Não é o caso de fazer uma análise pormenorizada da melhora de imagem e aprovação do presidente Lula, na pesquisa Quaest de hoje
Mas tem alguns pontos que merecem destaque.
Para além do crescimento da aprovação entre aqueles que ganham até 2 salários mínimos, também aumento de aprovação entre evangélico e moradores do sudeste, o que me chamou mais a atenção foram dois outros pontos específicos.
O primeiro que a economia vai deixando de ser a maior preocupação dos brasileiros , com a segurança empatando em primeiro lugar. Se por um lado o discurso da segurança pública poderia favorecer a oposição ao atual governo, também é verdade que o próprio governo pode assumir um discurso mais contundente nessa área específica; o que parece querer fazer a atual ministro da justiça, Lewandowski. E, quanto a percepção de melhoria na economia, aqui o governo não divide com ninguém os méritos.
Muito ao contrário .
Outro aspecto que chamou a atenção nessa pesquisa da quaest, foi como a presença do Lula nas rádios foi notada. 41% dos entrevistados sabem que Lula tem aparecido com frequência nas rádios. E , mais, a grande maioria concorda com aquilo que ele diz, com índices superiores a sua aprovação, sugerindo que até quem não vota no Lula concorda com o que ele anda dizendo nas rádios.
E , finalmente, entre os temas mais conhecidos e aprovados das falas estão exatamente as críticas as altas taxas de juros praticada pelo BC. Nesse aspecto Lula consegue quase unanimidade ao criticar o Banco central, provando que os ataques que recebeu sobre as críticas vieram de onde sempre dissemos: dos privilegiados, da mídia oligopolizada e dos aproveitadores.
Ah, e teremos consequências positivas dos números nos resultados eleitorais. Como a boca do jacaré abriu, melhores índices podemos esperar nos próximos meses, exatamente durante o pleito municipal.
Agora, com um relativo distanciamento, passados alguns dias e o comportamento equilibrado do câmbio com os acontecimentos internos e externos, dá para arriscar mais algumas reflexões sobre o episódio da subida repentina do dólar.
E, como observei em post anterior, começa por aí: a valorização do dólar não foi tão repentina, mas uma sequência de tentativas especulativas que acabou encontrando uma brecha retórica para se impor.
E começou não com as críticas do presidente Lula, mas com as seguidas justificativas do BC na figura do Roberto Campos Neto, que encontrou nas críticas ao equilíbrio orçamentário a repercussão várias vezes tentada anteriormente, todas no sentido de justificar as altas taxas de juros, desqualificar a condução econômica e boicotar o atual governo de quem faz oposição.
Não é o caso de relembrar todo o discurso do bolsonarista impenitente, que vem desde o início do ano e passou por desculpas sobre núcleo de inflação elevado, depois diminuição do desemprego e aumento de renda, e desaguou no desequilíbrio orçamentário. Campos Neto tem sido, talvez, o maior ventríloquo do mercado financeiro parasita que já passou na presidência do BC que me lembre.
Foi no bojo da reação a esses juros injustificados, e não é de agora, que o presidente Lula colocou a boca no trombone, meses e meses de reiteradas críticas. O que mudou recentemente e estamos tentando entender, foi que Lula encontrou nas entrevistas diárias que passou a dar nas manhãs, em rádios locais e relativamente modestas nacionalmente, uma repercussão que passou a pautar toda a mídia e melhorar os seus índices de aprovação.
Foi contra isso que veio a reação, não somente do mercado financeiro, mas de seu braço siamês midiático corporativo, ressoando uma crise inexistente, muitas e muitas vezes tentada antes, mas que encontrou uma brecha na soma de incertezas do debate sobre os juros americanos, um aumento dos alimentos no Brasil por diversos fatores e, aí sim, a retórica pesada de todos os lados sobre os rumos dos juros internos, que Campos Neto encobriu atacando o equilíbrio fiscal, no que foi seguido pela mídia corporativa.
Dessa soma de fatores, a tal crise se retroalimentou, passou a ser cada vez mais forçada e artificial, começou a incomodar todos os agentes econômicos, também o governo, e uma pausa não combinada entre os interesses de todos foi feita. Com o esvaziamento do balão especulativo, imediatamente e até o momento, assim permanece.
