Para situarmos os desafios de uma economia periférica como a nossa, vamos refletir sobre o movimento do câmbio em outubro.
Ficamos sabendo, por esses dias, que durante a discussão para a aprovação da lei que passou a cobrar 10% de imposto sobre lucros e dividendos acima de 50 mil anuais, o que fizeram as empresas estrangeiras? Compraram U$ 13 bilhões de dólares para fazer caixa na hipótese de a lei ser aprovada e enviar o dinheiro para as matrizes lá fora antes da cobrança iniciar. Cobrança que seria a partir de janeiro do próximo ano, mas, como não tem bobo nesse mundo, o governo percebeu o perigo no equilíbrio cambial se volumes expressivos de dólar saíssem rapidamente e incluiu na lei um período de transição para envio desses dividendos e lucros de 2025 até 2028, sem incidência do novo imposto de 10%.
A decisão deve ter acalmado o ímpeto de aproveitar a janela sem impostos e enviar o dinheiro para suas matrizes — o que teremos que aguardar para conferir. Em todo caso, agora estão em dúvida sobre o melhor a fazer, porque, se o real continua sua trajetória de valorizar, quanto mais tempo ficarem com reais no caixa e esperarem o máximo possível para a troca em dólares, mais lucro se obtém. Outra questão é o que fazer com os dólares comprados em outubro, e o correto seria se livrar deles o mais rápido possível, segundo a mesma lógica de que estão se desvalorizando frente ao real.
Aqui e ali, as notícias sugerem que os administradores dessas multinacionais estão em dúvida sobre o que fazer. A alegação de evitar a espera até 2028, sem pagar imposto, correria riscos porque no Brasil a coisa sempre muda.
O argumento é falso e tenta, a meu ver, ocultar uma decisão errada desses administradores: acumularam reservas em moeda estrangeira sem necessidade — no fundo, uma aposta contra o real — e agora estão “micados” e amargando prejuízos.
E fora se o movimento do câmbio temido de fim de ano for invertido, com venda e desova desses U$13 bilhões, e não de compra como costuma ocorrer no fim de ano, exatamente para fechamento de posições e contabilidades das grandes empresas.
Ano passado, o movimento de câmbio foi fora da curva — altíssimos U$ 24,3 bilhões — porque a aposta contra nossa moeda foi pesada e lucrativa, o oposto do que se esperava para este dezembro.
A ver o que acontece.
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Não fosse o histórico recente de decisões por parte do Judiciário brasileiro, culminando com a prisão sem crime do Presidente Lula, muito haveria a comemorar sem ressalvas quando o fim de um personagem terrível como Bolsonaro encontra seu destino.
Em vários posts enumeramos dezenas de crimes cometidos por essa figura criminosa e seus asseclas siderados, de ganância, de ódio e de mentiras.
O nosso STF não tem mais como apagar os erros do passado, e parte dos que ainda estão por lá estiveram naquele trágico momento anterior, que não podemos esquecer.
E a prisão de um ex-presidente não é coisa para comemorar, porque representa uma falha de julgamento grave do nosso povo e de nossas instituições. Imagine se ele fosse reeleito, a quantas estaríamos.
Seguramente, nada de julgamento atual estaria correndo — talvez o oposto, com ministros do STF sendo expurgados de seus cargos.
Se não comemoramos, devemos observar com esperança o fato, porque mostra uma decisão correta dentro das regras democráticas e é, sim, uma reação proporcional ao dano e ao perigo atual e futuro que essa gente, com esse falso mito à frente, representa.
Ou representava.
Vamos ver como será 2026, com a provável candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, se enterramos parte dessa herança que tenta se manter e viramos essa página do fascismo nacional cortado pela raiz.
Esperamos a prisão na próxima semana, na penitenciária da Papuda, e ainda estamos ouvindo rumores de uma decisão lateral vindo do Superior Tribunal Militar, que espalha não ser permitido um oficial do Exército preso na penitenciária, senão em instalações militares.
