O ex-líder do desgoverno anterior, Ciro Nogueira, a reboque dos resultados das eleições europeias, sobretudo na França, reconheceu que a direita extremista não ganhará eleição no Brasil se mantiver o discurso fascista atual e apostar nas fake news e pautas morais. E dá para ver a dificuldade nas municipais que estão chegando.
Nogueira não é dos bobos; tem história , inclusive nos governos anteriores de Lula e Dilma, além de ser o parceiro do Lira no partido do centrão, o PP.
Nos EUA, a campanha de Trump, que andava trôpega e parecia patinar, preparava-se para desferir esse tipo de campanha, baseada no ataque pessoal, nas mentiras e escândalos, sem deixar de lado a homofobia, o ódio aos imigrantes e coisas que tais. Por conta do desempenho de Biden, claramente limitado por problemas cognitivos, mudou o foco e vai insistir na impossibilidade de Biden seguir por mais 4 anos, o que não me parece uma mentira. E além disso, parece que a coisa virou e Trump passa a ser o favorito, se o partido democrata insistir com Biden.
Por aqui, a coisa é mais simples por um lado e mais complicada por outro, porque no impedimento da candidatura do Minto, fora seus outros problemas legais que começam a pipocar para valer, substituir o titular por um nome viável é a tarefa de todo o grupo opositor, e aí que Nogueira sinaliza que não dá pra insistir nos moldes anteriores, e talvez a falta do titular tenha papel crucial na avaliação.
Os nomes aventados para assumir a tarefa são os conhecidos, nenhum tem estofo ou possibilidade de ameaçar a vitória de Lula, até o momento.
Nogueira segue a máxima do centrão em seu desfile de fidelidade: acompanha o chefe até a borda do abismo, mas não no pulo. Ao se antecipar ao fim do Minto, abre as possibilidades para si e seu partido, trabalhar por um substituto do Minto ou aderir ao atual presidente. Seu partido tem votado dividido, mantendo um pé em cada barca até aqui. Talvez uma definição esteja mais próxima. Talvez depois das municipais, se confirmadas as tendências que trazem preocupação ao Ciro Nogueira.
Como imaginado, Haddad direcionou o corte no orçamento de 2025 de 25,9 bilhões em revisões de despesas, sobretudo nos chamados BPC, que são relativos à seguridade social de quem pouco ou nada contribuiu.
Uma explicação sobre a explosão da concessão do benefício durante a pandemia, com o afrouxamento de regras ainda em vigor, explica a escolha da passada do pente fino. Não vem ao caso entrar em detalhes aqui, a ideia é por aí.
Na Fazenda, há quem aposte que ainda uma economia maior será alcançada, além dos 25,9 bilhões de alvo.
Pois bem. Tudo certo, me parece razoável, até justo, que concessões passem por revisões periódicas para ajustar objetivos e alvos. E reconhecer que atualmente o Brasil paga R$ 100 bilhões anuais em BPC e é obrigatório zelar desse montante com cuidado responsável.
O que lamento é que, apesar de justo, certo, correto, zeloso e até uma boa ideia, não deixa de retirar esse dinheiro das mãos de quem mais precisa, enquanto somente 0,5% de queda nas taxas escandalosas dos juros seria suficiente para cobrir com folga esse pagamento.
É o que temos. Na discussão da reforma tributária e na cobrança de impostos da cesta básica, o presidente Lula tentou incluir a carne, acho que somente a de frango, para baratear e aumentar o consumo de proteína. Parece que ainda não conseguiu, mas a bancada da morte está desde já conseguindo diminuir impostos de armas e munições, a mesma que impede a redução do imposto da carne. Entendi que, segundo esses deputados, armas e munições devem estar na cesta básica dos brasileiros e carne não.
É preciso estar sempre atento a esse tipo de discussão e anotar quem defende esse tipo de alucinação criminosa, para serem eliminados nas próximas eleições. Parece impossível, mas a eleição na Inglaterra e na França, nos mostrou esta semana que não, varreu para fora do parlamento alguns nomes que ninguém jamais imaginou. Vamos por aí, porque assim é que chegamos lá.
A propósito, nas próximas eleições municipais, o MST concorre com 700 candidatos em todo o Brasil. Daí, e só daí, dos jovens e idealistas, que virá a mudança.
