Depois do meu último post tratando desse tema sobre a escolha do vice na chapa presidencial com Lula, uma enxurrada de notícias e declarações surgiu e me obriga a voltar a ele.
Começo reafirmando ser Alckmin o nome que vai compor a chapa para a reeleição.
E digo isso fundamentado em alguns aspectos relevantes que provocaram essa discussão e que não estão devidamente esclarecidos.
O primeiro ponto, e o principal: de onde partiu essa ideia de substituir Alckmin?
Talvez do próprio Lula ou do PT. Se foi o Lula, o fez na rotina normal de consultas para estratégias eleitorais, que não poupam ninguém, nem o próprio Lula. E, se foi o PT, é porque estão preocupados com a sucessão em 2030 e, quem sabe, até com a condução do próximo mandato, comandado por um homem forte e saudável, mas de 80 anos.
E, ainda dentro do PT, um personagem cujas ações estão muito estranhas: Fernando Haddad, que anuncia saída do ministério para trabalhar no programa do próximo mandato, diz não querer disputar nenhuma eleição e não confessa sua única ambição: ser presidente. E, sendo vice agora, pavimentaria seu caminho.
Naturalmente, quando esse tipo de especulação começa a circular abertamente, um monte de candidato aparece. E, nesse caso, penso que Lula não coloca um ponto final nessa história porque, de alguma maneira, ela o beneficia, atrai interesses e abre portas para conversas, além de revelar pessoas e estratégias que ficariam camufladas e precisam vir à tona para tentar ganhar o cargo.
Acho normal especular sobre vice, como ocorrem inúmeras especulações sobre candidaturas e, depois, sobre ministros e etc., nesse espiral infinito da política.
Se Lula deixa a coisa seguir, é porque está bom assim.
Mas ele vai confirmar Alckmin, até porque trocar um vice de São Paulo por um de Alagoas ou Pará, convenhamos, não é bom negócio. E o MDB vem dividido, não importa o que decidam em convenções.
Fora o histórico anterior e recente com o vampiro Temer.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Eu fico observando o tamanho da cara de pau de alguns jornalistas e seus patrões, à medida que avança o período eleitoral e, na falta de assunto, a disposição sempre crescente de plantar intrigas e divisões no governo Lula vai se mantendo constante e crescente, com a eleição cada vez mais próxima.
A tentativa atual gira em torno de especulações sobre quem será o candidato a vice-presidente na chapa do governo; na impossibilidade de especular a ausência do Lula, sobra para o pobre Alckmin as tentativas de boicote e traições.
Absolutamente infundadas.
Depois de sugerirem a Alckmin concorrer por São Paulo, diante da recusa (?) do ministro Haddad, passaram a falar em alguém do MDB, agora Kassab do PSD e até uma conversa com o Aécio, não se sabe exatamente para quê.
A verdade nessa história é o oposto. O centrão, sem lenço e sem documento e antecipando a vitória do Lula, tem cada vez mais tentado abrir negociação e aumento de influência. Não tem nada mais atrativo que candidato com pinta de vencedor.
E político em eleição é bicho no mato caçando a sobrevivência, não brinca com coisa séria e não vacila.
Mas vamos por partes.
Lula escolheu seu parceiro há três anos atrás, que, aliás, nunca lhe faltou, e não tem nenhum motivo nem pessoal nem político para mudança.
Alckmin é o seu vice para a reeleição.
A especulação acontece porque cada um tenta se destacar na disputa por espaços e planta notícias aqui e ali na mídia, porque assim funciona a coisa.
Acreditar no que dizem é uma coisa completamente distinta.
O mais provável de os partidos do centrão fazerem é o que sempre fazem: lançam um candidato, no caso o PSD coligado com outros, e depois liberam o voto em função dos acordos regionais e cada um por si. O pobre do candidato oficial que se vire.
O que seria ideal para essa turma do centrão seria que Flávio entrasse pelo cano completamente e fracassasse miseravelmente, o que, dada a rejeição de 45% do Lula, é improvável. Se isso ocorresse, uma votação tipo a da vitória da centro-esquerda em Portugal, de 66 a 33, seria o ponto de partida para eles suplantarem o bolsonarismo em 2030 e aí sim disputarem com chances a presidência.
Mas não podem fazer, porque precisam dos votos do bolsonarismo e apostam em uma transição, na medida em que vão discretamente, mas sem vacilo, abandonando o Flávio Bolsonaro.
E vamos falar muito disso até o pleito.