Subidas e descidas do dólar, infelizmente, acontecem ao bel-prazer dos interesses dos EUA; mais da metade de todo o dinheiro que circula nas bolsas de valores do mundo passa por lá, mostrando o tamanho da encrenca que é enfrentar esse monstro. E as medidas de cortes orçamentários anunciadas e o silêncio de Lula sobre o BC, nem de longe, seriam capazes de provocar e muito menos conter ataques especulativos fundamentados em crises de pagamentos ou qualquer motivo relevante interno. Como não havia o que sustentar, o balão da crise estourou e desce lentamente, enquanto Campos Neto, agora em férias, e a mídia preparam e procuram outro assunto para explorar e pressionar o governo a tomar medidas impopulares e desnecessárias, no objetivo nunca oculto de prejudicar e tentar que outro chegue ao poder para impor os programas liberais fracassados.
Me parece isso: um alinhamento de episódios desconexos e não relacionados que foram empurrados para o balaio da crise, devidamente esvaziado por excesso de peso.
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Do caso do roubo das joias, diz a imprensa se tratar das mais graves acusações ao ex-presidente até agora, nivelando com a falsificação do cartão de vacina e a tentativa de golpe de estado.
Manter parelhas uma falsificação de cartão de vacina e um golpe de estado já seria chocante.
E o crime de falsificar cartão de vacinas é o que quando comparado a negar a pandemia e não fornecer vacinas a tempo para salvar milhares de vidas? E, por fim, a tentativa de golpe de estado alinhada na mesma prateleira desses crimes de roubar jóias e falsificar cartão ? Lembrando que sobre os crimes cometidos na pandemia não temos nenhuma notícia.
E lembremos mais, que o ex-presidente está inelegível porque afrontou o estado de direito e a eleição, mas esses crimes nem saíram do crivo do tribunal eleitoral, mesmo com toda sorte de incitação naqueles 7 de setembros tenebrosos e um passeio de blindados fumegantes na porta dos palácios de poder em Brasília.
Vamos ver até onde chegamos com o futuro processo de tentativa de golpe de estado, esse sim na sequencia dos indiciamentos, que não pode ficar nos bagrinhos. Além do ex-presidente, temos generais naquela articulação terrível; se agora estão escondidos nos pijamas, nada significa, e o julgamento precisa alcançar todos eles, inclusive deputados e senadores, além dos que investiram dinheiro na fracassada quartelada.
Estamos aguardando os indiciamentos de Augusto Heleno e Braga Neto, imperiosamente. Tem outros que formavam e ainda formam o Alto Comando das Forças Armadas, que não podem passar ao largo das consequências de seus atos criminosos. As investigações certamente chegarão lá.
Em algum momento teremos que colocar cada um dos crimes na sua real dimensão, por enquanto vamos no ritmo dos indiciamentos. Mas vamos na seguinte hierarquia. : roubo de joias, falsificação de documento oficial, tentativa de golpe de estado e crime contra a humanidade, no caso das omissões durante a pandemia.
Com a ausência do presidente da Argentina, que preferiu passear em Camboriú na companhia de pares fascistas desocupados, a reunião do Bloco do Mercosul no Paraguai prosseguiu, onde a Bolívia foi definitivamente integrada ao grupo. Além da Bolívia, o Panamá solicitou ingressar no bloco, que assim vai se espalhando e fortalecendo.
Sob muitos aspectos, a ausência da Argentina é uma lástima, como foi expressado pelo presidente do Uruguai e por Lula. A crise argentina provoca uma queda geral nas transações econômicas do bloco e seria do interesse comum buscar alternativas e melhores soluções, que parecem não interessar ao maluco que preside o país vizinho. Só com o Brasil, a queda do comércio superou 50% em junho. Apesar das lamentações, é melhor destacar as afirmações de comprometimento do bloco com o país, acima de seus líderes eventuais e passageiros.
Lula avança nas propostas de moeda local nas transações, que não é uma moeda comum impossível. São apenas mecanismos de liquidação financeira nas trocas comerciais através de caminhos ainda por serem criados. Mas a ideia não sai de pauta, inclusive nos BRICS. O dólar segue como uma ameaça a ser neutralizada o mais rápido e indolor possível, e os avanços, mesmo que tímidos, seguem.
Lula seguiu para a Bolívia, onde pretende firmar acordos no fornecimento de gás e promover a navegação pluvial, além de hidrelétricas nas fronteiras.
