O desaparecimento da jornalista Daniela Lima de suas participações na GloboNews desde quarta-feira chamou atenção, especialmente após a repercussão nas redes sociais. Embora eu nunca tenha assistido à GloboNews e, consequentemente, não tenha sentido sua falta, o motivo por trás desse desaparecimento parece estar relacionado a um embate entre ela e dois dos jornalistas mais antigos da casa, sobre aspectos da Lava Jato e a prisão de Lula.
Daniela citou o nome de Lula, mencionou sua prisão e quem a promoveu, e continuou insistindo em sua posição mesmo depois de alertada pela dupla antiga na casa. Quanto à própria Daniela, parece ser inteligente o suficiente para avaliar sua posição e tomar o rumo que lhe convém, embora não tenha ideia de qual será.
O que surpreende é o espanto em relação ao ocorrido. Alguém imaginava que aquele grupo todo sobreviveria tantos anos no jornalismo da casa falando o que pensa? Se alguma vez pensaram alguma coisa, foi antes de aceitar o trabalho que desempenham. Talvez Daniela esteja em uma fase de adaptação ou tenha realmente decidido fazer seu jornalismo no lugar errado.
Ali não parece ser o lugar para jornalismo; nunca foi e provavelmente jamais será.
Quando a mídia golpista solta sua conhecida matilha, ela tem objetivos claros de tentar conter a onda positiva que percebe estar em formação.
Os principais projetos do governo são conhecidos, e os resultados começam a aparecer nas estatísticas. É importante observar que uma melhora de 3% pode parecer pouco significativa, mas quando somada ao longo do tempo, esses pequenos avanços começam a fazer diferença. É quando, para não perder o rumo e as teses, a oligarquia percebe a urgência de atacar, pois sabe que sua riqueza vem do rentismo dos juros mais altos do mundo, do arrocho salarial dos pobres e da manutenção da ignorância. São 500 anos de práticas e hábitos arraigados.
E o que fazem agora escandalosamente, fazem na direção oposta quando convém. Na época dos governos FHC e do plano Real, quando a água começava a bater no nariz às vésperas da reeleição, nenhuma notícia negativa era divulgada. Vivíamos no paraíso tucano enquanto o povo comia calangos, e o FMI financiava a paridade do dólar à força. Claro que, passada a eleição e a vitória de FHC, todo o castelo ruiu; o segundo mandato foi um horror, e o Brasil só se levantou no governo de Lula, talvez por sorte, como era dito e afirmado pela imprensa na época. Assim ficou por anos, até que não fosse mais possível atribuir o progresso a meros golpes de sorte.
Quando ocorreu a explosão da crise do subprime nos EUA, o Brasil e Lula foram talvez os únicos a inverter a lógica da contenção e optaram por uma política de crédito mais farto e consumo, com os resultados extraordinários que colhemos. Na imprensa, seus analistas e economistas tentavam desqualificar a política, e talvez nunca tenham reconhecido a decisão que tirou o país da crise mundial. Quando a Petrobrás descobriu o Pré-Sal, foi outro clássico de ataques sem nenhum fundamento, além de tentativas de desqualificar a descoberta que nos rende frutos e aboliu nossa dependência de importação de petróleo. Ao contrário, exportamos e já supera o agronegócio nos números da balança comercial.
Agora que o Brasil comemora, mais uma vez, números positivos contra a miséria, fome, desemprego e tudo isso com inflação em queda, PIB que é revisado para cima a cada avaliação e reformas fiscal e tributária que se provarão ao longo do tempo, pois são equilibradas e honestas, a mídia venal prefere tocar no rumo oposto. Mais uma vez, quando vê que em breve os aeroportos estariam lotados, os restaurantes cheios, os churrascos de fim de semana disseminados e o filho de pedreiro virando engenheiro.
Não é sorte e nem milagre, é uma descompressão de um povo carente que vive com muito pouco em sua imensa maioria. Quando o Estado se volta para eles, abandonando a concentração de recursos e aplicando políticas públicas inclusivas, o resultado não pode ser outro, senão o que já estamos observando. A questão não é por que dá certo, mas por que outros grupos políticos não adotam a mesma política inclusiva. E a resposta não é simples, pois parece envolver preconceitos e ressentimentos de classe insuperáveis.