Tenho como certo que militar condenado na Justiça perde a patente e esse tipo de direito. Alguma coisa parece que vem por esse lado, para fazer mais um fuzuê e depois acabar em nada — do jeito que eles gostam.
O prazo de votação dos recursos agora negados segue até o dia 14, e essa deve ser a data para decretar a prisão.
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Aos poucos, a presença de 170 signatários dos países envolvidos na realização da COP 30 em Belém supera a tendência invencível do noticiário de divulgar aspectos negativos das iniciativas do governo.
Qualquer que seja.
Nosso presidente é talvez o mais experiente de todos os que estão participando dessa rodada de encontros sobre o tema Meio Ambiente e, não por acaso, bate na tecla de medidas efetivas para além de discursos.
Focado na preservação das florestas tropicais — a nossa Amazônia, entre outros lugares —, luta por compromisso financeiro de todos através de um Fundo de Preservação dirigido para as pessoas que vivem nesses ermos e são os maiores interessados na manutenção sustentável das matas, desde que possam sobreviver com essa preservação. Num certo sentido, Lula está dizendo para o mundo que a mata se mantém quando as pessoas sobrevivem sem precisar destruí-la.
O primeiro-ministro do Reino Unido discursou afirmando que o consenso ambiental que havia no mundo não existe mais, referindo-se aos EUA de Trump, que nem mandaram representante para o Brasil. Talvez esteja certo na avaliação e talvez esteja com planos distintos, usando Trump para camuflar interesses. Sua contribuição ao fundo é esperada para esta sexta, ou não — e aí vamos ver a quantas anda o compromisso da Inglaterra com o assunto. O príncipe quase rei, ou rei meio príncipe, anda por aí papagueando, mas o dinheiro mesmo ainda não apareceu.
Enquanto outros países — e também o Brasil — contribuem, a meta de 10 bilhões de dólares alcançou metade no primeiro dia e deve ser atingida, apesar dos pesares.
Lula está dizendo que compromisso é colocar a mão no bolso. O resto é conversa — e ninguém aguenta mais.
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“Te perdoo Por fazeres mil perguntas Que em vidas que andam juntas Ninguém faz.”
Os ataques de Eduardo Bolsonaro ao governador de SP, Tarcísio de Freitas, entre tantos ataques proferidos a granel pelo filho auto exilado e a caminho de se tornar réu no STF, seguem na base diária e mostram a quantas andam a disputa pela herança dos votos na extrema-direita.
A reunião dos governadores de direita, na onda de perplexidade com a chacina no Rio de Janeiro, tentando capturar a pauta de segurança do governo federal e também do bolsonarismo, foi duramente atacada pelos filhos do ex-mito, exatamente porque não incluíram os supostos líderes da direita no movimento.
Tarcísio, apesar de negar a candidatura à Presidência e contratar equipe de marqueteiros com experiência em pleitos nacionais — o que eu pessoalmente sempre duvidei, pois não creio que vá trocar SP por uma derrota na disputa com Lula —, pediu desculpas ao ministro Moraes, até então em caráter privado, argumentando ser mais fácil se reconciliar com o STF do que com o Bolsonarismo..
Estamos falando do pedido de perdão pelos ataques que Tarcísio fez a Moraes naquela manifestação de apoio à anistia em SP, quando chamou o ministro de “tirano”.
Seria o caso de perguntar quem vazou o pedido para a imprensa: se Moraes ou Tarcísio.
Porque, dependendo, temos distintas leituras.
Se foi Tarcísio, é porque desistiu mesmo da candidatura à Presidência; se Moraes, porque quis mandar recado de força e justificar alguma aproximação entre eles no futuro.
