Time todo no ataque.

Vou voltar ao assunto mais uma e derradeira vez, com uma metáfora futebolística para tentar me fazer entender.

Imagine que você controla o ataque do time adversário e o meio de campo, joga avançado, marca a saída de bola e não deixa espaço. Apesar de jogar à frente, ocupa bem os espaços, com organização, inteligência e atenção a tudo que acontece dentro e fora do campo. O time adversário recua, tenta chutões para a frente e, ainda assim, não consegue sair do cerco.

Quando o jogo está desenhado assim, a chance de vitória para quem controla o jogo é muito maior do que a de derrota. Pode acontecer o contrário, claro — o futebol tem seus imprevistos —, mas o favorito costuma ser quem domina o jogo.

Encerrada a metáfora futebolística, vamos ao panorama social, econômico e político do Brasil.

O governo assumiu sob ameaça de um congresso hostil, em franca minoria e até sob risco de mudança de regime. Por diversas vezes, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, acenou com a ideia de impor ao presidente Lula o chamado semipresidencialismo — um arranjo em que todas as obrigações ficam com o Executivo e todas as decisões e verbas, com o Legislativo. E sem o recurso típico dos países parlamentaristas de dissolver o parlamento e convocar novas eleições. Um verdadeiro maná para eternizar o comando do Congresso sobre a República. E há ministro influente do STF que apoia essa ideia.

Foi assim que começamos 2023: com tudo contra.

Sim, Lula conseguiu aprovar um orçamento que lhe deu fôlego para tocar o primeiro ano de governo. Mas, nas circunstâncias herdadas, a sobrevivência econômica e orçamentária parecia armada para explodir — como também se viu na atuação do Banco Central de Campos Neto.

Não é preciso repetir tudo o que se passou até aqui, basta lembrar de onde partimos e como o governo arrumou sua defesa. Voltando ao futebol: organizou o meio de campo, dominou os espaços e o jogo e, finalmente, agora, passou a atacar.

Exigir fidelidade e preparar alianças para 2026 são os movimentos centrais deste momento. Gerarão atritos, disputas pesadas, mas mostram claramente em que ponto do jogo estamos.

O placar pode ainda não refletir tudo o que aconteceu até agora — o jogo não acabou e segue até as eleições do ano que vem.

Mas atribuir ao erro do adversário o bom andamento do jogo, insistir que as vitórias do governo são obra do acaso, de “presentes” de Trump ou de Eduardo Bolsonaro, ou que o Congresso, ao dar tiros no pé, ajuda o governo por acidente, é ignorar a estratégia e a inteligência bem planejada e executada até aqui, nos mínimos detalhes.

Economia, saúde, educação, inflação, crescimento, equilíbrio fiscal e orçamentário — tudo ou nas máximas históricas, ou dentro do equilíbrio planejado com antecedência — não são obra da sorte.

Quando o gol sai porque o zagueiro acuado erra, o passe é cortado e o contra-ataque decide a partida, o fato principal não é o erro, mas o acerto da estratégia como um todo, a maneira como o time jogou até construir a vitória.

O torcedor do time derrotado pode destacar o erro, mas isso não muda a natureza dos acontecimentos nem o mérito de quem venceu.

Se o governo decidiu atacar — demitir falsos aliados, premiar quem sustentou o programa até aqui e tirar espaços dos adversários — é porque acredita em sua força e quer chegar à vitória.

Lamentar por isso? Penso que não.

Riscos sempre existirão; fazem parte do jogo e da vida. Mas saber a hora de agir é condição para vencer.

Que assim seja.

E, cá entre nós, governo Lula não joga para humilhar adversários ou coisas tais, joga para ganhar de 2×0, manter a dignidade de todos e vencer.

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