É hora de assimilar os golpes, que não fazem nenhum sentido, superar o momento do criminoso encastelado na presidência do Banco Central boicotando o crescimento do país, permitindo, nessa altura, que os juros futuros continuem subindo, postergando investimentos privados, ameaçando o gotejamento da queda da Selic e esquecendo até mesmo de mencionar a inflação em queda, preferindo aderir ao falso coro do ajuste fiscal que eles mesmos nunca foram capazes de fazer.
Já deu certo, minha gente, agora é segurar o boi pelos chifres e seguir em frente
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Como diz o ministro Haddad, 80% do atual patamar do preço do dólar no Brasil se deve à política interna dos EUA. E aumentar a taxa Selic, diminuir seu ritmo de queda ou qualquer coisa semelhante, não ajuda e não resolve absolutamente nada.
Nosso país tem um fluxo suficiente e constante de moeda estrangeira para a promoção das trocas comerciais internacionais, não possui nenhuma dívida em moeda estrangeira e tampouco necessidade de tê-la. Então, por que o estresse?
Muitos dos solavancos da economia mundial e do fluxo internacional do dólar, que agora os EUA sugam para financiar sua dívida interna, que parece impagável para muitos, é a razão dessa movimentação brusca.
Seja verdade ou não, a subida do dólar poderia nem acontecer se outra política de câmbio fosse adotada, e não esse flutuante que temos desde o plano Real. Funcionou até aqui, mas pode ser que no futuro precise de um ajuste para evitar situações como a atual, que duram alguns dias, talvez semanas, e depois se acomodam.
A Argentina, por exemplo, não possui câmbio flutuante, e a moeda está fixa em relação ao dólar desde que o atual presidente assumiu. E não para de receber elogios do nosso mercado e até do FMI.
Toda a falação atual tem a ver com os acertos e não os erros da equipe econômica, que vai na direção contrária do entreguismo e do rentismo preguiçoso, que gosta de ganhar muito sem precisar investir em nada produtivo. Nos últimos 12 meses, o serviço da dívida pública nos custou R$750 bilhões, e você não vê um único analista ou uma única reportagem na imprensa destacando esse ponto. A tal trajetória da dívida depende muito mais da baixa na taxa Selic do que qualquer economia que o governo possa fazer no orçamento.
A Petrobrás, outro exemplo, também não entra nessa onda de mudar todo dia o preço dos combustíveis. O barril bateu em U$90 e está caindo, ainda aos poucos, porque a confusão no Oriente Médio envolve o Irã, que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A explicação para aguardar e ver no que vai dar é simples: 90% da gasolina consumida no nosso país é de produção interna, em Reais, não havendo motivos para flutuar preços acompanhando o exterior. E, mesmo assim, a previsão para o ano é de R$100 bilhões de lucro da Petrobrás, de novo, sem contar a Faixa Equatorial, que já vem por aí.
O que precisa acontecer é a queda dos juros internos e a vergonha na cara do Bolsonaro do Banco Central, que o governo discretamente sugeriu uma substituição a longo prazo, sem explicar o que seria. Torço por uma transição que comece ontem e termine agora.
Em todo o caso, a maior, mais duradoura, mais eficaz e mais importante reforma fiscal para o Brasil neste momento é a redução das taxas de juros Selic.
Nosso Lula está na Colômbia e afirmou que nunca a América Latina esteve tão desunida. É de fato triste concordar com a fala do presidente e perceber como os nossos interesses comuns são cooptados e negociados por migalhas.
Podemos continuar atribuindo a culpa aos de fora, pois eles têm parcela de culpa no interesse de manter a América pobre, desunida e fraca, mas nessa altura dos séculos, a resposta está mais aqui do que em qualquer outro lugar.
Mesmo nosso Brasil acabou de substituir o idiota que promovia desunião e tinha como orientação diplomática com nossos vizinhos a ofensa e o abandono dos mínimos cuidados dos nossos interesses. E não ficava só no nosso continente as ofensas, parceiros mundiais como China e França eram igualmente desprezados.