Se a eleição presidencial do Lula está indo bem e Lula ensaia alguns passos em vista do futuro, do próximo mandato e até do PT, o seu sonho parece ser o de deslocar cada vez mais o partido para a centro-esquerda, uma social-democracia de fato, transformando a política nacional, com os extremistas em um nicho de onde não conseguem vitórias e atraindo a centro-direita para alianças perenes, como legado para a estabilidade nacional e algumas décadas de liderança.
Esse o discurso de ontem e a sinalização de que ele vai com tudo pessoalmente para a disputa, consciente de ser maior que o próprio PT e da baixaria política que, segundo afirmou, está podre.
Mais uma vez aponta o rumo e seria bom conseguirmos fazer. Pode ser que num primeiro momento a costura em torno do Lula se desfaça na sua ausência, mas, se for forte o suficiente, pode resistir ao desafio do tempo.
Ele sabe e nós deveríamos entender que o importante é isolar o fascismo e afastar essa gente de qualquer expectativa de poder.
Começou, porque Lulinha não mais teremos em 2030.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Os tais deveres e princípios descumpridos pelo núcleo militar principal da trama golpista, Bolsonaro incluído, me deixaram com uma sensação de falta de contundência e de acusações fracas. Talvez falte ao código militar tipificar coisas como tentativa de golpe de Estado e rasgar a Constituição.
Uma leitura menos rigorosa talvez ajude a observar que não faltam acusações graves, e os pedidos de expulsão de todos não deixa dúvida da gravidade dos crimes cometidos.
Dependendo da gradação e da contundência, podemos acreditar que estão ali incluídos os elementos necessários para cumprir o dever inadiável de afastar essa gente das Forças Armadas.
O fato de ter chegado até aqui, depois das condenações no STF — ali sim, com todas as letras e palavras explícitas dos crimes cometidos — não pode deixar de ser comemorado. E, quem sabe, uma expulsão dessa monta e ineditismo possa até constranger deputados e senadores a derrubar o veto do presidente Lula à anistia da dosimetria. No mínimo, ao avalizar a decisão do STF, a Justiça Militar reforça também o inevitável julgamento de inconstitucionalidade que deve seguir, caso derrubem o veto dessa abominável dosimetria.
Outra possibilidade seria que, sem votar, ao julgar a constitucionalidade, o STF anule os efeitos dessa dosimetria, apenas reanalisando caso a caso das condenações e faça pequenos ajustes nas penas.
Ambas as possibilidades estão na mesa, considerando que, após o Carnaval e por obrigação regimental, a apreciação do veto pelo Congresso é inevitável.
Parece que os Poderes começam o ano mais preocupados com questões práticas e de efeito eleitoral; as rusgas do ano passado parecem incômodos que todos pretendem deixar para trás. A proximidade entre Legislativo e Executivo é, sem dúvida, fruto da reeleição de Lula estar cada vez mais evidente. Mesmo numa possível disputa acirrada, a expectativa de poder é a vitamina da política e a razão de todos os acordos. Ainda mais por se tratar de um segundo e último mandato, o que deixa a sensação de que, uma vez resolvido 2026, todos podem começar a sonhar com 2030.
É provável que Lula, então, se coloque cada vez mais acima das disputas futuras, porque esse sonho de espaço no futuro pode estimular tentativas de voos alucinados, inclusive de alguns mais conscientes. Mas isso fica lá, bem mais para frente.
Precisamos superar 2026.
Primeiro.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Algumas reflexões sobre a recusa do ministro Haddad em disputar eleições em 2026.
A primeira coisa que me vem à cabeça sobre a decisão é a tentativa do ministro de negociar com as alas refratárias do PT a vaga na chapa presidencial para 2026. Sentindo crescerem outros nomes, como Flávio Dino, por exemplo, Haddad antecipa a disputa interna e usa seu capital político, cobiçado em 2026 em SP, necessário para Lula pessoalmente e para o partido fazer bancada, como uma forma de convencer seus adversários internos de ser ele o melhor nome para a disputa presidencial em 2030 e quer deixar isso resolvido agora, antes de ir para mais um sacrifício eleitoral. Tarcísio segue o favorito à reeleição, e mais uma derrota na conta do ministro tem sido seu argumento para negociar.
Uma segunda hipótese seria que Haddad fala a verdade, não quer mesmo disputar eleições, julga que entregou tudo que pretendia no ministério e agora prefere trabalhar para influenciar o futuro programa do próximo mandato, o que não deixa de ser também uma maneira de seguir na frente das articulações para 2030.