O pedido, seja de quem for, terá consequências no eleitor bolsonarista, e alguma queda das intenções de voto em Tarcísio — mesmo na candidatura à reeleição em SP — deverá ser notada. E, quando saírem as pesquisas, cá entre nós, na hipótese de nada ocorrer na direção de perda de votos de Tarcísio, é porque alguma coisa acontece na desagregação do bolsonarismo, a ser observada com atenção.
Parece que, na relação Tarcísio e Bolsonaro, vale, por enquanto, a poesia de Chico Buarque na música “Mil Perdões”: “te perdoo por te trair!“
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Poucas semanas atrás, o PP e o União Brasil anunciaram a criação de sua federação, visando à disputa eleitoral em 2026. De início, exigiram a entrega de todos os cargos federais indicados por seus integrantes, inclusive ministérios.
O primeiro sinal de que a coisa não se resolveria na cúpula veio dos próprios ministros de ambos os partidos, negando a intenção de entregar seus respectivos ministérios, o que obrigou a nova federação a uma posição mais contundente, ameaçando todos de expulsão.
Não só ninguém foi expulso até agora, como a própria existência da recém-formada federação está ameaçada por divisões internas provocadas por interesses divergentes de senadores e deputados empenhados em reeleição.
Como tenho apontado aqui, de Minas Gerais para cima fazer oposição ao governo Lula vai exigir desempenho excepcional para conquistar alguma coisa.
Mais: a crescente popularidade do presidente e de seu governo começa a transbordar para o Sudeste e o Sul, obrigando a todos fazerem e refazerem contas para o pleito vizinho.
A Federação União-PP escancara uma estratégia do centro para se livrar da sombra bolsonarista, sem abrir mão das pautas do futuro presidiário — condenado ele já é. A meu ver, uma tentativa válida, mas esqueceram de prever a resistência dos extremistas quanto à manobra.
Reação que veio com a chacina no Rio — a princípio uma loucura com múltiplas intenções, mas sobretudo eleitoral por parte do governador Castro, candidato até então fraco para uma das duas vagas em disputa para o Senado.
Há quem diga que ele continua fraco, apesar de tudo.
Fraco ou não, a verdade é que a chacina uniu o discurso bolsonarista e ameaça a direita e o centro mais uma vez, porque lhes nega os espaços que tentavam conquistar.
Perceba: não se trata exatamente do Bolsonaro, mas do bolsonarismo sem Bolsonaro em disputa, porque percebem ainda restar fôlego no eleitor do ex-mito.
Fôlego mais curto, bem entendido, porque na semana tivemos alguns exemplos de como as coisas andam mudando na expectativa de poder no Congresso. A eleição de Contarato, do PT, para presidir a CPI da Segurança Pública e o adiamento da votação na Câmara do projeto que pretende enquadrar traficantes como terroristas — coisa da direita trumpista internacional, dirigida à América do Sul — mostram a força crescente do governo.
Lembrando que, recentemente, a ministra Gleisi promoveu um ajuste de indicados a cargos federais, mais na base da conversa do que fazendo demissões e admissões. Pode estar aí também um acerto de bastidores que precisaremos confirmar nas próximas votações na Câmara e no Senado. Pode ser que alguma coisa tenha sido melhor acertada e as próximas votações irão mostrar até onde a recomposição da base no Congresso foi efetiva.
Cometi o pecado de colocar Arthur Lira ilustrando o post, mas é mais um exemplo de como um deputado todo-poderoso não tem nada para exibir quando postula uma nova eleição além de um projeto do governo, como realização máxima pessoal — a quem ameaçou tantas e tantas vezes.
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A história começa com a apresentação, pelo governo do estado do Rio de Janeiro, de um “plano de redução de letalidade policial”, que foi proposto ao STF e parcialmente homologado.
Abaixo, vou deixar o link com a última decisão do ministro Moraes — substituindo Barroso, aposentado, provisoriamente até que se indique o novo ministro —, onde os questionamentos sobre a operação são encaminhados às autoridades envolvidas na ação que culminou na morte de dezenas de pessoas, inclusive policiais.
