IDHM inédito e a razão de nossas escolhas.

Os dados consolidados do PNUD desenham com precisão o tamanho do fosso cavado pela gestão anterior, evidenciando como o Brasil empobreceu em termos de bem-estar e despencou de forma contínua no ranking mundial de nações. Tendo como ponto de partida o ano de 2018 (período pré-Bolsonaro), quando o país ostentava um IDH de 0,762 na 79ª posição global, o primeiro ano de mandato, em 2019, já acendeu um sinal de alerta ao registrar uma perda imediata de cinco posições, jogando o país para o 84º lugar com um índice estagnado em 0,764. Nos anos seguintes, o tombo nominal tornou-se inevitável: em 2020, o indicador recuou para 0,758 mantendo a mesma colocação e, em 2021, sofreu o segundo recuo consecutivo ao atingir o piso de 0,754, fazendo o país amargar a 87ª posição. Ao final do ciclo, no ano de transição em 2022, embora o índice tenha ensaiado uma reação isolada para 0,760 (posteriormente ajustado retroativamente pelo Radar IDHM para 0,788), a inércia do desmonte bolsonarista consolidou a pior marca histórica do Brasil no ranking da ONU, empurrando a nação para a incômoda 89ª colocação mundial.

Os três pilares da tragédia bolsonarista

A derrocada do IDH no governo anterior operou por meio de um ataque sistemático às bases que sustentam o índice: longevidade, renda e educação.

Encolhimento da vida (Saúde)

O factor mais brutal para o tombo estatístico do Brasil foi o colapso do subíndice de longevidade. A condução negacionista da pandemia de Covid-19 pelo Palácio do Planalto, marcada pelo atraso deliberado na compra de vacinas e pelo deboche da crise sanitária, resultou em mais de 700 mil mortes e provocou um recuo inédito na expectativa de vida ao nascer do brasileiro. Em 2019, a média nacional era de 75,3 anos; em 2021, o indicador desabou para 72,8 anos. A perda de 2,5 anos de vida fez o país retroceder ao patamar de 2008, apagando treze anos de conquistas em saúde pública de uma só vez.

Fome como política de Estado (Renda)

No pilar socioeconômico, o desmantelamento das redes de proteção social e a precarização do mercado de trabalho empurraram o Brasil de volta ao Mapa da Fome da ONU, registrando a marca de 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar severa. O abocanhamento do orçamento pela lógica do teto de gastos reduziu o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) para a casa dos 0,591 em 2021. Na prática, quando a desigualdade era colocada na conta, o Brasil de Bolsonaro era rebaixado diretamente para a categoria de “médio desenvolvimento”.

Apagão educacional (Educação)

Sob a gerência de ministros da Educação que priorizaram a guerra cultural em detrimento da gestão pública, o MEC abandonou estados e municípios durante o fechamento das escolas na pandemia. A ausência de suporte para o ensino remoto e a falta de políticas de busca ativa provocaram uma evasão escolar em massa e a estagnação do aprendizado, cujos impactos atingiram majoritariamente as populações negra e parda, paralisando os ganhos que vinham sendo aferidos desde 2012.

( Revista Fórum )


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