No Sul Global, tudo parece ainda por fazer: integração das economias, acessos terrestres, pontes, estradas, viadutos e uma novidade que ouvi ontem de Lula na coletiva após o encerramento da cúpula: cultura.
Talvez o fim esteja mesmo no início de tudo, que os povos do Sul se reconheçam como irmãos. E a troca econômica não vem antes da cultural, no mínimo simultaneamente.
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O ex-líder do desgoverno anterior, Ciro Nogueira, a reboque dos resultados das eleições europeias, sobretudo na França, reconheceu que a direita extremista não ganhará eleição no Brasil se mantiver o discurso fascista atual e apostar nas fake news e pautas morais. E dá para ver a dificuldade nas municipais que estão chegando.
Nogueira não é dos bobos; tem história , inclusive nos governos anteriores de Lula e Dilma, além de ser o parceiro do Lira no partido do centrão, o PP.
Nos EUA, a campanha de Trump, que andava trôpega e parecia patinar, preparava-se para desferir esse tipo de campanha, baseada no ataque pessoal, nas mentiras e escândalos, sem deixar de lado a homofobia, o ódio aos imigrantes e coisas que tais. Por conta do desempenho de Biden, claramente limitado por problemas cognitivos, mudou o foco e vai insistir na impossibilidade de Biden seguir por mais 4 anos, o que não me parece uma mentira. E além disso, parece que a coisa virou e Trump passa a ser o favorito, se o partido democrata insistir com Biden.
Por aqui, a coisa é mais simples por um lado e mais complicada por outro, porque no impedimento da candidatura do Minto, fora seus outros problemas legais que começam a pipocar para valer, substituir o titular por um nome viável é a tarefa de todo o grupo opositor, e aí que Nogueira sinaliza que não dá pra insistir nos moldes anteriores, e talvez a falta do titular tenha papel crucial na avaliação.
Os nomes aventados para assumir a tarefa são os conhecidos, nenhum tem estofo ou possibilidade de ameaçar a vitória de Lula, até o momento.
Nogueira segue a máxima do centrão em seu desfile de fidelidade: acompanha o chefe até a borda do abismo, mas não no pulo. Ao se antecipar ao fim do Minto, abre as possibilidades para si e seu partido, trabalhar por um substituto do Minto ou aderir ao atual presidente. Seu partido tem votado dividido, mantendo um pé em cada barca até aqui. Talvez uma definição esteja mais próxima. Talvez depois das municipais, se confirmadas as tendências que trazem preocupação ao Ciro Nogueira.
Como imaginado, Haddad direcionou o corte no orçamento de 2025 de 25,9 bilhões em revisões de despesas, sobretudo nos chamados BPC, que são relativos à seguridade social de quem pouco ou nada contribuiu.
Uma explicação sobre a explosão da concessão do benefício durante a pandemia, com o afrouxamento de regras ainda em vigor, explica a escolha da passada do pente fino. Não vem ao caso entrar em detalhes aqui, a ideia é por aí.
Na Fazenda, há quem aposte que ainda uma economia maior será alcançada, além dos 25,9 bilhões de alvo.
Pois bem. Tudo certo, me parece razoável, até justo, que concessões passem por revisões periódicas para ajustar objetivos e alvos. E reconhecer que atualmente o Brasil paga R$ 100 bilhões anuais em BPC e é obrigatório zelar desse montante com cuidado responsável.
O que lamento é que, apesar de justo, certo, correto, zeloso e até uma boa ideia, não deixa de retirar esse dinheiro das mãos de quem mais precisa, enquanto somente 0,5% de queda nas taxas escandalosas dos juros seria suficiente para cobrir com folga esse pagamento.
É o que temos. Na discussão da reforma tributária e na cobrança de impostos da cesta básica, o presidente Lula tentou incluir a carne, acho que somente a de frango, para baratear e aumentar o consumo de proteína. Parece que ainda não conseguiu, mas a bancada da morte está desde já conseguindo diminuir impostos de armas e munições, a mesma que impede a redução do imposto da carne. Entendi que, segundo esses deputados, armas e munições devem estar na cesta básica dos brasileiros e carne não.