Quanto aos desdobramentos da presença do STF nesse crime, é importante observar a impossibilidade, por parte do tribunal, de aceitar um desfecho de tamanhas consequências em vidas humanas a partir da negligência de uma “arguição de descumprimento de preceito fundamental”, ou ADPF, como é chamada, do governo do estado do Rio e suas forças de segurança.
Tratamos das possibilidades e dos interesses envolvidos na operação em posts anteriores. Surgiu agora mais um vídeo mostrando o atual governador do estado em uma reunião com representantes dos EUA, onde ele apresenta pedido de enquadramento dos grupos criminosos, tipo PCC e CV, na nova política de Trump de considerá-los grupos terroristas.
Então estamos diante de mais um indício do tipo de planejamento a que o governador se refere quando diz que foi realizado.
Agora tentam votar na Câmara o enquadramento dos grupos criminosos como terroristas, nessa nova ofensiva da direita mundial — embora duvide de efeitos práticos, senão retóricos e eleitoreiros.
Mas cheguei até aqui porque Moraes iniciou a participação do STF na apuração dos crimes de maneira cautelosa, para dizer o mínimo. Chamar reunião com os prováveis acusados para apresentarem justificativas antes das investigações não me pareceu a melhor abordagem. Talvez para mostrar pressa ou presença do STF no trauma — o que, em todos os sentidos, não deveria ser o papel do tribunal.
Importa afirmar a expectativa de uma apuração importante, porque, se não foi bem encaminhada de início, com reuniões, no despacho o ministro Moraes deixa claro as omissões graves da operação — e isso ainda sem entrar nos crimes que estão por serem apurados.
Em hipótese nenhuma a Justiça pode chancelar mais um crime hediondo cometido por autoridades, sejam quais forem os motivos. A defesa e a segurança das pessoas não podem passar por assassinatos — e, mais uma vez, o Brasil tem a oportunidade de deixar isso bem claro.
E as pesquisas de opinião indicam que a maioria está disposta e entende assim: repressão com inteligência, sufoco financeiro nos grupos criminosos e operações sem mortes desnecessárias.
É o caminho.
Perceba que o papel do governo federal é de apoio a iniciativas na legislação — exatamente o que tentam fazer há tempos, com enorme resistência da bancada de direita. A apuração de crimes não compete ao governo, nem a repressão. Quando cobramos soluções e culpamos envolvidos, é importante ter claro a responsabilidade de cada poder, suas obrigações e limitações.
Temos insistido que a chacina no Rio de Janeiro foi uma iniciativa do governador Cláudio Castro para promoção própria, talvez apropriada pela milícia interessada no território dominado pelo tráfico e usando métodos bolsonaristas de violência, intimidação e terror para impor sua pauta. A repercussão causada pelas mortes obrigou mudar o rumo e nacionalizar a crise que eles mesmos provocaram, reintroduzindo o bolsonarismo extremado como opção de escolha eleitoral.
Porque ele andava por aí com seus líderes desmotivados e cabisbaixos, esperando a hora de tomar a coroa do rei a caminho da cadeia.
A iniciativa dos governadores deve ser lida nesse objetivo: assumir a herança bolsonarista sem a presença do sobrenome, que perceberam a manobra e chiaram.
Fatos se precipitam quando o fim de um ciclo se define.
Estamos vivendo um certo silêncio no aguardo dos desdobramentos da violência, porque, se foi uma manobra eleitoral bolsonarista e que repercute em reacender certas escolhas adormecidas, por outro lado, por sua violência, pode precipitar decisões na Justiça e sepultar candidaturas envolvidas nesse crime hediondo.
A reação institucional está presente. Aos poucos, os fatos criminosos vão se revelando e uma investigação vai esclarecer as motivações e os objetivos da operação. E se o governo federal move-se cautelosamente, é porque, em conjunto com a PF e o STF, vai conduzindo a resposta institucional sem entrar no clima de guerra que interessaria ao extremismo, para fazer valer a lógica de que estamos enfrentando terroristas ou coisas semelhantes. E não pode deixar a impressão de que não prioriza o combate ao crime, porque aí está o núcleo do discurso da direita e como fazem uso dessas chacinas para a política.
