
Esse fim de semana mostrou, com o lançamento das candidaturas a presidente, que a diferença entre os dois principais postulantes está marcada desde suas origens.
Assim, tanto Lula retorna para o estádio da Vila Euclides, onde foram realizadas as assembleias dos metalúrgicos em greve contra a fome e a miséria da exploração laboral promovida pelo empresariado nacional, acobertado pela ditadura, Flavinho se apresenta para seu público carioca na praia decadente de Copacabana, onde moram viúvas da ditadura e uma classe média alta perdida no tempo.
O contraste entre os dois vai muito além da estética e de lugares, e das bandeiras do Brasil na Vila e dos EUA na praia, e acho até ofensivo tentar comparar as duas histórias de vida e de política.
Por isso não o farei.
Para esse post me interessou o entusiasmo de um lado e o desânimo do outro. Para além da diferença de públicos e discursos, havia uma vitória e uma derrota no ar.
Mas as pesquisas não mostram isso em sua maioria, senão uma diferença na margem de erro e vantagem para Lula de cerca de 3% no segundo turno.
E uma vitória no primeiro turno cada vez mais improvável.
Quem me acompanha aqui sabe que sempre acreditei na vitória em primeiro turno, considerando ser Flavinho Bolsonarinho o mais fraco adversário de Lula de todas as suas disputas anteriores. Mas não vamos brigar com as pesquisas, senão acompanhar com otimismo, até porque a campanha começou ontem e a desconstrução do candidato do fascismo tem tudo para acontecer.
O desânimo de Copacabana indica isso.
Vi em algum lugar que o antipetismo é tudo que resta para a oposição tentar alguma coisa. E se não pode ser desprezada essa fruta podre plantada e colhida pela imprensa e pelas classes econômicas favorecidas anos e anos, verdade é que ela não é mais suficiente para derrotar o Lula como fez no passado.
Ficamos com as imagens e os discursos e o entusiasmo dessa caminhada até outubro por enquanto, e não poucas coisas.
Porque parece que, para além de números às vezes melhores e às vezes piores, desde a largada a expectativa sobre o resultado está clara.
Tem quem ache um erro e chama de salto alto admitir isso, pode ser um pouco, pode ser até perigoso, mas inevitável, a meu ver.
Porque construímos durante quase 50 anos o que foi visto nesse último final de semana e seguir acreditando nessa crença e no futuro que ela ainda representa, mesmo depois de décadas, é forte demais para ser tratado como padrão de conduta eleitoral. Porque está muito além disso e quem sabe e consegue distinguir está justificado por uma vida inteira de semeaduras adversas e difíceis e depois colheitas fartas para o país e seu povo.
E vamos a mais uma.
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Uma resposta para “Vila Euclides x Copacabana.”
Deus abençoe e proteja nosso presidente.
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