Nessa data, não faz muito tempo, os poucos neurônios do bolsonarismo começaram a praticar seu plano de desconhecer o resultado adverso das eleições e se manter à força no poder.
Foram dois meses entrincheirados no Palácio do governo, chamando os seus pares para consumar aquilo que estava subentendido ao longo de seu mandato: que as urnas foram fraudadas e ele era o único e legítimo vencedor.
Como todos sabiam que aquilo era uma encenação para consumo eleitoral sem nenhuma veracidade ou indício, cada um foi cuidar de suas vidas, enquanto o projeto mal acabado de ditador enchia os ouvidos de seus reduzidos parceiros de golpe.
Sobretudo os comandantes militares que ele havia escolhido poucos meses antes.
Hoje, apareceu mais um vazamento das delações do Mauro Cid, onde ele narra outras reuniões para discutirem minutas e mais minutas de golpe.
Parece mesmo que entre minutas e vender joias foram as únicas atividades do ex-presidente nos seus últimos dois meses.
Ou de seu mandato inteiro.
A Polícia Federal segue na busca de confirmação das delações do Cid, e daqui a pouco, com um novo PGR, a coisa vai tomar rumos seguros e o ex-presidente estará em péssimos lençóis.
A frase do título reproduz o entusiasmo de uma das procuradoras da extinta Lava Jato, enquanto tramavam com os jornalistas da Rede Globo – e seus respectivos diretores e proprietários – os próximos ataques que a empresa faria em suas mídias contra o Lula e o PT.
O fundador da Rede de televisão, Roberto Marinho, gostava de dizer que o mais importante do que escolher o que mostrar era saber o que não mostrar.
Mas os tempos são outros, e para cumprir suas tarefas de impedir o Brasil de superar a maior concentração de renda do mundo, mantendo seu povo na ignorância e na pobreza, a rotina de esconder as verdadeiras notícias foi sendo substituída por uma de fabricar as notícias.
Isso significa mentir descaradamente, com o propósito de atacar lideranças sociais e políticas populares.
Roberto Marinho se foi, sua Rede não dispõe mais do monopólio da informação de seu tempo, precisando competir com as redes sociais cada vez mais ativas e influentes.
Mas sua estrutura jornalística, que engloba todo o território nacional e todas as mídias tradicionais, ainda consegue manter parte relevante da influência.
E a usa contra todos os avanços sociais e políticos, mentindo, inventando, distorcendo e omitindo informações. A omissão ainda faz parte do cardápio.
Essa última revelação da operação “spoofing”, aquela que possui todo o arquivo hackeado dos celulares dos procuradores da Lava Jato, obtidos por Delgatti, continua a mostrar, não exatamente revelar, porque já sabíamos, mas detalhar os movimentos internos dos procuradores e a missão comum com os jornalistas conhecidos da Rede Globo, para perseguir a esquerda, o PT e Lula, ignorar as verdadeiras mazelas e os verdadeiros corruptos e tentar eleger grupos e pessoas comprometidos com as causas que mantêm o Brasil na pobreza e na ignorância.
E olha que isso vem de longe, desde os tempos da ditadura de 1964, que a Globo apoiou, promoveu e sustentou.
E enriqueceu.
O que sobra de mais essa revelação, do conluio de escândalos direcionados, é reafirmar a convicção de que esse tipo de jornalismo e essa mídia não podem ser levados a sério.
O que também não é novidade.
As democracias convivem naturalmente com mídias de classe e seus representantes dominando o cenário de comunicação, apesar da crescente influência das novas mídias.
Sim, falta ainda muito por fazer, e não se sabe aonde tudo isso vai dar.
O desafio dos anos permanece o mesmo: conhecer e divulgar a verdade, denunciar o mal e o erro, combater a direita e o fascismo.
Tarefa das gerações.
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A dívida pública atingiu um novo recorde, chegando a 74,4% do PIB bruto, sem descontar as reservas cambiais. Isso se deve ao impacto dos gastos com juros da Selic até agosto. Somente neste último mês, os gastos com pagamento de juros atingiram a marca de R$ 85 bilhões, projetando um gasto anual total de R$ 800 bilhões.