Agora temos por vizinhos alguns filhotes do mesmo ninho, que preferem manter os países do sul distantes uns dos outros e acalentados por outros, sobretudo os EUA, que, por exemplo, estão por instalar uma base militar na Patagônia e assumir o controle do tráfego marítimo do Prata, sem nenhum motivo para isso que não a submissão humilhante.
Entre nós estamos centenas de anos atrasados, até nossos laços físicos de acesso entre os países praticamente inexistem, são poucas as pontes, os voos, as estradas e ferrovias que nos unem. Assim como Darcy explicava sobre o que faziam com a educação no nosso país, que a baixa qualidade não era um acaso, mas um projeto, também a integração entre nós na América do Sul segue o mesmo projeto de isolamento. E as ações recentes do fascista brasileiro nessa direção e as atuais do presidente argentino não deixam dúvidas.
E se entregam por nada, apenas por vira-latinhice mental e falta de visão nacional. Esses que veem a destruição como a arma para manter privilégios e usam o caos e a pobreza como instrumento de controle social.
Mas não dura, fracassam miseravelmente, pois é impossível permanecer destruindo por muito tempo, mas como destruir é rápido e fácil, o trabalho de refazer é demorado e custoso, e resultados demandam tempo, repetem de tempos em tempos o descalabro e voltam para destruir aqui e ali eventualmente.
Perceba o caso do nosso déficit fiscal em discussão atualmente, atribuem ao atual governo o crescimento da dívida total em 1 trilhão, o que em números absolutos é verdade. Esquecem de explicar que o déficit é composto pelos gastos do governo e pelo pagamento do serviço da dívida pública, que depende da taxa Selic do Banco Central, administrada de forma independente pelo bolsonarista Campos Neto, com mandato até o fim de 2024. O que fez e faz esse cretino? Mantém as nossas as mais altas taxas de juros do mundo, gastando trilhões no pagamento do serviço da dívida, enquanto o gasto do governo é uma fração dessa montanha de dinheiro que corre para investidores, bancos e empresas, inclusive e sobretudo as de mídia tradicional.
Mas quem é acusado é o governo atual, pior, ameaçam parar de reduzir a queda dos juros, provocando piores projeções econômicas e aumentando o desequilíbrio orçamentário que dizem querer proteger.
Não é um caso isolado, é o exemplo do desafio de integração nacional que prescinde da internacional. Desorganizar a economia doméstica é o pressuposto da entrega das riquezas para os países ricos e a desculpa da falta de investimento humano e físico nas economias dependentes do sul. E entre nós permanece a inércia do desamparo e a distância cultural e afetiva que muito mais nos une do que qualquer barreira possa impedir.
Temos entre nós quem mexe o tabuleiro da integração, faz uso de todas as armas disponíveis e trabalha sem cessar por esse horizonte. Precisamos de mais, de outros, mas os resultados virão.
Nos últimos dias, um estresse pode ser sentido no clima geral do país. Dá para perceber que o início do genocídio dos palestinos despertou a extrema direita, antecipado pela imprensa venal em sua visão distorcida do mundo. Desde então, não se viu mais nenhuma racionalidade na cobertura do genocídio palestino, sem apelar sequer para a humanidade, totalmente inexistente na cobertura.
A excitação parece ter disparado o apito que movimenta os extremistas. Não é a direita ensandecida que inicia o levante; ele vem escorado no ódio das palavras e reportagens cobertas de falsas premissas, que escondem a verdade dos fatos. É exatamente onde os extremistas constroem seus castelos de mentiras, retroalimentados pelo viés reacionário e cruel da cobertura da mídia sobre a destruição física e humana da Palestina.
Nesses meses, todas as iniciativas do governo para conter os massacres foram atacadas. Enquanto o tempo foi dando razão às palavras do presidente Lula e falar de genocídio agora não assusta ninguém, no início, cada ação de defesa das vidas e apelos diplomáticos contra os massacres era apedrejada pela mídia, que trouxe assim o extremismo de volta à pauta nacional, quando eles estavam acuados com a perspectiva de criminalização de seus atos passados.