Confirmada a vitória da esquerda na França e um provável árduo caminho para a composição do futuro governo e escolha do primeiro-ministro. O atual avisou no domingo da apuração que entregaria o cargo nas primeiras horas da segunda-feira, e foi um passo importante para a negociação adiantar. Dependendo do resultado da composição, a ressurreição de Macron pode ser completa ou incompleta, mas ele sai como um dos vitoriosos do pleito, lembrando o resultado das eleições europeias onde a direita fascista venceu e mesmo o primeiro turno da eleição naciona atual, chamada às pressas e imprevista, por um Macron acossado. O resultado do primeiro turno seguia consagrando os extremistas de direita que apontavam para vitória segura, revertida por uma coalizão inédita e inesperada reação dos franceses contra a vitória anunciada dos extremistas. Se bem que não foi a primeira vez que isso aconteceu, o inesperado no caso foi a mudança brusca logo após a vitória nas europeias que parecia indicar que venceriam dessa vez. Mas, não. E estamos muito melhores assim e eles muito mais.
Enquanto a direita perdia a eleição na Europa, por aqui o presidente argentino fazia uma aparição em um encontro dos nossos extremistas, em Camboriú, Santa Catarina. A única coisa de interesse no tal encontro, que contava com a presença do nosso ex entre lágrimas e choros, era saber se o presidente vizinho teria a desfaçatez de repetir as ofensas e ataques ao Brasil e ao Lula. O que não ocorreu, felizmente. Represálias e medidas definitivas de distanciamento entre Brasil e Argentina devem ser evitadas ao limite – o que quase ocorreu ontem – porque presidentes são passageiros, por mais deletérios e negativos que sejam, e os países seguem vizinhos e com interesses mútuos eternamente.
Quanto aos demais presentes no tal encontro fascista de Camboriú, nada a declarar. Eles seguem no limbo mental e visionário das amebas, de onde nunca deveriam ter saído.
A presença do atual governador de SP merece uma nota, mas ele aparentemente não empolga nem seus pares com seu discurso frouxo e vazio. Sua dependência do ex-chefe (atual?) me parece total e vai cobrar seu preço futuro em fiascos eleitorais. A ver, entretanto.
Viva a França e nós também, seguimos no caminho certo.
PS .: A notícia de agora é Macron recusando a renúncia do primeiro ministro para dificultar as negociações da formação do novo governo.
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Para Biden, nada poderia ser mais significativo. Se as condições são distintas, porque não se trata exatamente de unir partidos diferentes como fizeram os franceses para derrotar o fascismo (escrevo antes das eleições que ocorrem hoje, baseado nas boas pesquisas), no caso dos democratas, a união em torno de um candidato crível é o necessário – teoricamente – para reverter a derrota certa em novembro.
No caso, a união do seu partido, desanimado e fracionado com a perspectiva de uma derrota anunciada. É justo dizer que não por um presidente desastroso, ao menos no âmbito interno, Biden fez um bom governo. O desastre externo, as guerras, é uma visão de mundo dos EUA que independe de presidente. E aí, novamente, a força de Trump que rompe com tudo, com a democracia, com a seriedade do cargo, com a verdade e até com esse ímpeto belicista. Ele prefere o comércio, na sua visão de que foi isso, e não as baionetas e bombardeiros, que fizeram os EUA serem o que são.
E na França, quando viram a força do apelo da direita mais radical, no continente onde o fascismo põe tudo a perder por sua desmedida loucura, a jogada de Macron pode dar certo. Mas há quem diga que a mirada dele é para mais à frente, quando daqui a três anos a sua própria sucessão estará em disputa e o pleito de agora, que só elege o primeiro-ministro, foi antecipado por sua vontade tentando ganhar tempo para si, acreditando recuperar popularidade no tempo que lhe falta. Na França, a presidência é distinta dos demais países europeus, com muito mais vigor e poder; praticamente nem falamos do primeiro-ministro, que nos demais europeus é onde identificamos o executivo principal.
Se Macron estiver certo e a chegada ao poder dos fascistas na França for contida, mais uma vez, diga-se, fica o exemplo para Biden e seu partido democrata, tão necessitado de união nessa reta final da eleição próxima em novembro.