O déficit primário, que engloba todas as despesas exceto os juros, está previsto para alcançar R$ 140 bilhões durante o ano de 2023. Com esse déficit, financiamos as operações do governo brasileiro, incluindo o pagamento dos salários do funcionalismo, a saúde pública, a educação, os aposentados e pensionistas, os investimentos, entre outros.
É importante observar que o déficit de R$ 140 bilhões, que tem sido amplamente discutido por economistas de uma determinada corrente e pela maioria dos comentaristas e analistas da mídia, levando todos a pedirem cortes em diversos setores, é equivalente a apenas um mês e meio de pagamento de juros pelo Banco Central, cujo presidente é um apoiador do governo Bolsonaro, Campos Neto.
Esses defensores dos altos juros são inabaláveis em sua posição. Este é um assunto antigo, mas nunca é demais lembrar e acompanhar as contas envolvidas. Diante dessa disparidade evidente e desse viés inquestionável, onde os juros beneficiam os ricos enquanto os investimentos públicos atendem a todos, especialmente os mais necessitados, a crítica ácida dirigida a um aspecto da realidade econômica – embora importante – e a ausência total de crítica ao mal muito maior causado pelos altos juros não deixam dúvidas sobre com quem estamos lidando.
Essas são vozes ligadas ao dinheiro, ao mercado financeiro e aos parasitas do estado brasileiro, que se acostumaram a ganhar dinheiro sem riscos. O nosso futuro depende de fazer com que essas pessoas trabalhem e paguem impostos.
O resto é o luar de Paquetá.
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Quem aposta em greve no Legislativo, obstrução obstinada e invencível, coisas do gênero, não faz a mínima ideia de como funciona a coisa por lá.
Tudo ali é um arranjo de interesses, organizado em fila que muda semelhante à frequência das nuvens.
Parar a máquina do governo e a liberação de recursos, o pagamento das promessas e compromissos, os projetos de poder em andamento, pode servir de recado e para escândalo na imprensa, na prática não quer dizer nada.
O rompante no Senado na semana foi isso, uma soma de interesses contra um adversário frágil e pouco articulado, defendido apenas pela vontade de poucos. E, me perdoem a franqueza, porque procurei pesquisas de opinião sobre o apoio ao Marco Temporal e não encontrei, mas desconfio que seja pequeno. Aí foi um prato cheio para os conservadores mandarem recado não para o governo sozinho, nesse caso, mas sobretudo para o ativismo no STF de criar leis, mesmo uma justa.
E logo depois, em poucas horas, os interesses foram organizados na Câmara e as votações retornaram, sem muito alarde, e todos fazendo de conta que ninguém disse que estavam em obstrução.
Isso não quer dizer que a briga de interesses por cargos não tenha aumentado e subido de patamar.
E, agravado pelo tempo espremido no pós-operatório do Presidente Lula e sua recuperação de semanas, apesar de continuar trabalhando, e uma viagem de Lira entre 10 e 20 de outubro para o exterior.
Tenho chamado a atenção para a pauta esvaziada no Congresso, parece que os Deputados e Senadores também perceberam que o ano está praticamente acabando, ano que vem tem eleição e a correria muda de patamar, acelerando ainda mais e esvaziando ainda mais as pautas no Congresso.
O governo precisa concluir a votação no Senado da Reforma Tributária aprovada na Câmara, tem sim um jogo aqui e o governo vai levar, custe o que custar.
Há quem diga que a votação do Marco Temporal foi a forma do Centrão garantir as verbas do agronegócio para as eleições do próximo ano.
É isso.
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Algumas poucas e últimas observações sobre o novo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Barroso.
Seu discurso, apesar das referências a respeito e cumprimentos de papéis institucionais a serem respeitados harmonicamente entre os três poderes, o que mais fez foi reafirmar sua inclinação para continuar – ou até aprofundar – o ativismo político do Tribunal.
