
Nestes dias em que completamos 30 anos do Plano Real, algumas poucas vozes dizem sentir saudades de FHC e seu governo.
Eu defendo a tese de que o Plano Real foi mais uma imposição do Banco Mundial e do FMI do que uma ideia de economistas brasileiros. Além daquela coisa estranha chamada URV, que não fez nenhuma diferença, o plano foi, na verdade, uma reforma fiscal que proibiu os estados de contraírem dívidas, a aprovação da lei de restrição orçamentária e um arrocho que levou o povo à fome. A inflação morreu por falta de demanda, basicamente foi isso. Claro que para um país que convivia com inflação de 2000% ao ano, foi uma grande conquista. Mas minha tese está amparada nos demais países latino-americanos, todos na mesma época conviviam com inflação alta e dívida externa impagável, todos foram se ajeitando com arrocho e as ordens do FMI e do Banco Mundial. Nenhum outro país lançou mão da esdrúxula URV e não fez diferença. A inflação foi praticamente varrida do continente com a evolução da administração pública, o melhor entendimento do funcionamento das economias dependentes do dólar, como as nossas.
FHC, fora o Plano Real, nada mais realizou. Precisou vender empresas públicas para financiar seu câmbio fake, a Vale foi vendida por uma fração do seu valor real, o desemprego era total. E sobre o desemprego, muitas vezes ouvi o próprio FHC dizendo que não tinha jeito e desempregados eram na verdade desocupados. A palavra da época era ‘imprestáveis’; as revistas publicavam longas reportagens sobre o excesso de engenheiros, advogados e dentistas, numa época em que apenas 2% da população conseguia concluir um curso superior. Além de fazer um péssimo governo, precisou comprar o Congresso para obter o direito de concorrer ao segundo mandato, segurou o câmbio para não prejudicar sua reputação, quebrou o Brasil de tal maneira para conseguir vencer a reeleição que passou seu segundo mandato inteirinho com a economia absolutamente parada, fazendo acordos cada vez mais venais com o FMI e o Banco Mundial.
Essas são as lembranças que tenho. Juros de 20% reais ao ano para convencer as pessoas a girar os títulos da dívida e apagão de energia elétrica nas principais cidades do Brasil, por falta de investimento e manutenção, além de dinheiro, na produção de energia elétrica. Me lembro que para descer de elevador nos edifícios centrais de BH, todos temiam ficar horas presos esperando a energia retornar. E o temor não era infundado, era comum acontecer.
Seus economistas do Real e do Banco Central viraram banqueiros milionários, seu ex-presidente do BC foi pego com uma mala de 1 milhão de dólares em dinheiro dentro de casa pela PF. FHC mesmo nunca explicou como adquiriu fazendas de gado e apartamento em Paris em zona de milionários europeus. Era este o príncipe da sociologia no Brasil, autor da teoria da dependência, onde ensinava que jamais seríamos capazes de nos livrar da influência dos EUA e o melhor a fazer seria relaxar e obedecer ao nosso dono do norte.
Comemorando seu governo só mesmo quem ganhou na época, e foram poucos, mas quem ganhou, ganhou muito. O resto, comia calangos, como mostrado em outra capa de revista da época.
30 anos de engodo, um sucesso importado e blá-blá-blá da imprensa. A mesma que elegeu Collor, Temer e Bolsonaro. Como visto, qualquer um serve, menos quem apoia o desenvolvimento do Brasil e protege seu povo e patrimônio.
Saudades? Nenhuma!