Observe que aqui no Brasil a prática de unir forças entre partidos, até de programas e candidatos bem distintos, é uma prática corriqueira. É preciso observar que temos muito mais opções partidárias, tantas que nem existem no mundo opções programáticas ou ideológicas disponíveis nessa quantidade, o que provoca a sobreposição de ideias e uma confusão que o eleitor, na maioria, não quer ou não consegue distinguir. É uma desvantagem que temos e, nesses tempos obscuros, pode ser uma vantagem se bem aproveitada. Como Lula costuma fazer, costurando apoios e construindo maiorias nessa confusão partidária nacional.
As novas regras de funcionamento de partido com cláusulas de barreira de desempenho eleitoral aqui no Brasil, têm melhorado o quadro geral de opções, com aqueles nanicos de aluguel perdendo as condições de sobreviver, e aos poucos vamos diminuindo a quantidade exagerada de partidos. Um número ainda maior do que observamos por aí afora permanece, o que às vezes é uma vantagem, como observei.
Viva a França. Que as pesquisas se confirmem e os fascistas, apesar de crescerem ainda mais, continuem fora do poder maior.
Na semana de muitas confusões, pressões, ilações, mentiras deslavadas e fake news a rodo, quando todo o arsenal do mercado financeiro e sua mídia associada, financiada e comprada, o ministro Haddad anunciou que no orçamento de 2025 algo próximo de R$ 25,9 bilhões seriam cortados. Não se sabe ainda onde.
Mesmo sendo feriado nos EUA – o 4 de julho – a bolsa brasileira subiu e o dólar, que apesar de subir no mundo inteiro, mas subir aqui no Brasil ainda mais, deu mais um refresco e segue em queda.
Fácil seria dizer que a fala de Haddad e o fato de Lula não comentar sobre câmbio e BC foram o motivo da queda do dólar, mas não é assim que acontece.
Pesquisando um pouco a trajetória do câmbio em 2024, dá para perceber que, em abril, se tentou elevar o câmbio, porque, mesmo com os juros dos EUA nas alturas para os padrões de lá, o câmbio por aqui vinha comportado, e os operadores se queixavam das poucas oportunidades de ganho. Eles só ganham se o câmbio variar; quanto mais, melhor.
Na minha avaliação, o gatilho sempre esteve puxado, aguardando oportunidade para o ataque. Oportunidade que surgiu em maio, com o BC claramente provocando o governo e Campos Neto na sequência de críticas ao orçamento e aos gastos do governo, desculpas que usou para interromper a queda de juros no Brasil. De lá para cá, a retórica foi crescente, o exterior não ajudou e as condições de ataque contra a nossa moeda estavam postas, e foi o que aconteceu.
Esticaram a corda até onde nem eles imaginavam; só os estrangeiros estavam comprados em 80 bilhões de dólares. Um conjunto de fatores alinhados que, para se justificar, usou as entrevistas de Lula nas rádios como biombo para seguir lucrando.
Na última sexta-feira, Lula esteve em SP na casa de Haddad para um jantar, onde trataram de vários assuntos, entre eles a dificuldade, tendo em vista a pouca confiabilidade da imprensa brasileira, suas limitações e o péssimo serviço que presta na informação. Podiam era vazar desse jantar que eles acham que a imprensa oligopolizada e financista – quase toda ela pertencente a bancos, financeiras e fintechs – faz sempre o trabalho do mercado financeiro, ao mesmo tempo tentando segurar as taxas de juros mais altas e lucrativas do mundo, avançar ganhos no câmbio e boicotar a economia no Brasil e o governo. Mas o que todos concordaram não é que as falas de Lula provocam aumento do dólar, assunto que nem trataram conforme Belluzzo, que estava lá presente, mas a avalanche de má vontade, mentiras, falsidades e distorções que fazem este serviço sujo.
Nesse sentido, a equipe econômica, ai sim, vazou a ideia de Mantega – que estava no jantar – de que um aumento do IOF seria uma boa ideia para conter a especulação. Haddad completou o serviço ao reafirmar o compromisso com aquilo que já estava compromissado – o arcabouço fiscal recém-aprovado -, foi outra iniciativa e, aos poucos, a especulação – ao menos até agora – dá uma parada para realizar lucros e descobrir que não existe nenhum motivo para o Brasil ter moeda desvalorizando nesse momento. Não enquanto obter superávit de R$ 100 bilhões e arrecadação crescendo mês a mês.