Mesmo quando faz referência negando a prática, embolada no meio de outras justificativas e afirmações aleatórias, não convenceu.
Pior, em outro momento afirmou que juízes no Brasil são pessoas de carreira autônoma, conseguem se destacar por mérito próprio e não devem nada a ninguém, diferente do que acontece em outros países.
Ele, curiosamente, deve seu cargo a uma indicação da ex-presidenta Dilma, a quem fez referência elogiosa, mas que pode ter sido também uma provocação a demais colegas.
Disse que o Brasil precisa superar o “nós contra eles”, e se aqui critica a exacerbação dos últimos tempos, não podemos esquecer que quem mais usou o termo nas campanhas foi exatamente o Presidente Lula.
Ou seja, Barroso mantém-se firme no propósito de tentar levar o Tribunal ao extremo, testar seus limites de atuação política e tem tudo ou para quebrar a cara totalmente ou ser anulado por seus pares.
A recente proximidade com Gilmar Mendes revela sua nova faceta, não por acaso aproximou-se daquele que é o mais político dos atuais ministros da corte. Para nossa sorte, a soma entre eles é nula, porque Gilmar e Barroso combinam como água e azeite.
Ficamos no aguardo das presepadas do novo presidente do STF. Ele me lembra Fux no auge do seu deslumbramento. O nível da presidência entre eles deve equivaler, ou seja, um desastre.
Alguma coisa me diz que após cumprir seu mandato, o Ministro Barroso deixará o tribunal e voltará para o escritório de advocacia.
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“Foi uma reunião civilizada, de alto nível”, afirmou o Ministro Haddad a respeito do encontro entre o Presidente Lula e seu homônimo do Banco Central, Campos Neto.
É melhor assim, é o que penso sobre o diálogo entre pessoas que têm a responsabilidade de liderar instituições do estado. Precisam conversar.
Mas sobre o que falaram?
Haddad adiantou que não falaram sobre os juros, que foi o motivo de debates acalorados entre os dois presidentes.
O que sobrou?
O câmbio.
A curva de juros futuros dos EUA continua subindo, mesmo com a inflação relativamente comportada. A necessidade de financiar sua dívida pública, muito mais do que controlar a inflação, faz com que a máquina americana busque avidamente entrada de divisas.
Isso provoca uma valorização artificial do dólar em todo o mundo.
Como as autoridades norte-americanas não demonstram a mínima disposição para reverter o quadro atual, ao contrário, afirmam e reafirmam a manutenção dessa política, a preocupação passa para todos os demais países, cada um precisando se resguardar do cobertor de dólares disponíveis, que está cada vez mais curto.
Se foi esse o assunto de fato, ninguém confirmou. Mas tanto Haddad quanto Campos Neto afirmaram em outras ocasiões que acompanham com preocupação a trajetória dos juros futuros nos EUA.
Campos Neto tenta se aproximar do governo e acertou uma agenda de encontros.
Quem sabe o companheiro Campos Neto se rende à necessidade de acelerar a trajetória de queda dos juros no Brasil? Temos agora esse agravante do dólar subindo, porque juros mais baixos internamente naturalmente provocam maior procura pelo dólar e podem levar a ainda maiores elevações.
Não à toa, Lula tem insistido na diminuição da influência do dólar no mundo, porque esse tipo de situação interna deles acaba afetando a todos. Quando imaginávamos que Lula, ao criticar o uso exclusivo da moeda norte-americana nas trocas comerciais, mirava apenas os países em dificuldades cambiais, algo de que estamos longe, na verdade, ele falava desse efeito negativo em nosso mercado também.
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Neste inverno, com dias atingindo 40°C e inundações, apenas no Brasil, é um absurdo considerar a destruição de terras preservadas e protegidas por povos indígenas.
A pressa no Senado para aprovar o Marco Temporal, o mesmo projeto aprovado na Câmara, antes do fim do julgamento no STF, tudo acontecendo simultaneamente ontem, foi para simular não confrontar o STF, porque a lei foi aprovada antes da decisão final da corte.
