Piromaníaco solto no STF.

Primeiro quero dizer que o ministro terrivelmente evangélico, ao acender a fogueira no plenário do STF, o fez tomado de uma convicção: ou Flavinho ganha essa eleição ou eu me mando daqui.

Semana passada, em entrevistas, se queixou do salário e de seus anos de infelicidade na Corte. Preparou o ambiente para depois acender as piras.

Ele requentou o assunto Moraes, esposa, contrato, incluiu o PGR Gonet e o chefe da PF no incêndio, movimentando peças demais para seu pouco jogo e, ao iniciar esse incêndio, vai ser o mais queimado logo ali na frente.

Não vou responder acusações e ilações sobre ministros muito mais capazes e sabidos do que eu para fazê-lo; reafirmo que estamos de frente a um esquema lavajatista de policiais federais e um ministro alucinado diante da derrota e do isolamento dele mesmo e de seu candidato.

No desespero, chutou o balde e iniciou uma crise onde vai ser ele o mais atingido.

Por quê?

Porque é escandalosamente a favor dos fascistas, protege os podres da família e conduziu seu ministério com crescente parcialidade. E porque está cheio de convênios milionários com prefeituras e governos do PL, e o rabo comprido de fora está visível e disponível para quem quiser procurar.

Também aí, com seu ineditismo em matéria de atacar investigando ilegalmente ministros do STF para proteger seu candidato, não passa despercebido.

O governo não tem nada com isso: foco no Flavinho e mais uma revelação — mais um vazamento — de outra parcela generosa de Vorcaro ao salário-família milionária dos Bolsonaros, e a investigação parada pelo ministro bolsonarista agora corre o risco de voltar a andar.

E, como suposto, a PGR, em parecer sucinto e direto, mandou jogar toda essa investigação no lixo.

Vai para as mãos do Fachin, aquele “que é nosso”, como presidente do STF no momento, a decidir. Ele pode escolher abafar o fogo do Mendonça ou jogar gasolina na fogueira.

E, enquanto vou escrevendo o texto, vão chegando novas e eletrizantes atualizações: que Moraes aceita a análise em plenário do caso dele, até porque está seguro da maioria para derrubar a investigação fraudulenta, que, em todo caso, e por outras mãos, deve ser feita e apurar esses fatos com transparência e responsabilidade.

E a coisa está virando contra Mendonça, na sequência das revelações do dia, envolvendo o ministro: esse sim admitindo um encontro com Vorcaro no STF, e já tem mais vazamento comprovando ao menos mais um encontro em SP, no instituto do próprio Mendonça, que durou duas horas. E que esse advogado do Vorcaro, grampeado marcando encontro entre ele e Mendonça, é amigo pessoal do ministro e um lobista de sua indicação ao STF pelo Bolsonaro.

Então a coisa está apenas começando, e veremos o que veremos.

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