
O editorial do Estadão merece registro, apesar dos pesares.
Porque a motivação não está na condenação da candidatura flavinho bolsonarista fascista em si, mas na impossibilidade deles escolherem candidatos viáveis e sonham com a falsa terceira via, aquela que destrói as conquistas sociais sorrindo.
O desespero da direita não diminui. Na votação consagradora, quando aprovaram o fim da escala 6×1 com mais de 470 votos, pressionando o Senado para repetir a façanha, evidentemente, para atingir tal aprovação, as bancadas de todos os partidos precisaram votar a favor, mostrando a rasteira ideológica que o governo aplicou com a iniciativa. E, excluído o PL fascista, que também votou a favor do fim do 6×1, a aprovação com tamanha margem, em matéria de apelo social tão relevante e até então inatingível, mostra que temos espaço para negociar no Congresso, mesmo com conservadores.
Porque podemos pensar além da disputa eleitoral, evidente nos cálculos, mas ultrapassada por decisões coletivas dessa monta, perenes e de impacto para lá de relevante: histórico.
A verdade é que a oposição está desistindo de disputar a Presidência. Sem candidatos com um mínimo de condição para fazer frente ao presidente Lula, se desmancham em acordos partidários que buscam manter posições de seus chefes e fazer bancadas. Mesmo a candidatura bolsonarista, como repeti inúmeras vezes, nunca vislumbrou a vitória, mas manter o legado do chefe preso nas mãos da familícia. O crescimento da candidatura chegou a enganar alguns mais afoitos, mas o tempo se encarregou de colocar as coisas no lugar, e a campanha nem começou.
A aproximação de Caiado e Zema é mais um exemplo do desespero. A tese de Caiado sempre foi pulverizar os votos no maior número de candidatos possíveis em primeiro turno, evitando a polarização e a vitória de Lula. Segundo afirmava, qualquer um da direita que passasse para o segundo turno venceria Lula. Os fatos não acompanharam o chute do velho líder da UDR e ele mesmo se vê na necessidade de criar fatos para tentar manter a própria sobrevivência. Quem não gostou da nova ideia foi o partido dele, o PSD, que na marra decidiu nomear Kassab para vice na chapa com Caiado e encerrar essa conversa com Zema. Evidente que na decisão não entra nem uma sombra de disputar a Presidência com Lula, mas de preservar os caciques e as bancadas, e nada mais. Caiado é recém-chegado no PSD e estão mostrando para ele quem manda.
A pressa é tanta que prometem indicar Kassab ainda neste sábado e nem vão esperar a volta de Portugal do nomeado.
Por que tanta pressa?
Não sabemos, mas fica claro o quanto as cabeças andam trombando por aí.
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