Fora a simulação, foi decisão destinada a contrariar a iniciativa do STF de legislar alegando uma falta de ação do Congresso em questões delicadas.
Ainda temos mais por vir, com o casamento homoafetivo na agenda dos congressistas e uma discussão nacional sobre o aborto em um plebiscito.
Quanto ao Marco Temporal, o que foi aprovado ontem não deve prevalecer por inteiro, pois o conteúdo do projeto que libera terras de maneira irracional para exploração deve e será parcialmente vetado pelo governo. Mas não sem uma longa negociação.
Porque em relação ao Marco aprovado em si, acredito que o estrago já está feito e o STF terá dificuldade em reverter o que aconteceu ontem, apesar de ser um PL ( Projeto de de Lei) e não uma Emenda na Constituição como seria o recomendado . Além disso, outra outra faceta do que ocorreu ontem esta relacionada com a posse do novo Presidente do STF, o Ministro Barroso, que divulgou um “programa de governo” para seus próximos dois anos de mandato, sugerindo que o STF terá um papel central na legislação brasileira nesse período. O Senado mandou avisar que não vai aceitar o ativismo legislador do STF.
Barroso toma posse hoje com uma festa de 1,2 mil pessoas com ingresso de R$500,00 vendidos e esgotados, mais o show da Maria Bethânia. Um início irresponsável e incompatível com o cargo que vai ocupar.
O governo ainda não se manifestou, e a pauta do Marco estava parada no Senado aguardando sua vez; o projeto nunca teria sido aprovado como saiu da Câmara em circunstâncias normais.
Enquanto o Presidente Lula opera nesta sexta-feira e tem um prazo legal de 14 dias úteis para negociar seus vetos, enfrentaremos nos próximos dias uma questão delicada.
Precisamos refletir sobre essa questão, pois ela envolve a preservação do meio ambiente e o bem-estar dos habitantes das florestas.
Há uma discussão sobre a quantidade de terra disponível para os indígenas viverem e se as terras destinadas a eles seriam excessivas. Nesse caso, e nunca vi uma resposta para essa pergunta, qual seria a quantidade necessária e justa?
Mas agora, como discutir a quantidade de terra em meio a um calor escaldante e inundações sem precedentes devastando as cidades?
Não se trata apenas de uma discussão sobre o governo; não apenas a vida dos indígenas está ameaçada, mas a de todos nós.
No entanto, não devemos acreditar que tudo está perdido e que a resposta está simplesmente em o STF reafirmar a inconstitucionalidade, pois isso manteria o impasse. Não existem respostas prontas; teremos que encontrar uma solução.
Qual é a saída?
De alguma forma, precisamos ganhar tempo e negociar uma solução intermediária que evite a destruição do que ainda nos resta. Infelizmente, os autores da lei aprovada ontem não estavam interessados em encontrar essa solução. Mas essa solução ainda não é clara.
Não será possível encontrar uma solução que agrade a todos. O estrago já está feito, e ao contrário do ditado antigo, desta vez teremos que chorar para tentar remediar a situação.
Há também no jogo algo mais que os problemas imediatos de natureza humana e ambiental, se é que isso é possível : o tipo de Congresso Nacional que estamos lidando e como escolhas malfeitas podem romper limites frágeis repentinamente, expondo a dura realidade.
O governo de Lula enfrenta uma base frágil e conservadora, e, em certo sentido, a única maneira de lidar com esse grupo é apelando para seu apetite, ganância e interesses. Sempre se fala sobre isso durante as eleições, mas a situação geral só piora a cada ano, devido ao controle exercido pelos meios de comunicação, à manipulação e as mentiras. Os resultados estão à vista.
Para concluir, reforço a ideia de que alguma solução intermediária deve emergir, pois o projeto é um desastre ambiental e desumano em si.
No entanto, não vamos voltar ao estado anterior, pois isso não é mais possível.
O STF que volte a desempenhar seu papel institucional, e apesar das boas iniciativas recentes, a política prevalecerá e isso não é necessariamente ruim.
