Estamos acompanhando as seguidas negativas da PGR e da PF em aceitar a delação do banqueiro bandido Vorcaro. Duas tentativas, com trocas de advogados, foram recusadas e prometem uma terceira que não começou bem: o retorno do criminoso para a Papudinha, saindo da cela reservada na PF, indica o quanto as conversas não avançam.
Poderíamos discutir a estratégia lava-jatista de investigação seletiva, poupando os conhecidos parceiros, provados ou na participação direta do sustento do banco Master ou nas articulações políticas, sem falar naqueles pedindo e lavando milhões das mais diversas formas. Esses o ministro terrivelmente bolsonarista não investiga, ocupado em esconder e apontar outros caminhos para o processo.
Aí temos as delações que, de início, apresentam uma barreira, a meu ver, insuperável: Vorcaro não tem a quem passar responsabilidades. Sendo ele o chefe da operação, a quem atribuir os crimes cometidos? E, com seus vários celulares comprovando a série de crimes e relações criminosas dele próprio e de vários personagens, ele fica sem ter o que entregar.
Claro que sua palavra, assumindo os crimes e explicando o mecanismo de funcionamento da orcrim, teria enorme importância e permitiria resultados muito mais seguros e rápidos para a Justiça. Mas, aparentemente, o banqueiro bandido, por várias razões fundamentadas no histórico de punições de milionários, vai tentar levar sem nada assumir e não entregar nada além do que seus celulares já revelam.
Aí ficamos nesse lenga-lenga.
Como não faltam escândalos financeiros e políticos, só ontem tivemos o retorno do caso criminoso das Americanas, com dois bilionários envolvidos e voltando ao noticiário; o vídeo da madrasta do Flavinho Bolsonarinho; e a recusa da delação do ex-presidente do BRB. Então, a aposta no esquecimento também faz parte do cenário nacional nesses casos de colarinho branco.
Isso tudo e a entrega, ontem, do processo dos recursos para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida idealizada do chefe da familícia Bolsonaro, ficou mesmo nas mãos do terrivelmente parcial Mendonça e, assim, se garante que nada avança e nada se apura no caso.
Por enquanto. Porque, sobre esse filme, a coisa vai voltar depois das eleições.
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