A verdade é que não existe entre o mercado financeiro e o governo Lula um acordo permanente, cada um vai se esgueirando nas frestas do outro e convivendo em meio a turbulências eventuais.
Quem me acompanha sabe que eu sempre defendo o novo arcabouço fiscal, porque ele só tem uma razão de ser: ou a economia cresce e o governo obtém os recursos para o investimento ou ele trava o país na recessão e nos cortes orçamentários.
Perceba que aqui só tem uma saída, e aí está o segredo do arcabouço fiscal e a sua existência: o Brasil ou cresce ou o governo fracassa.
O cálculo é cristalino e reconhece a realidade como ela se encontra; para o governo Lula só o crescimento interessa, quando os gatilhos da âncora fiscal permitem manter os investimentos e o crescimento sustentável. Para o governo Lula, não existe a hipótese de queda de arrecadação ou pouco crescimento, ou nenhum, isso significaria administrar miséria e pobreza, coisa que absolutamente o presidente Lula não quer e não vai permitir.
O lado de lá sabe dessas coisas todas, faz de tudo para atrapalhar e impedir o sucesso e o crescimento, para que as travas imaginárias do arcabouço sejam reais.
Elas foram colocadas lá para nunca serem necessárias, eis a questão. O que só o crescimento contínuo pode garantir.
A coisa segue bem, a arrecadação de acordo, o câmbio voltando ao normal, a economia crescendo e o desemprego caindo, renda crescendo. Tudo de acordo com o necessário.
O próximo ano pode ser o melhor de todos, se seguirmos assim e temos tudo para seguir. Ah, e quanto aos cortes do Haddad, vamos ver, mexe daqui e mexe dali e fica tudo do mesmo jeito, é o que eu percebo.
A capa da The Economist é mais uma de outras importantes publicações e editoriais de jornais pressionando o presidente Biden a desistir de sua reeleição.
Os apelos não são sutis, sobretudo quando se trata da cadeira mais poderosa do mundo, mesmo nesse mundo mais diverso e complexo, com outras superpotências ameaçando cada vez mais a supremacia norte-americana.
Quem acompanha a campanha nos EUA não tem dúvidas de que a idade pesou para Biden, como ele próprio reconhece.
Até aqui, ele conseguiu segurar as críticas e apelos; uma reunião de emergência com governadores do partido Democrata convocada acabou por endossar a corrida pela reeleição, até onde sabemos.
O problema, a meu ver, é olhar para os próximos quatro anos e imaginar onde a senilidade de Biden vai estar. Uma resposta honesta não encontra saída senão fazer coro pela desistência aqui e agora.
Que Biden insiste em negar.
Não dá pra cravar o fim da história, talvez substituir um presidente na campanha de reeleição não seja uma tarefa possível. Biden falou em uma semana para uma decisão, melhor, convencimento.
No que nos diz respeito, eu penso que para nós tanto faz Biden ou Trump, talvez em alguns aspectos Trump seja até mais pragmático, com relação a guerras sobretudo, que ele condena. O massacre palestino, que nunca foi guerra, encontra em ambos nenhuma saída; a guerra na Ucrânia Trump prometeu encerrar rapidamente. Sim, o fascismo cresce, bolsonaristas se assanham, mas tudo continua dependendo de nós mesmos; com Biden ou Trump, a resposta está aqui dentro.
Mas o post não é pra falar só dos EUA; o que me motivou a escrever este foi reparar no início do mesmo movimento etarista dos EUA aqui, com a imprensa brasileira bradando as bandeiras da idade avançada do Lula, mirando 2026 e o embate da reeleição. Repare. O próprio ex-presidente começou a falar em loucura.
Ninguém diga que eu não avisei: não vai colar.
Quando chegarmos lá eu explico, mas acho que vocês mesmos vão saber.
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Não há bate-boca na praça entre Lula e um quase ex-presidente do Banco Central.
