
Não dá para comentar o encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro no pretenso debate na Band. Não tivemos um debate. E a Band não é um lugar onde o jornalismo é levado a sério.
Prefiro ficar com as declarações do adversário só no dia de ontem, porque alguns perdigotos escaparam, e aprofundar no significado tem importância.
Sem deixar de lembrar que o próprio candidato da oposição prometeu de seis meses a um ano de carência para pagamentos de boletos por pessoas e empresas endividadas, parando a economia nacional e promovendo calote de trilhão. A ideia é tão absurda que não mereceu nenhum destaque da chamada mídia econômica especializada, tão preocupada com o destino do Brasil, mostrando a que lado servem e a seletividade de suas análises.
Outro ponto relevante foi a fala da suposta porta-voz econômica da candidatura oposicionista, informando que o Bolsa Família terá validade de dois anos para cada pessoa. A forma da transição não ficou clara, o próprio candidato desmentiu alguma coisa e apagou suas manifestações conhecidas sobre o tema, que chamava sempre de bolsa farelo.
Finalmente, ontem informou ao distinto público que os proprietários de terras terão total autonomia para fazer o que quiserem. O significado desse disparate equivale ao do calote prometido na Band, porque imagine um curso de água, uma nascente, um córrego que passa por sua propriedade e você resolve interromper o fluxo natural da água para seu uso exclusivo? Voltamos assim aos tempos dos coronéis, dos jagunços, da força e da imposição violenta. Porque só na bala e na violência para alguém aceitar ficar sem fornecimento de água passivamente.
Sequência de um aloprado sem receber a devida atenção.
Ou porque é reconhecidamente um cretino que não merece crédito ou porque a nossa imprensa não passa de celeiro de matérias pré-aprovadas pelo dinheiro.
Vorcaro que o diga.
Ah, a virada vem por outros motivos, porque o povo tomou a campanha para si, nada a ver com as alopradas com que ninguém do lado de lá parece se importar.