
Esse chamado que reproduzi no título, de campanhas eleitorais, tem história, e foi o principal mote do período em que PT e PSDB disputavam a preferência. Se bem me recordo, quando Lula lançou pela primeira vez essa chamada, não perdeu mais.
A partir do bolsonarismo podemos perceber uma mudança no centro da disputa: sai o “nós contra eles” e entra um discurso mais ideológico, mais por parte da direita do que do PT, que só agora começa a retrucar na mesma direção.
Uma questão que precisamos assentar quando lidamos com eleições é o quanto o acerto das estratégias é importante. No cenário brasileiro, a grosso modo, um terço é de esquerda, um terço de direita e o terço restante fica no meio — quem decide eleições é o eleitor do centro.
O período que compreendeu o mensalão, a Lava Jato e o golpe na Dilma, em sequência, deixou o centro inteiramente nas mãos dos extremistas de direita, afastando o eleitor não só do PT, mas também dos partidos do centro e dos discursos acomodados e fingidos desses grupos.
O povo queria outra coisa — mais, digamos, vigor e confrontos.
Nesse momento em que estamos nos encaminhando para a disputa eleitoral, o que estamos assistindo é uma mudança de atitude do governo, muito mais agressiva e contundente, mais propositiva e retórica, onde a tendência vai ser esvaziar novamente o centro político e chamar para uma reação a direita furiosa.
Imagino que a estratégia tenha seu fundamento e objetivos bem definidos: escolher o adversário e não deixar o centro respirar. Podemos ver a tentativa do PSDB de retornar, com uma velhíssima guarda saindo para disputas de cargos importantes. Ao subir o tom, o governo quer fechar a porta definitivamente para o centro crescer — quem sabe conquistar os votos desses grupos, isolar a direita bolsonarista e ganhar a eleição no primeiro turno, fazendo mais bancadas.
Ao escolher o bolsonarismo como adversário, o governo mira um aspecto definitivo da sua disputa com essa gente: eles perdem.
Sim. Eles perdem.
Em breve retrospecto, e sem irmos muito longe, desde o início do ano Lula escolheu Gleisi como ministra e Lindbergh como líder de bancada, mostrando aí os primeiros sinais da guinada que se avizinhava ou se desejava. E agora nomeia para ministro Guilherme Boulos, para definitivamente apontar um rumo claro a ser apresentado nas disputas.
Que não me entendam mal: a disputa em 2026 será duríssima, provavelmente a mais dura de todos os tempos, nos aspectos de informação e disputas de narrativas, inundação de mentiras e influência perigosíssima das mídias sociais bombadas por IAs.
Mas a chance maior é ganhar em primeiro turno exatamente por essas características que tentei apontar. Isolando a direita e bloqueando o crescimento do centro, o governo tenta liquidar o assunto de início e começar o quarto e último mandato de Lula com mais e melhores armas de governabilidade.
Vamos seguir acompanhando as posições e confirmar se essa mudança de atitude é definitiva — o que eu penso que sim.
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