
O resultado eleitoral na Colômbia ainda carece de confirmação do órgão eleitoral responsável pela contagem, até então anunciada, de vitória do extremista de direita por margem inferior a 1%, números divulgados por aquilo que por lá é chamado de contagem rápida.
Importa também observar que a esquerda colombiana se organizou bem nas ruas, mas simplesmente não tinha uma coordenação de campanha de rede social até… 3 semanas atrás
Supondo que seja confirmada, temos dois países que estão sendo assumidos nas últimas semanas, em eleições diretas, pela extrema direita: Peru e Colômbia.
E no Peru a diferença foi mínima, não chegando a 1% dos votos.
Primeiro, é importante reconhecer o retorno da direita, no caso a extrema direita, em ambos os países, e isso merece reflexão.
Mas é igualmente importante observar o quanto as eleições estão parelhas e nem de longe significam que esses eleitos têm carta branca para impor qualquer coisa nos seus países. Temos o exemplo do Chile também, onde a direita venceu e tenta impor programas que recebem cada vez maior resistência, a ponto da aprovação do recém-eleito despencar. Sem falar na Bolívia, na mesma situação e com estado de sítio decretado para o extremista tentar impor seus programas.
Então, a questão da viabilidade de extremistas governarem do jeito que querem, impondo seus retrocessos, não tem espaço na América Latina dividida. E quanto mais esforço e repressão forem empregados para impor mudanças desse tipo, maiores serão os protestos e piores os resultados de governos que agem com esse norte negativo.
Da mesma forma enxergamos o nosso pleito e seu resultado. A vitória de Lula não significa carta branca, e o sucesso de seus governos está exatamente em reconhecer o tamanho de suas vitórias e a eleição do diálogo e da negociação como modo prioritário de condução da administração.
Quem define o rumo de um país é o eleitor. Ao dividir seu voto praticamente no meio, está mandando um recado a todos que precisa ser observado, se algum sucesso se pretende alcançar.
Os extremistas agem como se pudessem atropelar tudo e todos, e muito do seu fracasso está nesse ímpeto equivocado. E os exemplos que citei, incluindo a Argentina, provam o quanto radicalizar programas, impondo ideologia e não um governo racional, afeta negativamente os resultados e não conseguem se manter sem cada vez mais violência, que chama mais fracasso até o fim implacável com a derrota na próxima eleição.
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