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A imagem de Biden na porta de uma fábrica com um megafone na mão surpreendeu não apenas o Presidente Lula, mas provavelmente o mundo todo. Biden enfrentará uma eleição no próximo ano, possivelmente contra Trump, caso este consiga se livrar de inúmeros protestos judiciais que cada vez mais ameaçam sua posição empresarial e política.
A reunião com Lula na semana passada e o lançamento de um protocolo mundial, no qual ambos os presidentes se comprometeram a defender, não apenas inauguram uma parceria inédita entre os EUA e o Brasil, mas também representam uma mudança na postura de Biden em relação à sua base eleitoral, com consequências ainda imprevisíveis.
Na sequência de surpresas na semana, o Presidente do Banco Central do Brasil, Campos Neto, reconheceu em debate público que os juros no Brasil estão muito altos, apoiou a nova trajetória fiscal a partir da nova âncora aprovada – até na possibilidade de não cumprimento da meta – e passou a defender a taxação dos super ricos. Para completar, agendou uma reunião com Haddad nesta quinta-feira com o presidente Lula.
Bom, vamos ver o que vem daí. Em todo caso, não espero ver Campos Neto com um megafone na mão apoiando uma greve no futuro próximo.
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Aqui e ali, vejo menções sobre o desaparecimento de obras de arte confiscadas pela Lava Jato. Ao menos um dos antigos diretores da estatal colecionava obras de arte de elevado valor. Lembro que ele as escondia em uma parede falsa dentro de seu apartamento. Também há referências sobre doações a museus nessas menções, mas tudo sob o selo característico do lavajatismo: a falta absoluta de transparência e autonomia autoassumida.
Um inquérito será aberto para apurar o confisco das obras e seu destino. Não vou insinuar nada aqui; vamos aguardar os resultados e, posteriormente, comentar.
Fica o registro.
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A chegada do General Heleno ontem para depor como testemunha na CPMI que investiga os eventos de 08/01 foi recebida com aplausos por parte de deputados e senadores do antigo regime. Isso sugere que algo mais estava acontecendo ali.
Embora a sessão em seu conjunto não produza resultados práticos e concretos, uma vez que o depoente tem uma decisão prévia do STF que lhe permite escolher se responde ou não, em alguns momentos, a face obscura e violenta do general ficou exposta. Isso sem mencionar a notável mediocridade e incompetência, que parecem ser requisitos indispensáveis para ostentar no peito uma miríade de medalhas, como frequentemente encontramos.
Durante suas declarações na Comissão, o general nada disse; nas negativas de responder a perguntas específicas, a negação falou por ele. Destaco a recusa em confirmar sua presença na reunião com Delgatti na sede do Comando Militar do DF, onde o hacker Delgatti foi convocado para discutir a invasão da urna eletrônica usada nas eleições, conforme relatado por Cid.
A propósito da delação do Cid, estamos em uma fase de silêncio, sem os costumeiros vazamentos, o que não deve significar boa notícia para os delatados. Provas devem estar sendo colhidas.
Outro momento importante foi quando respondeu a contragosto reconhecer os resultados da eleição sem fraude, como tentaram convencer até dias atrás.
Muito acuado, apesar dos dentes sempre à mostra, o velho general termina seus dias praticamente como começou, envolvido com golpes e práticas antidemocráticas, espionagem e mentiras. Um fracassado, aliado do General Frota nos anos 70, também fracassado no seu golpe dentro do golpe, após outro golpe; seguiu carreira nas sombras e quando a luz do sol bateu, revelou-se um monstro rancoroso, bruto e incapaz.
Exatamente o perfil dos demais generais envolvidos até onde sabemos, provavelmente igual aos demais envolvidos que não sabemos, ainda.
Sua triste figura deve agora retornar para as sombras; nada do desastre que foi o governo anterior aconteceu sem a sua anuência ou conhecimento, e, no caso dele, a hipótese de condenação pelo conjunto da obra abrange uns 40 anos, como ele mesmo fez questão de lembrar, e deve ser um recorde mundial, para nossa vergonha.
Quarenta anos de nada, além de ódio, conspiração e incompetência.
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