De lá para cá, a frente fascista na política, que inclui o atual presidente da Câmara por atos e o do Senado por omissão e interesses eleitorais , foi escalando pautas reacionárias para segurar tanto o STF e seus inquéritos contra esses extremistas, quanto a condução da própria economia do país, que vai se ajustando enquanto enfrenta o saque de bilhões no orçamento por parte do Congresso e tentar evitar que o ajuste fiscal pela arrecadação possa se consolidar.
O Brasil é como um trem no trilho torto, e o Congresso Nacional é uma miríade de interesses dispersos. Se é verdade que sempre foi assim, também é verdade que, desde líderes do tipo Eduardo Cunha e agora Lira, a venalidade submersa encontrou canal para escoar seus piores instintos.
E se agora o STF procura remendar a barragem furiosa que ajudou a encher de furos, o mesmo não se pode dizer de todos os seus integrantes, muito menos de grande parte de juízes e promotores espalhados Brasil afora, que não se conformam com a justiça social e o cumprimento da constituição e agem mais para defender seus interesses e da classe social que representam.
Agora, temos no executivo um polo conciliador e racional, que procura negociar saídas e prover a justiça social e econômica, enfrentando a fúria conservadora que de tudo faz para barrar um país que precisa crescer e fazê-lo incluindo o máximo de pessoas possível. Mas, até recentemente, não era assim; o executivo era de todos poderes o polo mais desagregador e irracional, que destruía tudo que colocava os olhos e onde interesses estranhos dominavam a conduta.
Pouco mais de um ano e enfrentando os maiores juros do mundo e guerras externas, somados aos fascistas acuados e sem liderança para a próxima eleição presidencial, e a velha imprensa que vive dos juros que sustenta enquanto critica a dívida pública que ela mesma alimenta.
E se sempre foi assim, também é verdade que não basta só acreditar no rumo que o governo busca a todos alcançar; é preciso entender que nesse tipo de atuação é preciso sangue frio e coragem, para manter firme o rumo traçado, corrigindo eventualmente onde necessário.
O que quebra a onda reacionária é a economia, de onde atacam sem parar exatamente porque sabem. Com o STF, mesmo com alguns sem noção por lá, mas com sua maioria agindo de forma mais racional e a firme condução política e econômica do governo nos isolando do fascismo e pautando o Congresso venal, que dá seus gritos tentando inverter prioridades, vamos seguindo.
Faz parte, temos tempo para organizar o estrago e recolocar o país nos trilhos; depois, vamos poder aproveitar melhor a paisagem sem tantos solavancos.
Até lá é enfrentar a pauta da imprensa, os juros do Banco Central e os espasmos do Lira caminhando para o ostracismo.
Ministro Barroso, se alguém tinha alguma dúvida, rasgou de vez a fantasia que fingia usar nos últimos meses, enquanto os processos contra os lavajatistas vão chegando ao momento decisivo do julgamento, e decide atropelar tudo e todos na defesa dos juízes e desembargadores do TRF4 e da vara do ex-juiz Moro ocupada pela juíza Hardt.
Talvez tenha sido um dos mais vergonhosos julgamentos da história do cambaleante judiciário nativo, onde a defesa dos crimes se deu na base de que eles não se efetivaram, o que não pode negar a intenção expressa nos atos assinados e nos ofícios encaminhados, sem falar nos diálogos entre todos os envolvidos, como nos revela o inquérito na Spoofing.
A existência da fundação que seria administrada pelos procuradores, bilionária, criada a partir do enredo da Lava Jato, viabilizada pelo dinheiro obtido em acordos venais que sangravam o caixa da Petrobras e para uso nas piores práticas imagináveis, até uma rede própria de televisão estava na lista da gangue. Tudo isso é inegável, insuportável e insuperável, só resta a negação ridícula e absurda, mas que cobra um preço absoluto na falsa imagem de magistrado que o pavão Barroso tentava emplacar atualmente.
Ele mesmo um membro ativo do lavajatismo, ele também combinando decisões e antecipando julgamentos, ele também apanhado nos diálogos que vazaram e constam na Spoofing ainda aguardando consequências dos crimes ali praticados.
