Jato — lembrando que Barroso se esbaldou juntamente com Fachin na sustentação daquelas decisões fraudadas — e na sequência da vitória de Lula, a verdade é que o pavão perdeu seu lastro e o lustro: só falava para as paredes e precisou engolir o sucesso das políticas públicas e a defesa da democracia do presidente Lula.
E foi ficando cada vez mais apagado e sem influência, o que, para ele, é insuportável.
Não fará falta nenhuma e abre a vaga para gente muito mais capaz, com ideias e posições muito mais relevantes e progressistas.
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Na medida em que vamos nos aproximando das eleições, ou os próprios partidos, imprensa e governo se agitam em votações no Congresso e disputas sobre especulações de candidaturas, formação de alianças e a condenação de Bolsonaro, a população reage e vai igualmente buscando posição, que se reflete nas pesquisas.
Sempre me reservo nas análises eleitorais quando ainda falta mais de um ano para a eleição, por conta do desinteresse da maioria em definir preferências antecipadamente, como nunca cansa de repetir Marcos Coimbra. E se a cada rodada a preferência pela reeleição de Lula vai se configurando, para mim não é surpresa, e minha aposta segue na vitória em primeiro turno.
Até porque nem adversário ele tem, e os nomes que circulam por aí são os mais fracos que ele enfrentou na vida.
Na verdade, seu adversário sempre foi o antipetismo, mas ele chegou próximo de uma vitória em primeiro turno uma vez e pode estar muito mais próximo em 2026.
De uns tempos para cá, tudo que acontece em torno das decisões do governo e do Congresso precisa ser analisado e entendido por esse prisma. Cada um vai procurar limpar seus compromissos, sejam eles quais forem, para se reapresentarem sem pendências com seus respectivos eleitores e renovar compromissos e promessas. E, por parte do Executivo, após a aprovação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, estão surgindo novas ideias, como o fim da jornada 6×1 e a gratuidade do transporte coletivo, que mais parecem plataformas eleitorais para depois de 2026 e servem para não deixar a oposição pautar o debate.
Até porque ideias não são exatamente o forte dessa gente.
Caminhamos para um período de definições de candidaturas e alianças, e as pesquisas servem para firmar convicções e apostas, e cada vez mais a força do presidente Lula vai se fazendo sentir e influenciar decisões.
O objetivo do post é esse: estimular a leitura de todos os fatos na direção da eleição e dos eleitores.
E tudo fica claro.
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“Câmara derruba MP de Lula que previa tributação de títulos de renda fixa e aumentava a taxação sobre bets. Governo estima rombo de R$ 42 bilhões no Orçamento do ano que vem.”
“MP 1303 não cria novos impostos, ela cumpre o compromisso do presidente Lula de tributar o andar de cima: bancos, juros sobre capital próprio, fintechs e as bets que movimentam fortunas. A proposta enfrenta os privilégios dos super-ricos e fecha brechas usadas por quem lucra sem contribuir com o país.”
“Ficou claro que a pequena parcela muito rica do país não admite que seus privilégios sejam tocados. Não querem pagar impostos como a maioria dos cidadãos. E não querem que o governo tenha recursos para investir em políticas para a população.”
Os três parágrafos anteriores foram recolhidos das redes sociais, aleatoriamente, deixando clara uma posição contrária e consciente do que aconteceu na Câmara ontem à noite, com a recusa da oposição em votar a MP do governo que taxava os BBBs — Bets, Bancos e Bilionários — fazendo com que a validade da MP perdesse valor.
A possibilidade de uma nova MP sobre o tema, com mudanças aqui e ali, é grande, uma vez que recusa de votar não é rejeição, abrindo portas para retorno obedecendo normas regimentais.
Deve ser por aí a decisão do governo sobre a questão, que envolve 17 bilhões de reais para 2025 e 30 bilhões para 2026, mantendo o equilíbrio fiscal e seguindo na busca de maior justiça tributária, obrigando quem não paga ou paga pouco a contribuir mais.
As falas de colocar povo na rua me pareceram exageradas e nem deveriam ser banalizadas a essa altura do campeonato, mas mostram o que de fato esteve por trás do ocorrido, porque a oposição mira o governo de olho nas eleições.
O título que usei remete-se ao placar final da votação — 250 x 200, aproximadamente — mostrando que, apesar de perder numericamente, o governo vem crescendo em apoios dentro do Congresso e dividindo cada vez mais a oposição, que segue sem candidato para disputar em 2026 e sem programa.