O que temos é a disputa entre o presidente da República, eleito com um projeto que defende os interesses do crescimento econômico sustentável do país, e um bolsonarista assumido, que está boicotando, com a ajuda do mercado e da imprensa oligárquica, a política monetária neste momento específico, quando todas as moedas no mundo perdem valor em relação ao dólar devido à necessidade interna de financiar a dívida dos EUA. E nós perdemos ainda mais valor, exatamente porque não temos quem nos defenda do ataque especulativo contra a nossa moeda. Pior ainda, quem deveria providenciar os meios para amenizar os efeitos ruins da subida momentânea do dólar faz o contrário e estimula a especulação.
Senão, vejamos:
Está tudo no Google, basta uma pesquisa. Em 2019, Paulo Guedes anunciava a política monetária de juros baixos e câmbio alto, para baratear as empresas e a mão de obra , assim aumentando o investimento externo no Brasil, segundo ele. O que não aconteceu porque faltou coragem para investir naquele Brasil de Guedes/Bolsonaro. Mas o BC de então entrou no jogo e os juros foram para 2% até o fim de 2021, e a inflação foi a 10%, sem que o BC esboçasse incômodo. Quem deu o grito foi Paulo Guedes, invertendo a matriz porque a inflação alta ameaçava a reeleição do chefe. E o que fez o BC? Subiu os juros de 2% para mais de 13%, atendendo ao apelo desesperado do chefe.
Atente que a questão não é subir ou descer juros em função disso ou daquilo, mas a resposta coordenada do BC, do Campos Neto, aos ditames do governo Bolsonaro, com quem atuava afinadíssimo. Exatamente o oposto do que faz hoje, inventando mil desculpas e mil motivos para ignorar a necessidade de diminuir juros para uma inflação atual de 4% e segurar a cotação do dólar em pleno ataque especulativo.
Faltam seis meses de agonia. O governo pode aumentar o IOF para encarecer a aposta dos especuladores, mas negou que o faria.
Em resumo, o bolsonarista do Banco Central concorda e aceita trabalhar em conjunto com o programa de governo dos fascistas, mesmo com o programa derrotado, e a atual orientação na direção contrária ele boicota, despreza, critica e trabalha contra.
Tem meses que trato do assunto, cada vez piora a situação e alguma coisa precisa acontecer para amenizar o estrago.
À luz dos resultados das últimas eleições, estamos vendo a extrema-direita engolindo a direita e o centro democrático, exatamente porque não vê diferença programática e os extremistas estão conseguindo mobilizar os desinteressados na política, ressentidos e fascistas que estavam quietos.
O aumento na participação nas eleições mostra exatamente isso: onde os extremistas estão ganhando espaço, mais pessoas têm comparecido para votar. Talvez motivados pelo temor dos fascistas, algum contingente de democratas desanimados encontrou motivação para comparecer e votar, mas não me parece ainda a reação proporcional e necessária para conter o avanço.
No Brasil, o que chamamos de centro não é centro e nem democrático. É uma massa de interesses que pode se ajustar a qualquer cenário, como tem feito. Mas são eles que perdem espaço para os fascistas, enquanto a esquerda se mantém no seu lugar e ligeiramente recupera espaço. Falando do Brasil, quem está sem perspectiva é o PSDB, acho que o PSB também. O Centrão não trata de perspectivas, mas de sobrevivência, e vai rodando em todos os matizes indefinidamente.
Por aqui, as pautas de direita estão esgotadas. Na véspera da eleição municipal, o presidente Lula começou com entrevistas regionais e diárias e anulou as aparições dos adversários, que estão travados na questão do aborto e, até o momento, sem conseguir emplacar novidades, apesar de insistirem, ou por causa disso.
Até essa improvável confusão no câmbio, que pouco tem a ver com as entrevistas diárias e muito com especulação e juros altos nos EUA, não demoveu Lula de suas entrevistas, que devem ser observadas sob o objetivo de ocupar e estressar a pauta, como tantas vezes fizeram conosco antes e com resultados eleitorais importantes. Talvez, no momento, o veneno aja na direção contrária. Não deixa de ser veneno, mas administrado na dosagem certa pode até ser um remédio.
As bancadas reacionárias do nosso Congresso – e são muitas – vão insistir na pauta moralista, punitivista e conservadora até a eleição de 2026. No mínimo, o provável é que sigam assim indefinidamente.
Cabe aos incomodados reagirem.