Recentemente, membros do STF, Moras, Dino, Zanin e Gilmar, procuraram o presidente Lula para obter apoio do executivo para as decisões do STF que enfrentam o fascismo na política e na imprensa, que mantêm o STF sob fogo cerrado. A ausência do atual presidente do STF, Barroso, nesse tipo de iniciativa tão relevante, ele que não perde uma chance de protagonismo, deixa evidente o tipo de prioridades do ministro, ocupado em proteger os fascistas da Lava Jato, apagar as suas próprias pegadas na operação e, segundo diz, virar a página.
Não vai colar. E dizem que sua atuação de defesa do lavajatismo não pegou bem na ala anti-lavajatista do STF, a disputa andava quieta pode acordar.
Enquanto os falsos analistas econômicos, apoiados pelos jornalistas do PIG, não falam em outra coisa senão a mudança da meta fiscal para superávits menores, coisa de 0,25% pra lá e 0,5% pra cá, preservando o reajuste do salário mínimo e o investimento, a taxa de juros criminosa praticada no Brasil consome 7% do PIB anualmente, indo toda essa fortuna parar no bolso dos ricos.
Não dá para levar essa gente a sério. O que o governo faz de maneira educada e paciente, com o ministro Haddad anunciando a mudança na meta fiscal enquanto aponta espaço para quedas maiores nos juros.
Em 2024, acredite, as taxas reais de juros, que já eram as maiores do mundo, aumentaram! Sim, a queda da taxa acontece em ritmo menor que a queda da inflação e os juros reais estão crescendo e não diminuindo.
O noticiário econômico entrou em transe com a correta decisão de rever a meta fiscal para os próximos anos, que por sinal manteve uma trajetória equilibrada, como tem sido sempre nos governos do Lula, do PT e do Haddad.
O gozo por críticas sempre acima do tom e tendenciosas, negativamente, sempre, não faz nenhuma diferença quanto ao conteúdo da medida: tirar a faca do pescoço.
A realidade de guerras e conflitos, ainda no rescaldo da crise da Covid que desorganizou o comércio mundial e encareceu produtos, além do choque mundial de juros para refinanciar os gastos extraordinários da pandemia, estão todos alinhando e os percalços são conhecidos. Não os detalhes de cada um, a guerra, por exemplo, não está no cálculo de ninguém e acrescenta cenários ruins e imprevisíveis.
Mas é a vida.
O que compete ao governo que governa é se ajustar, adaptar e reprogramar seu orçamento, de onde afinal tudo vai desembocar no fim de tudo.
A economia continua com bom andamento, inflação controlada e PIB em modesto crescimento. O alvo do governo ao propor a nova meta fiscal é, sem dúvida, por atraso da entrada do investimento privado na equação geral do crescimento. Os juros mais altos do mundo continuam fazendo estrago, adiando o investimento que sempre tem uma parte de risco que aplicar tesouro e recolher o rendimento é insuperável em segurança para o capitalista. Mas como o horizonte seria de decréscimos sucessivos da taxa, os projetos deveriam sair da gaveta, o que as seguidas declarações do presidente do BC e sua morosidade criminosa no trato da coisa pública adiam e postergam em cada palavra que sai de sua boca.
A solução então é dar uma empurrada para os dois últimos anos, aí sem a presença desse agente do caos e da crise, o bolsonarista que adia o nosso progresso. Com a nova decisão de adiar o superávit das contas para 2027, o governo liberou R$ 196 bilhões do orçamento para seu uso, garantindo o reajuste do salário mínimo e mantendo seus investimentos.
Desde o início do arranjo no novo arcabouço, a dependência do acerto das contas estava na arrecadação e não no corte do investimento. O que para os agentes do mercado e ideólogos antipopulares é inadmissível. Tanto faz, perderam, e o governo, como ainda não conseguiu domar o dragão dos juros exorbitantes do BC, que é o último agente infiltrado ainda capaz de fazer estragos, adiou o ajuste para abrir espaço para o crescimento fazer a sua parte no ajuste das contas públicas, sem, importante saber, comprometer o crescimento do país, que é de onde virão os recursos para mais investimentos e o aguardado ajuste fiscal das hienas.
A estratégia de estressar a opinião pública com escândalos sobre problemas que ela nem sabe que tem, para ocultar os verdadeiros que não quer enfrentar – ou prefere ocultar – é uma velha tática de propaganda política.
Sua eficácia independe da realidade objetiva na maioria das vezes, uma vez que apela aos instintos e não à razão.