É preciso estar sempre atento a esse tipo de discussão e anotar quem defende esse tipo de alucinação criminosa, para serem eliminados nas próximas eleições. Parece impossível, mas a eleição na Inglaterra e na França, nos mostrou esta semana que não, varreu para fora do parlamento alguns nomes que ninguém jamais imaginou. Vamos por aí, porque assim é que chegamos lá.
A propósito, nas próximas eleições municipais, o MST concorre com 700 candidatos em todo o Brasil. Daí, e só daí, dos jovens e idealistas, que virá a mudança.
Confirmada a vitória da esquerda na França e um provável árduo caminho para a composição do futuro governo e escolha do primeiro-ministro. O atual avisou no domingo da apuração que entregaria o cargo nas primeiras horas da segunda-feira, e foi um passo importante para a negociação adiantar. Dependendo do resultado da composição, a ressurreição de Macron pode ser completa ou incompleta, mas ele sai como um dos vitoriosos do pleito, lembrando o resultado das eleições europeias onde a direita fascista venceu e mesmo o primeiro turno da eleição naciona atual, chamada às pressas e imprevista, por um Macron acossado. O resultado do primeiro turno seguia consagrando os extremistas de direita que apontavam para vitória segura, revertida por uma coalizão inédita e inesperada reação dos franceses contra a vitória anunciada dos extremistas. Se bem que não foi a primeira vez que isso aconteceu, o inesperado no caso foi a mudança brusca logo após a vitória nas europeias que parecia indicar que venceriam dessa vez. Mas, não. E estamos muito melhores assim e eles muito mais.
Enquanto a direita perdia a eleição na Europa, por aqui o presidente argentino fazia uma aparição em um encontro dos nossos extremistas, em Camboriú, Santa Catarina. A única coisa de interesse no tal encontro, que contava com a presença do nosso ex entre lágrimas e choros, era saber se o presidente vizinho teria a desfaçatez de repetir as ofensas e ataques ao Brasil e ao Lula. O que não ocorreu, felizmente. Represálias e medidas definitivas de distanciamento entre Brasil e Argentina devem ser evitadas ao limite – o que quase ocorreu ontem – porque presidentes são passageiros, por mais deletérios e negativos que sejam, e os países seguem vizinhos e com interesses mútuos eternamente.
Quanto aos demais presentes no tal encontro fascista de Camboriú, nada a declarar. Eles seguem no limbo mental e visionário das amebas, de onde nunca deveriam ter saído.
A presença do atual governador de SP merece uma nota, mas ele aparentemente não empolga nem seus pares com seu discurso frouxo e vazio. Sua dependência do ex-chefe (atual?) me parece total e vai cobrar seu preço futuro em fiascos eleitorais. A ver, entretanto.
Viva a França e nós também, seguimos no caminho certo.
PS .: A notícia de agora é Macron recusando a renúncia do primeiro ministro para dificultar as negociações da formação do novo governo.
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Para Biden, nada poderia ser mais significativo. Se as condições são distintas, porque não se trata exatamente de unir partidos diferentes como fizeram os franceses para derrotar o fascismo (escrevo antes das eleições que ocorrem hoje, baseado nas boas pesquisas), no caso dos democratas, a união em torno de um candidato crível é o necessário – teoricamente – para reverter a derrota certa em novembro.
No caso, a união do seu partido, desanimado e fracionado com a perspectiva de uma derrota anunciada. É justo dizer que não por um presidente desastroso, ao menos no âmbito interno, Biden fez um bom governo. O desastre externo, as guerras, é uma visão de mundo dos EUA que independe de presidente. E aí, novamente, a força de Trump que rompe com tudo, com a democracia, com a seriedade do cargo, com a verdade e até com esse ímpeto belicista. Ele prefere o comércio, na sua visão de que foi isso, e não as baionetas e bombardeiros, que fizeram os EUA serem o que são.
E na França, quando viram a força do apelo da direita mais radical, no continente onde o fascismo põe tudo a perder por sua desmedida loucura, a jogada de Macron pode dar certo. Mas há quem diga que a mirada dele é para mais à frente, quando daqui a três anos a sua própria sucessão estará em disputa e o pleito de agora, que só elege o primeiro-ministro, foi antecipado por sua vontade tentando ganhar tempo para si, acreditando recuperar popularidade no tempo que lhe falta. Na França, a presidência é distinta dos demais países europeus, com muito mais vigor e poder; praticamente nem falamos do primeiro-ministro, que nos demais europeus é onde identificamos o executivo principal.
