
Aquele neto de ex-ditador cujo sobrenome é Figueiredo, dispensando apresentações, no alto do seu desespero com as seguidas derrapadas do seu candidato, assumiu hoje seus desejos mais profundos e deixou escapar que o problema da campanha do Flavinho Bolsonarinho é que as mulheres não sabem votar.
Me lembrei da época em que analfabeto não votava (só depois de 1989), e da recente declaração do dirigente da Federação da Indústria de SP, pregando a anulação do direito de voto para quem recebe Bolsa Família.
Para esse último, eu me pergunto se industrial ladrão e sonegador pode continuar votando, se crime de colarinho branco cancela o direito de votar.
Seriam inúmeros os empecilhos para o exercício da cidadania na hipótese de escolhermos esse caminho.
Que nem é novo ou inédito no Brasil, que conviveu na República com eleições decididas no bico da pena.
Imagino a saudade que essa gente sente dessa época.
Mas ela passou, e as mulheres (desde 1934) e todos nós podemos votar; aliás, somos obrigados a fazê-lo. E elas sabem escolher com critério e cuidado, melhor que os homens.
Todos fazemos com gosto quando derrotamos fascistas e energúmenos que nada têm a oferecer ao país, além de querer conservar as condições em que se sentem autorizados a proferir tamanhas sandices.
Essa onda ainda vai longe, sabemos, mas de tsunami vira marolinha, e a vida segue com nosso Lula no comando.
Sobre a declaração do Paulo Figueiredo, vamos aguardar a reação do eleitorado feminino, porque, mesmo com a maioria das mulheres optando pelo voto no Lula, a turma fascistoide não se cansa de atacar quando seus pensamentos intrusivos não são contidos e, ao revelarem a verdade interior que os move, afastam as mais conscientes e só fazem crescer o bolo da grande vitória no horizonte.
O avô do rapaz não gostava de gente; o neto só não gosta de mulheres.
A foto histórica que ilustra o post mostra a menina recusando cumprimentar o general-presidente Figueiredo.
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