A semana deve trazer muitas respostas a tudo o que ocorreu, porque a verdade não vai ficar escondida diante de uma ação bárbara e criminosa dessa monta.
O Brasil não merece essa gente, e vamos, aos poucos, nos livrando deles. A esse custo, sim, altíssimo. Mas sem permitir retorno, sabendo que, além desse crime, muitos outros estão sendo preparados e devem ser enfrentados com coragem e princípios.
Nunca foi fácil.
Mas vai valer a pena.
O bolsonarismo sem Bolsonaro se mostra tão perigoso quanto o anterior.
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“Nos anos 1990, José Guilherme Godinho, o Sivuca, foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro sob o lema “bandido bom é bandido morto”. Três décadas antes, ele havia sido um dos integrantes da Scuderie Le Cocq, grupo de extermínio que deu origem às milícias.
Em 2018, Wilson Witzel, então no PSC, venceu o pleito para o Governo do Rio tendo a segurança pública como prioridade. Ele resumiu seu projeto de enfrentamento ao crime dizendo que as polícias deveriam “mirar na cabecinha e… fogo”. No mesmo ano, Bolsonaro fez sua campanha à Presidência calcada no discurso militarista e passou a utilizar o bordão “CPF cancelado”.
A postura, portanto, não agrada somente ao eleitor fluminense. Em São Paulo, Coronel Ubiratan, que conduziu o Massacre do Carandiru em 1992, tornou-se deputado estadual, tendo como número nas urnas o número de mortos na chacina: 111.”
Antes de ocorrer a chacina no Rio de Janeiro, alguns nomes da direita haviam manifestado seus objetivos e pautas para a disputa eleitoral de 2026: a segurança e o déficit fiscal.
Sobre o déficit fiscal, procurariam atingir o sucesso da política econômica do governo — salários, empregos e inflação — com ataques ao crescente (embora administrável e no radar das decisões orçamentárias corretas) aumento da dívida pública, inteiramente provocada pelos juros, que por sua vez estão altos para segurar o câmbio e a inflação. Uma operação clássica da política econômica: juros altos para combater a inflação. Mas, com o governo Lula — e só com ele —, a recessão não atinge o Brasil por conta de outras iniciativas, como investimentos públicos e privados, obras do PAC, valorização do SUS, da Educação etc., todos os programas sociais que mantêm o emprego e a atividade econômica. Sem deixar de pressionar a inflação, mas mantendo-a sob roteiro previsível e em queda, na direção do topo da meta ainda em 2025, como estamos vendo.
Tudo isso impede a direita de avançar nessa seara, até para evitar comparações com o período anterior, de absoluto descontrole e falta de rumos, com a economia nas mãos de Guedes e Campos Neto — sem falar no ministério bolsonarista, que parecia uma festa de Halloween.
A crescente aprovação do presidente Lula estava deixando a direita sem candidato, com Tarcísio, que a princípio esperava a unção do ex-chefe para disparar sua campanha, me parecendo sem disposição atualmente para seguir arriscando sua suposta liderança e se reeleger em SP. Mesmo na hipótese de receber apoio, não garante mais posição favorável para vencer uma disputa com Lula no próximo ano.
Tudo isso sabemos. E, ao aproveitar a comoção provocada pela chacina e seu escândalo, a direita percebe a polarização crescer no país. O governador Castro, autor do crime, tem sua aprovação crescer ao mesmo tempo que sua desaprovação — ou seja, na direção da polarização —, o que obriga os grupos e partidos de centro a buscarem proximidade. Esvaziam-se as tentativas desse centro e a base do antipetismo reagrupado na extrema direita.