Passa a valer a sobrevivência política de cada um dos congressistas, como temos muitas vezes observado.
O cuidado tem sido tanto para não desagradar eleitores que ninguém quis deixar registrado o nome no feito de ontem. Tanto os deputados quanto Tarcísio de Freitas tentaram, com manobras, evitar aparecer protegendo ricos e sonegadores. Tarcísio negou participação, mas todos sabem que mente, e o centrão manobrou para evitar a votação aberta da matéria, votando a retirada da pauta e assim deixando a medida sem validade por ser o último dia para apreciação.
O governo sentiu o bom momento, nas circunstâncias que tentei explicitar, e reage de forma distinta das outras vezes, apontando culpados e interesses, e aceitando a briga intempestiva do pleito eleitoral.
De certa forma, a principal vitrine do ano — a isenção do IR para quem ganha até 5 mil mensais — está garantida, e daqui em diante tudo é lucro e vale carimbar interesses, porque ano que vem vai valer ouro saber quem é quem.
Por isso, alguns fogem e outros se atiram.
E o recado é que cada vez mais o governo impõe suas pautas e, quem sabe, consegue fazer bancada mais favorável numericamente no ano que vem?
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O título é evidentemente uma provocação, mas, como toda boa, tem um fundo de verdade.
O telefonema entre Lula e Trump de ontem pegou, novamente, o mundo de surpresa. Os relatos de apreços mútuos prosseguiram e cobriram o bolsonarismo de indelével derrota.
Se insistem na votação de anistia é porque não têm nada mais a fazer, senão tumultuar, cada vez com menor sucesso. E a Câmara seguir na pauta da dosimetria parece mais tentar virar de vez a página — não sem antes pescar votos no bolsonarismo.
Telefonemas entre presidentes não acontecem para resolver nada, mas para início de relacionamentos futuros ou conclusão de algum acordo. A verdadeira disputa acontece entre ministros e secretários, embaixadores, até chegar a algum termo — ou nenhum, a ver.
A indicação do nazista Rubio para seguir nas tratativas com o Brasil foi comemorada pelos bolsonaristas, que, por sinal, foram deixados totalmente no escuro — antes, durante e provavelmente depois do telefonema. Mas a comemoração não faz o menor sentido, porque, segundo avaliação do governo brasileiro, Rubio vai fazer o que Trump definir, não o contrário.
A aproximação entre Lula e Trump, entretanto, revela outro personagem que dizem ser o rival de Rubio nas decisões de Trump: Richard Grenell, que seria o rival interno de Rubio e responsável pela aproximação com o Brasil.
Mais pragmático e menos ideológico que Rubio, dizem atuar também para negociar com a Venezuela o fim de sanções e o encaminhamento de acordos.
O que, se for verdade — e parece ser —, apesar da escolha de Rubio para seguir nas tratativas com o Brasil, o fato é que os vazamentos e as influências nunca acontecem por acaso e podem indicar que Trump percebe seu isolamento e começa a se deslocar para o mundo real, com menos ideologia no comércio, ao menos.
A ver.
Em todo caso, ficamos avisados das possibilidades e aguardamos o desfecho.
Além de tudo, o assunto anistia, prisão e Bolsonaro não entrou na conversa entre os dois presidentes — até onde sabemos. E sabemos que Lula, além do fim das tarifas, incluiu o fim das sanções de autoridades brasileiras nas conversas.
A proximidade da prisão de Bolsonaro será o teste dessas conversações: se os EUA e Trump insistem em interferir e usar tarifas como ataques ao Brasil, ou se vão — como estamos fazendo — virar de vez essa página e deixar a Justiça cuidar dos criminosos e seus crimes.
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Primeiro vamos colocar as coisas no seu devido lugar. Quando um time ia enfrentar o Santos do Pelé ou a Seleção Brasileira de 1970, a maior preocupação não era a grama, nem a torcida e muito menos o uniforme. Sabia que ia enfrentar os melhores e que a probabilidade era de perder.
Esse é o pensamento da direita brasileira para 2026: sabe que vai perder.
Não adianta os jornais e analistas insistirem que as estratégias da direita erraram aqui e ali, e com os erros o governo recupera seus índices de aprovação — a propósito, crescentes. Na verdade, eles tentam de todas as maneiras superar um adversário superior e arriscam tudo, no que o governo aproveita não porque erraram os adversários, mas porque o governo acerta nas respostas e na condução dos desafios.
Dito isso, vamos observar como andam as movimentações dos adversários nessa ótica — de quem sabe que vai perder porque enfrenta o melhor.
