É bom recordar como foram as comemorações da pátria no desgoverno anterior, mal e porcamente reproduzidas ontem na Avenida Paulista, diante de um público pequeno de 28 mil testemunhas, embora repetindo a ladainha fascista de então.
Ninguém ali se importa com o Brasil e os brasileiros, com soberania, crescimento da economia e nem com o futuro das terras raras e do petróleo recém-descoberto. Entregam tudo de bandeja ou em troca de uma comissão. E nós não podemos abandonar essa pauta de discutir nosso futuro, e não essa policial onde eles navegam eleição após eleição.
Importante observar o quanto o ministro Mendonça e sua pregação diabólica contribuíram para reavivar certos instintos adormecidos daquela gente, animados com a renovada fúria destruidora que andava contida.
E contando com o apoio da nossa imprensa corporativa entreguista e fascistoide, preocupada com a possibilidade de vitória do Lula no primeiro turno.
Possibilidade que, de fato, está muito mais afastada depois da ascensão do escritor de besteirol milionário, que ao obter entre 8% e 10% do eleitorado no primeiro turno joga a eleição para decisão no segundo.
A coisa caminhava para um plebiscito entre Lula e Flávio Bolsonaro, e essa aparição embolou o jogo, dividindo votos.
Sobre o segundo turno, as pesquisas da semana mostram empate, quando sempre se imaginou uma disputa acirrada. Com vantagem para Lula, analisando os aspectos gerais como aprovação do governo, rejeição do Flávio e opção de segundo voto, com Flávio em 17% e Lula com 10%, sobre um universo de cerca de 25% dos que não votaram em nenhum dos dois no primeiro turno. Considerando números históricos de 20% de abstenção e nulos e brancos, no mínimo, estamos muito próximos de uma vitória apertada do presidente, seguindo como favorito.
Enquanto isso, a imprensa segue batendo e sabemos que, nas franjas, tamanho barulho move alguns pontos — e parece ter sido o caso.
Segundo Fernando Haddad explicou: “se Lula é socialista, a elite endinheirada é democrata; se Lula for democrata, eles são liberais; e se for liberal, eles são fascistas.”
O tempo para efeitos está se esgotando a caminho da reta final, e as fichas começam a ser deslocadas para a disputa no segundo turno — mas não é uma nova eleição, e sim uma etapa com características próprias na condução.
É onde a comparação faz mais efeito e onde o eleitor fica mais focado.
Então, lembrando que, apesar dos pesares e do empate, Flavinho nunca aparece na frente e seu eleitorado fiel está ligeiramente inferior ao do presidente.
Essas e outras observações mantêm o favoritismo nas mãos do presidente.
Uma última observação sobre as notícias da manhã, dando conta da decisão do ministro Mendonça de afastar o chefe da Polícia Federal e dar um passo decisivo para aprofundar a crise. A decisão reintroduz o lavajatismo extremado e segue no tudo ou nada para eleger Flavinho. A bola me parece agora estar com Lula, seu advogado da presidência, Messias, e com a PGR. Fachin deveria intervir e colocar tudo para o plenário decidir de uma vez, mas me parece que ainda não entendeu — ou não quis, por sua tendência à Lava Jato — o tamanho da urgência e o quanto conter Mendonça importa.
O alvo é a eleição e depois o Lula.
Novamente.
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