Resumindo: o centro político mais uma vez tende a se esvaziar, e a esquerda vai enfrentar a extrema direita em 2026.
O que se diz é exatamente isso: que a direita já está reposicionando suas campanhas para enfatizar segurança pública e atrair votos nessa direção, buscando minimizar os ganhos sociais e econômicos onde o governo obtém sucesso.
Quando me lembro de candidatos desconhecidos invadindo hospitais durante a epidemia de Covid para falsas denúncias e escândalos somente para atrair atenção — e muitos deles foram eleitos assim —, e que estavam se afastando desse estilo para seguirem suas carreiras políticas, imagino essa turma se alinhando novamente ao recente desastre humano promovido pela chacina e vendo aí mais uma oportunidade de fazer a demagogia vencer.
Não vi ainda pesquisas de opinião sobre os efeitos na aprovação do governo federal no episódio; me parece efeito mínimo, se algum houve. É verdade que, de início, uma onda de críticas começou a ocorrer, seguindo a fala mentirosa do governador do Rio, Castro, quando afirmou ter sido abandonado pelo governo federal, a quem teria pedido ajuda. No que foi prontamente desmentido, as manifestações de apoio ou críticas voltaram a espelhar a atual divisão polarizada — com a diferença de que o bolsonarismo, ou o pós-bolsonarismo, encontrou uma bandeira.
Enquanto os mortos são rapidamente esquecidos, a política assume a direção — e vamos ver o que vem por aí.
Aprovação de novas leis, consórcios oportunistas, CPIs para atrair eleitores.
O combo completo para tudo permanecer no mesmo.
Para a disputa presidencial, não vejo mudanças. Aqui e ali alguns nomes estão sendo reforçados; a opinião pública, ao mesmo tempo que apoia a repressão, mostra que entende não ser a melhor solução, sem antecipar nessa ambiguidade posições definidas.
Exatamente para isso servem as campanhas e o momento do voto: definir posições.
Então, vamos aguardar para saber — sem sustos, sem temores exagerados, lúcidos e acreditando no melhor projeto: inclusivo, humano e de combate à pobreza com distribuição de renda.
Sem esquecer de defender a população dos criminosos e bandidos — inclusive aqueles que mais lucram com a violência e o tráfico: milicianos e chefões que não moram nas favelas.
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De forma resumida, foi exatamente esse o inteiro teor da defesa de Bolsonaro – que ele desistiu de dar o golpe -ao entrar com recurso contra as condenações no processo dos golpistas.
É importante ressaltar que defesas técnicas, sobretudo em processos criminais, não seguem a lógica e a intenção do acusado. As defesas se desdobram em iniciativas para evitar a prisão e, quando sem saídas, apelam para teses desesperadas.
Assim deve ser lido esse “assumir de culpa”. Para Bolsonaro, isso não é, nem de longe, seu pensamento — muito menos o de seus eleitores. Mas, se por um lado mostra a falta de saídas para suas defesas, por outro escancara o desespero diante da prisão iminente.
Moraes deu como cumprida a pena de Cid, e ele já está em liberdade. O ajudante de ordens, que caminhava para o generalato e o comando do mais importante batalhão nacional, é agora um pária, traidor, e jogou sua carreira militar na lama.
A família Bolsonaro deve seguir, nas próximas semanas, o destino do patriarca. Eduardo em breve será condenado; Renan está no mesmo rumo; e Flávio só anda livre porque, em algum momento do governo do pai, conseguiu segurar condenação certa.
Generais e demais seguidores do golpismo, todos condenados, e a direita, sem candidato e sem rumo, tenta — ainda dividida — sair das cordas promovendo e apoiando chacinas.
Acho improvável que consigam sair do nicho onde sobrevivem.