Se Macron estiver certo e a chegada ao poder dos fascistas na França for contida, mais uma vez, diga-se, fica o exemplo para Biden e seu partido democrata, tão necessitado de união nessa reta final da eleição próxima em novembro.
Observe que aqui no Brasil a prática de unir forças entre partidos, até de programas e candidatos bem distintos, é uma prática corriqueira. É preciso observar que temos muito mais opções partidárias, tantas que nem existem no mundo opções programáticas ou ideológicas disponíveis nessa quantidade, o que provoca a sobreposição de ideias e uma confusão que o eleitor, na maioria, não quer ou não consegue distinguir. É uma desvantagem que temos e, nesses tempos obscuros, pode ser uma vantagem se bem aproveitada. Como Lula costuma fazer, costurando apoios e construindo maiorias nessa confusão partidária nacional.
As novas regras de funcionamento de partido com cláusulas de barreira de desempenho eleitoral aqui no Brasil, têm melhorado o quadro geral de opções, com aqueles nanicos de aluguel perdendo as condições de sobreviver, e aos poucos vamos diminuindo a quantidade exagerada de partidos. Um número ainda maior do que observamos por aí afora permanece, o que às vezes é uma vantagem, como observei.
Viva a França. Que as pesquisas se confirmem e os fascistas, apesar de crescerem ainda mais, continuem fora do poder maior.
Na semana de muitas confusões, pressões, ilações, mentiras deslavadas e fake news a rodo, quando todo o arsenal do mercado financeiro e sua mídia associada, financiada e comprada, o ministro Haddad anunciou que no orçamento de 2025 algo próximo de R$ 25,9 bilhões seriam cortados. Não se sabe ainda onde.
Mesmo sendo feriado nos EUA – o 4 de julho – a bolsa brasileira subiu e o dólar, que apesar de subir no mundo inteiro, mas subir aqui no Brasil ainda mais, deu mais um refresco e segue em queda.
Fácil seria dizer que a fala de Haddad e o fato de Lula não comentar sobre câmbio e BC foram o motivo da queda do dólar, mas não é assim que acontece.
Pesquisando um pouco a trajetória do câmbio em 2024, dá para perceber que, em abril, se tentou elevar o câmbio, porque, mesmo com os juros dos EUA nas alturas para os padrões de lá, o câmbio por aqui vinha comportado, e os operadores se queixavam das poucas oportunidades de ganho. Eles só ganham se o câmbio variar; quanto mais, melhor.
Na minha avaliação, o gatilho sempre esteve puxado, aguardando oportunidade para o ataque. Oportunidade que surgiu em maio, com o BC claramente provocando o governo e Campos Neto na sequência de críticas ao orçamento e aos gastos do governo, desculpas que usou para interromper a queda de juros no Brasil. De lá para cá, a retórica foi crescente, o exterior não ajudou e as condições de ataque contra a nossa moeda estavam postas, e foi o que aconteceu.
Esticaram a corda até onde nem eles imaginavam; só os estrangeiros estavam comprados em 80 bilhões de dólares. Um conjunto de fatores alinhados que, para se justificar, usou as entrevistas de Lula nas rádios como biombo para seguir lucrando.
Na última sexta-feira, Lula esteve em SP na casa de Haddad para um jantar, onde trataram de vários assuntos, entre eles a dificuldade, tendo em vista a pouca confiabilidade da imprensa brasileira, suas limitações e o péssimo serviço que presta na informação. Podiam era vazar desse jantar que eles acham que a imprensa oligopolizada e financista – quase toda ela pertencente a bancos, financeiras e fintechs – faz sempre o trabalho do mercado financeiro, ao mesmo tempo tentando segurar as taxas de juros mais altas e lucrativas do mundo, avançar ganhos no câmbio e boicotar a economia no Brasil e o governo. Mas o que todos concordaram não é que as falas de Lula provocam aumento do dólar, assunto que nem trataram conforme Belluzzo, que estava lá presente, mas a avalanche de má vontade, mentiras, falsidades e distorções que fazem este serviço sujo.