Assim tem sido desde sempre, mas a atual quadra exponenciou de forma impensável e inédita o alcance da estratégia, plantando e colhendo resultados tão grandes quanto rápidos.
O enxame de mentiras e absurdos é produzido em escala industrial, vale tudo, como sempre valeu. Observe, a novidade é a constante renovação de ataques que, de uma hora para outra, produzem estragos disseminados. E partem para outros igualmente deletérios no segundo seguinte, acumulando mal estar constante. Independente de estarem no poder ou não, o importante é manter a sociedade em constante tensão.
O fundamento psicológico na estratégia e o quanto ela é conhecida podem ser esclarecidos com uma pequena pesquisa na psicologia das massas. O que os manuais estão aprendendo nos dias atuais é sobre a capacidade de alcançar indistintamente e manter toda a pauta diária em discussões e debates inúteis.
Em todo o mundo, a discussão sobre como lidar com o problema está aberta. Por aqui, além de estarmos enfrentando o mesmo desafio global, temos acrescidos os jabutis que a velha mídia tenta impor na discussão. Além da remuneração por conteúdo, que é um tema sério da questão e merece resposta, incluem a responsabilização das plataformas sobre o conteúdo, que também é uma questão desde que discutida à parte, sem misturar tudo num único e suspeito pacotão.
Por aí se tentou o apoio da velha mídia ao PL da fake news, como se elas não quisessem de alguma forma manietar a concorrência ou deixar de faturar no conteúdo próprio compartilhado. Para além disso, tentam sufocar com o temor das plataformas em enfrentar a corresponsabilidade do conteúdo produzido pelas mídias alternativas, que seriam sumariamente descartadas.
Os ataques da velha mídia a Moska, não se iluda, apoiam o tal controle das fake news. Vem daí uma oportunidade de reiniciar a discussão perdida do PL 2630 – o PL das fake news – que foi deixada de lado no congresso por causa do enrolo que o relator Orlando Silva tentou contornar, incluindo alhos e bugalhos no projeto de lei. Isso provocou sua rejeição. O presidente da Câmara, Artur Lira, viu uma oportunidade e reabriu a discussão, assumindo para si a tarefa de refazer o projeto. O que vem dificilmente é coisa boa, e pode ser o canto do cisne do Lira, com poucos meses de legislativo à frente, com a eleição municipal no calcanhar.
O Irã respondeu ao ataque à sua embaixada na Síria com drones e mísseis direcionados para a base dos aviões no deserto do Neguev, em Israel. A base de onde partiram os aviões que destruíram a embaixada e mataram 6 generais iranianos que lá estavam.
Após essa blitz relativamente contida e anunciada, até navios de guerra dos EUA estavam deslocados para a região, sabendo do ataque, o Irã comunicou que encerrava a operação de autodefesa.
Israel convocou uma reunião de emergência na ONU, sim, onde eles mesmos não respeitam nenhuma decisão, e vamos aguardar até o fim do dia o que vai acontecer.
O mais provável é que mais sanções do G7 sejam anunciadas e o isolamento do Irã com o Ocidente se aprofunde.
O preço do petróleo subiu de véspera porque todos sabiam do ataque. Provavelmente amanhã cairá para os valores anteriores, que estavam altos.
Israel recebeu uma represália pela primeira vez na história diretamente em seu território do Irã, sem dúvida nenhuma por conta da região manchada de ódio e sangue pelo genocídio do povo palestino. O mundo multipolar também tem culpa do ataque, no sentido do enfraquecimento da pax americana. Um novo arranjo estratégico multipolar está em ajustes e até lá a coisa vai ser perigosa, conflituosa e imprevisível.
Biden está recuperando o espaço perdido nas pesquisas e pode estar ligeiramente à frente agora. Voltar a falar e participar de guerras é tudo o que ele não precisa, mas Netanyahu é muito mais aliado de Trump do que dele. Embora Trump não apoie guerras, o principal motivo que o levou à vitória na disputa anterior.
Acho que ficamos assim por enquanto, mas se tem um assunto que sempre quero encerrar e não acerto previsão é quando falamos de guerras. Não consigo penetrar na cabeça de quem atira bombas.