A recente tentativa dos governadores de direita de sair da defensiva, usando o apoio à chacina no Rio como base, mostra a dificuldade do grupo por novas e velhas razões. A novidade é tentar fazer uma frente excluindo o bolsonarismo, mas reafirmando bandeiras do ex-chefe, como a aniquilação física de indesejados. A reação do filho Carlos repete o padrão da familícia no trato de seus interesses: não aceitam ver suas pautas nas mãos de terceiros e, no fim das contas, as iniciativas da oposição de direita de firmar frentes contra o governo Lula acabam por dividir ainda mais o próprio grupo.
Que sigam assim, divididos e sem saída.
Porque essa chacina vai sair cara para o governador Castro, do Rio. Aguardem: são muitos os crimes cometidos, e alguém vai ser responsabilizado.
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Correu enormes riscos o governo Lula nesses dias, com a tentativa da direita de jogar para a esquerda o fracasso do enfrentamento ao crime, tentando encobrir seu ato criminoso de chacinas como uma atitude radical diante da omissão do Estado nacional.
Processo ainda em curso e indefinido, mas até agora com as culpas divididas e com o governador Castro corretamente entendido como maior responsável, pela maioria da opinião pública.
Muita gente na esquerda assustou-se e ainda anda assustada com essa reação extremista, que conta com devido apoio da imprensa oligopolista, ao não somente acolher a chacina como necessária, mas também como uma atitude natural diante dos desafios na segurança pública.
Estamos ainda longe de uma clareza por parte da opinião pública, que, a se valer das interações das redes sociais, não compra a acusação de omissão do governo federal, nem atribui a responsabilidade do combate inteiramente ao governo Lula. As pessoas sabem que quem combate o crime é a polícia militar e civil de seus estados, assim como também sabem das limitações de todos nessa tarefa, inclusive as do PT e de Lula sobre a questão.
Enquanto vamos decantando os terríveis fatos e a classe política reage com propostas de mais leis e endurecimento das penas atuais, os governadores da oposição fazem reuniões com intuito eleitoral e criação de consórcio entre estados, sem a presença do governo federal e buscando surfar na onda de indignação, enquanto se imaginam contrastando com posições de defesa dos direitos humanos, bandeira histórica da esquerda.
As vítimas estão sendo jogadas para debaixo do tapete, o lugar sempre a elas reservado nessas discussões quando a comoção das tragédias exige respostas e, para evitá-las, se busca levar o debate para todos os lados, menos aquele onde as vidas importam.
O governo federal busca preservar sua posição de relativa limitação institucional, ao mesmo tempo que enxerga na justiça e na apuração dos crimes uma resposta possível a ser preservada, porque a afronta dos criminosos, nesse segundo momento, se dirige a impedir que a justiça se imponha.
A pauta da disputa de 2026 se desloca, nesse momento, da economia, da saúde e da educação para debates acalorados e demagógicos sobre segurança pública, como a direita precisava para sair do impasse da ausência de candidato e do crescimento da popularidade do governo Lula.
Os efeitos sobre quem tem razão não saberemos no curto prazo. Uma nova frente de batalha está aberta, e as primeiras vítimas serão esquecidas o mais rápido possível, porque interessa aproveitar para interesses políticos e não resolver os reais problemas.
Essa discussão se encaminha para 2026 e, na eleição, o eleitor vai escolher para onde renovamos nossos objetivos: seguir combatendo a miséria, a fonte de todas as violências, ou criminalizar a pobreza, como temos feito sempre, sem esperança de solução.
A batalha de 2026 fez suas primeiras vítimas. Que nossas escolhas futuras não as deixem morrer em vão. Mesmo sendo bandidos ou não — provavelmente a maioria era —, mortes não resolvem nada e agravam a busca racional de saídas. A morte de policiais, um com apenas 40 dias após sua incorporação à PM, mostra como as vítimas estão espalhadas em todos os lados, sobretudo entre milhares de moradores de comunidades nos morros, na direção das balas assassinas.
Não existe uma solução, mas existem princípios a serem preservados: a vida, as instituições e o combate racional ao crime.
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