
Alto e forte, risonho e tímido, se bem recordo. Veio indicado por outro parente igual, que fugia da tribulação e do sem futuro.
Até fazia o mandado, com muito custo, mas a cabeça estava sempre no mundo da lua.
A profissão de ajudante de obra é de curta duração, o esforço físico necessário rapidamente desgasta o corpo. É difícil alguém durar até os 50 anos.
O menino, apesar da simpatia, tomava o lugar de outros mais qualificados para o serviço pesado. Mais qualificados ou mais necessitados, e acabava sendo demitido em algumas semanas.
Ele voltava, fazia promessas, os colegas garantiam ajudar, sorria e sabia como agradar assim.
Voltava, ficava mais algumas semanas e era novamente dispensado.
Na porta da obra passava uma procissão de gente precisando trabalhar, todos os dias, de todos os tipos e qualificações.
Alguns eram impossíveis de dispensar, sendo aproveitados na vaga do risonho ajudante.
Foi o pior ajudante com quem trabalhei, apesar de sua simpatia aliviar o ambiente carregado de trabalho pesado, como uma obra civil normalmente exige.
Não sei quantas foram as idas e vindas.
E eu sabia que um dos motivos da proteção dos colegas era porque ele jogava bola, atacante, na várzea e começava a se destacar.
Até o dia em que um empresário notou e levou o rapaz para jogar nas Arábias, onde, segundo soube, fez uma vida boa para si e sua família.
Antes de partir, ele me ligou para agradecer.
Foi a minha vez de sorrir.
Uma resposta para “O pior ajudante do mundo.”
Linda história! Que muitos possam “jogar nas Arábias”. Que talentos sejam descobertos para transformar a vida de muitos. Temos que dar oportunidade de serem expostos estes talentos. Voa Brasil!
CurtirCurtido por 1 pessoa