Não quero parecer indiferente e nem minimizar os males e retrocessos – e sofrimentos – que essa gente e essas iniciativas promovem.
A crua constatação tem que estar firme em nossas atitudes, conscientes de que é o que restou para aquele enorme contingente de políticos tentar emplacar, porque nada além disso têm para mostrar e nem lhes interessa. Só querem poluir a pauta e aparecer para aquele eleitor igual ou pior que eles próprios.
Que também são aos montes.
Num certo sentido, assim fazendo, a turma dos conservadores encontra espaço para não atrapalhar e às vezes até ajudar o governo a seguir aprovando suas pautas econômicas, claro que o orçamento liberando emendas bilionárias tem que seguir nesse contexto.
Quando isso vai acabar? Depende de quando vamos conseguir eleger bancadas decentes e numerosas suficientes para cuidar do bem comum com honestidade de propósitos e bons projetos, e não essa turba de cretinos.
Até lá, todos nós que somos atacados em direitos básicos com reformas conservadoras absurdas precisamos reagir à altura, cobrando do governo a parte dele, que as últimas semanas mostraram que precisa partir da sociedade a iniciativa para em seguida obter apoio do governo.
Em todos os lugares do mundo, o que mais se vê é gente na rua, exigindo, cobrando e protestando. A onda conservadora obtém maioria, mas não pode, por conta disso, impor pautas ao bel-prazer. A única forma de segurar a atual onda conservadora é o protesto organizado e a exposição das ideias absurdas que promovem. Nem sempre funciona, mas no mínimo fica o aprendizado dos mecanismos de decisão na sociedade e os cuidados e iniciativas mais eficazes de contrapô-los.
Nem preciso citar o quanto estamos precisando disso. Mas a reação contra o PL do estuprador mostrou o caminho.
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Desde seu início, os BRICS aventavam a ideia de substituir o dólar como moeda de referência nas trocas comerciais internas do grupo por suas próprias moedas. Alguns anos se passaram, e a ideia sempre voltava nos anúncios dos objetivos. Algumas trocas entre pares de integrantes aconteciam, mas nada ainda efetivo. Parece que o anúncio da entrada da Arábia Saudita no bloco mexeu com uma base de estabilidade fundamental do dólar: o petróleo saudita, esse sim o lastro que manteve a hegemonia norte-americana – além dos marines, por certo.
O petrodólar, lastro moderno da referência monetária mundial, vai acabar, segundo afirma o reino saudita. Enquanto os BRICS vão se desfazendo dos títulos dos EUA e o déficit público interno alcança números extravagantes, trazendo suspeitas quanto à capacidade de financiamento futuro, o FED chuta a bola dos juros para o alto e transfere, momentaneamente, sua crise interna para os emergentes.
Até quando?
Até que cada um possa coletivamente organizar seus fluxos de moeda comercial, suportar a flutuação dos mercados financeiros internos e substituir, mesmo que parcialmente, o dólar como referência comercial.
O que seria uma quimera passou a ter um prazo anunciado: 3 anos.
Os BRICS assumiram o prazo de 3 anos para concluir a substituição completa do dólar entre suas trocas comerciais.
E contando.
Enquanto o dia não chega, o assunto está no debate presidencial entre os dois candidatos, Biden e Trump, com o segundo ameaçando retaliar quem propuser abandonar o dólar comercialmente. O atual presidente nada manifestou, até o momento.
Enquanto não chega, os EUA enxugam o mercado mundial de dólar na sua lareira com seus juros reais altíssimos para seus padrões e começam a aparecer na contabilidade números proporcionais de pagamento de dívida pública de países emergentes. Ou seja, um trilhão de dólares em serviço da dívida pública já foi e está longe de acabar a farra financeira.
Conhecemos a história: mesmo a máquina impressora de dinheiro mais poderosa da história tem limites, e estamos próximos de saber qual seria.
De nossa parte, e estou propondo modestamente há algum tempo, devemos congelar nosso câmbio e abandonar essa política de flutuação imediatamente. E trabalhar para sua completa substituição nas trocas comerciais externas o mais célere possível. Claro que teremos percalços e idas e vindas, fora as ameaças de Trump se eleito. Mas é o caminho, e não estamos sozinhos, muito pelo contrário.