Nesse sentido, a equipe econômica, ai sim, vazou a ideia de Mantega – que estava no jantar – de que um aumento do IOF seria uma boa ideia para conter a especulação. Haddad completou o serviço ao reafirmar o compromisso com aquilo que já estava compromissado – o arcabouço fiscal recém-aprovado -, foi outra iniciativa e, aos poucos, a especulação – ao menos até agora – dá uma parada para realizar lucros e descobrir que não existe nenhum motivo para o Brasil ter moeda desvalorizando nesse momento. Não enquanto obter superávit de R$ 100 bilhões e arrecadação crescendo mês a mês.
A verdade é que não existe entre o mercado financeiro e o governo Lula um acordo permanente, cada um vai se esgueirando nas frestas do outro e convivendo em meio a turbulências eventuais.
Quem me acompanha sabe que eu sempre defendo o novo arcabouço fiscal, porque ele só tem uma razão de ser: ou a economia cresce e o governo obtém os recursos para o investimento ou ele trava o país na recessão e nos cortes orçamentários.
Perceba que aqui só tem uma saída, e aí está o segredo do arcabouço fiscal e a sua existência: o Brasil ou cresce ou o governo fracassa.
O cálculo é cristalino e reconhece a realidade como ela se encontra; para o governo Lula só o crescimento interessa, quando os gatilhos da âncora fiscal permitem manter os investimentos e o crescimento sustentável. Para o governo Lula, não existe a hipótese de queda de arrecadação ou pouco crescimento, ou nenhum, isso significaria administrar miséria e pobreza, coisa que absolutamente o presidente Lula não quer e não vai permitir.
O lado de lá sabe dessas coisas todas, faz de tudo para atrapalhar e impedir o sucesso e o crescimento, para que as travas imaginárias do arcabouço sejam reais.
Elas foram colocadas lá para nunca serem necessárias, eis a questão. O que só o crescimento contínuo pode garantir.
A coisa segue bem, a arrecadação de acordo, o câmbio voltando ao normal, a economia crescendo e o desemprego caindo, renda crescendo. Tudo de acordo com o necessário.
O próximo ano pode ser o melhor de todos, se seguirmos assim e temos tudo para seguir. Ah, e quanto aos cortes do Haddad, vamos ver, mexe daqui e mexe dali e fica tudo do mesmo jeito, é o que eu percebo.
A capa da The Economist é mais uma de outras importantes publicações e editoriais de jornais pressionando o presidente Biden a desistir de sua reeleição.
Os apelos não são sutis, sobretudo quando se trata da cadeira mais poderosa do mundo, mesmo nesse mundo mais diverso e complexo, com outras superpotências ameaçando cada vez mais a supremacia norte-americana.
Quem acompanha a campanha nos EUA não tem dúvidas de que a idade pesou para Biden, como ele próprio reconhece.
Até aqui, ele conseguiu segurar as críticas e apelos; uma reunião de emergência com governadores do partido Democrata convocada acabou por endossar a corrida pela reeleição, até onde sabemos.
O problema, a meu ver, é olhar para os próximos quatro anos e imaginar onde a senilidade de Biden vai estar. Uma resposta honesta não encontra saída senão fazer coro pela desistência aqui e agora.
Que Biden insiste em negar.
Não dá pra cravar o fim da história, talvez substituir um presidente na campanha de reeleição não seja uma tarefa possível. Biden falou em uma semana para uma decisão, melhor, convencimento.
No que nos diz respeito, eu penso que para nós tanto faz Biden ou Trump, talvez em alguns aspectos Trump seja até mais pragmático, com relação a guerras sobretudo, que ele condena. O massacre palestino, que nunca foi guerra, encontra em ambos nenhuma saída; a guerra na Ucrânia Trump prometeu encerrar rapidamente. Sim, o fascismo cresce, bolsonaristas se assanham, mas tudo continua dependendo de nós mesmos; com Biden ou Trump, a resposta está aqui dentro.
Mas o post não é pra falar só dos EUA; o que me motivou a escrever este foi reparar no início do mesmo movimento etarista dos EUA aqui, com a imprensa brasileira bradando as bandeiras da idade avançada do Lula, mirando 2026 e o embate da reeleição. Repare. O próprio ex-presidente começou a falar em loucura.
Ninguém diga que eu não avisei: não vai colar.
Quando chegarmos lá eu explico, mas acho que vocês mesmos vão saber.
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