
Semana de Copom e não consigo evitar de voltar ao tema.
Falamos da meta de inflação, dos parcos efeitos anti-inflacionários e até da duvidosa contração de atividades econômicas almejadas. E até condescendemos com uma ação contundente em 2025, supondo um freio de arrumação visando 2026.
O que não dá para engolir é a falta de outras ações, que deveriam acompanhar essa queima de bilhões de recursos públicos drenados para a especulação. Onde estão o combate à manipulação dos contratos de dólar futuro? E sobre uma missão ampliada do Bacen, incluindo metas de emprego, PIB e renda? Voltamos ao exclusivismo das taxas Selic e inflação, e nada mais.
Agora estamos às vésperas de mais 0,5% de aumento na Selic, e previsão de parada ou mais 0,5% na próxima reunião. Imprudência com o equilíbrio fiscal e trajetória insustentável da dívida pública que supostamente deveriam administrar.
Sobre as origens, digamos, alienígenas da inflação, ainda em torno de 5,5% ao ano, nem um pio. A única menção repetida em todos os boletins divulgados fala em “incertezas”, como se nesta vida e em qualquer atividade fosse possível prever certezas.
Entendo e defendi as medidas preventivas na virada do ano e na troca dos presidentes e diretores. A vitória de Trump anunciava tempos difíceis, e ele não decepcionou e segue aprontando — talvez mais anunciando do que realizando — e suas presepadas perdem efeitos rapidamente, e seus seguidos recuos vão consolidando um cenário de espaços de manobras reduzindo e uma administração perdida e sem rumo. Claro que isso torna tudo perigoso e “incerto”, mas nossos maiores interesses e desafios estão claramente fixados cada vez mais em nossas mãos, e decisões que não foquem em prioridades internas provocam mais prejuízos que lucros, apontando para uma reflexão apurada e ações voltadas para alinhar resultados positivos no controle dos juros e suas consequências.
Resumindo: se é pra seguir a política monetária anterior, por obrigações com metas inflacionárias irreais, que se empenhem em promover ações para desarmar os cenários desfavoráveis e não somente reagir a problemas pontuais e repetidos. Se eles são relevantes e precisam de combate, vá lá, mas nada fazer para promover um futuro e seguir nessa de juros e mais juros… se extingua o Copom e nomeie uma IA.
Vai dar na mesma — e economiza em dinheiro e aborrecimentos.