O nome óbvio seria o governador de SP, Tarcísio de Freitas, que, segundo dizem, aguarda ser ungido pelo chefe Bolsonaro para disputar a presidência. E aí começam os dilemas. A estratégia do Bolsonaro copia a de Lula em 2018, e aqui temos uma primeira questão: o PT perdeu feio em 2018 com essa estratégia de inscrever Lula, impedido de concorrer; protelou até receber a negativa oficial do TSE e só depois definiu pela candidatura de Haddad. Foi para perder e perdeu. Então Bolsonaro imita essa estratégia por qual razão? Porque ela manteve Lula protagonista no cenário político e ele não deixou de ser relevante, mesmo nas mais adversas das condições. Então Bolsonaro não quer somente insistir na impossível candidatura, mas no legado — e aí ele sabe que Lula obteve a vitória.
O caso dele é distinto, mas a aposta segue a mesma.
Voltamos ao dilema de Tarcísio: se ele sabe que vai perder se disputar com Lula, e sabe que é favorito para reeleição em SP, o ganho para disputar — e mesmo assim perder para Lula — só faz sentido para ele se fosse para garantir o legado e o comando da direita sem Bolsonaro no futuro. O sacrifício de agora teria que compensar para frente, assumindo a liderança da direita oposicionista brasileira. E vai? Os filhos e mesmo Bolsonaro vão permitir? A resposta claramente é negativa.
O que se impõe a Tarcísio, e daí a sua dúvida, é: para que me serve esse sacrifício?
Para nada, falemos abertamente.
A fragmentação e as brigas internas nos partidos do Centrão, batendo cabeças e cada vez mais divididos nas definições para a disputa em 2026, são a mostra de que sabem estar enfrentando adversário superior, com quem a derrota é quase certa — e não adianta ignorar a realidade. Trata-se da própria sobrevivência política de grupos e indivíduos, eles também mestres na arte da política. De MG para cima, quem se opor ao presidente Lula está correndo sérios riscos de perder a eleição. De MG para baixo, vamos ter disputas duras em quase todos os estados. Esse é o cenário.
Disse aqui em outro post que queria ver Lula eleito no primeiro turno, na sua última disputa. Seria um reconhecimento à sua história — e existe grande probabilidade de acontecer, pela primeira vez para ele.
Agora estão falando na chapa Tarcísio e algum Bolsonaro de vice — falam de Flávio, de Eduardo e de Michelle. Ou seja, qualquer um.
Por um lado, se pretende puxar os votos com o sobrenome, mas — e aí está o ponto — assegurar o legado para a família, mesmo com a derrota. O que, como apontamos, não interessa a Tarcísio.
Para ele, o melhor é assegurar sua reeleição em SP, que também vai cambaleando a cada indecisão dele, e tentar depois em 2030, depois que Pelé aposentou e Tostão lidera a seleção. O que, mais pra frente falaremos, também não é pouca coisa, de jeito nenhum. Mas não enfrentará mais o Pelé — e então a coisa pode mudar.
Dizem que seguimos nesse dilema até o fim do ano, mas o prazo de inscrição dos candidatos é abril e, depois, se o Jair mantiver a estratégia, vamos até o meio do ano que vem na indecisão dos nomes.
Esse é o cenário desenhado, onde a conhecida resistência ao PT assegura 30% dos votos a qualquer opositor — insuficiente para evitar a vitória do petista.
Para as bancadas da direita, esses 30% asseguram a eleição ou reeleição da maioria deles, sobretudo os caciques; daí o fato de não abrirem mão de um cabeça de chave, seja quem for — e sabendo que vai perder. E temos alguns nomes de governadores prontos para o papel, porque não têm mais nada a perder, sem a possibilidade pessoal de reeleição para terceiros mandatos: Caiado, Ratinho, Leite e Zema. Um rol de futuros derrotados, mas dispostos a assumir a oposição ao futuro governo Lula mirando 2030.
Acho que mostrei as razões das dúvidas dos personagens e objetivos. Agora é aguardar para confirmar com os fatos quem vem para o sacrifício, quem disputa legados e quem arrisca tudo para ver o que sobra.
Eu continuo apostando na vitória no primeiro turno do Lula e crescimento das bancadas progressistas.
O grande adversário é o partido da internet, que vai jogar sujo como nunca jogou, e o adversário de sempre, o PIG, que vai tentar emplacar um novo mensalão, uma Lava Jato etc, porque tempo para inventar um novo caçador de marajás eles não têm mais.
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