Essa segunda hipótese tem um porém: a data escolhida para sair do ministério, exatamente na época em que todos os demais ministros estão negociando suas candidaturas e espaços eleitorais. Mais: será um dos primeiros a sair, por agora em fevereiro, deixando tempo até abril, quando encerram as datas de definição das candidaturas oficialmente.
Espaço e tempo suficientes para exaurir todo tipo de acordos. Mais, sai antes e chama mais atenção do que todos os demais, atrai todas as atenções e fica difícil imaginar outra intenção além dessa. Para quem nada quer, bastava esperar a poeira das trocas de ministros candidatos e os prazos eleitorais abaixar para depois, aí sim, anunciar sua saída do ministério.
Então, conclui-se que Haddad tem, sim, uma agenda eleitoral definida para 2030 e a está usando como barganha para 2026. E podemos aguardar desdobramentos em ambas as ocasiões, agora e para o futuro, não necessariamente segundo as vontades do ministro.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Ano de eleição é ano de ler e ouvir repetidamente o quanto ele é decisivo. De fato, é, enquanto temos fundadas esperanças de vitória, porquanto Lula é o favorito para vencer. O mesmo não se aplica ao Congresso Nacional, onde o risco segue enorme, apesar da provável diminuição das bancadas radicais do PL, substituídas por PSD e até discreto aumento da bancada petista. O enrosco está mais no Senado e temos bastante tempo para especularmos como isso fica até o dia do pleito.
O título “Viúva Porcina” fica com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aquele que “foi sem nunca ter sido” candidato a presidente, e que teve fechadas as portas para suas pretensões agora e no futuro.
O Legislativo retorna a partir de hoje, completo o recesso, e as pautas começam a pipocar, com a volta da derrubada do veto do presidente Lula ao projeto de dosimetria. Embora pareça ter perdido força durante esse recesso, segue como o objetivo de constrangimento ao Executivo programado para acontecer. Bem como o destino de ajuste no STF, onde vai, caso a caso, enquadrar os golpistas condenados, e essa ladainha seguir por mais um bom tempo.
O contexto é que rico não fica preso no Brasil, muito menos general, e assim devemos encarar o desafio, que não é um caso isolado na nossa história, mas o padrão imutável da nossa justiça.
Nas próximas semanas, até abril, quando terminam os prazos para inscrição de candidaturas, vamos observar quem vai para a disputa e para quê. Tem muita especulação e gente escondendo o jogo ainda, sem falar naqueles que estão negociando pleitos futuros ao negar participar do atual. Tem de tudo e vamos acompanhar com lupa.
A disputa presidencial tem um tempero especial e um perigo para a oposição: Lula vencer no primeiro turno, numa espécie de plebiscito por falta de bons nomes. A oposição precisa apresentar mais alguns nomes para tentar levar a disputa ao segundo turno, e quanto mais candidatos conseguirem para a disputa, melhor. Não por acaso até Temer anda se apresentando, no que, para meu gosto, me parece desespero escancarado.
Voltaremos a esse e aos outros assuntos.
Finalmente, dizem que a eleição será disputada sobre debate de segurança, e não sobre economia, inflação, emprego e renda. Sendo evidentemente a vontade da oposição e da imprensa PIG, sem motivos para querer debater economia, onde o governo obtém seu maior êxito. No máximo, encaram críticas ao balanço fiscal, com pressões sobre o orçamento por conta dos juros do BC e o giro da dívida pública por conta dessa despesa estratosférica. O governo não precisa aceitar esse jogo e não vai, enquanto se prepara para enfrentar o debate sobre segurança pública, outro assunto preferido do PIG e do Flávio Bolsonaro.
Então, vamos em frente.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Como tudo o que anda fazendo ultimamente, sapecando tarifas para depois retirar, anunciando negócios mirabolantes que depois não se concretizam, também esse sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a posse da vice-presidente Delcy González mantêm o padrão Trump de agir: sem planejamento, com violência e sem medir consequências.
Levar Maduro preso não garante nada de prático e imediato para os EUA no país, tampouco para as indústrias petroleiras, que seriam a razão de tudo o que ocorreu.
O desprezo público de Trump pela adversária do chavismo, Maria Corina, foi um golpe duro para quem alimentava ilusões sobre estratégias e projetos na cabeça desses ianques tresloucados. Vale a afronta, a invasão, o feito extraordinário e momentâneo. E depois, um vazio, sem sentido ou direção palpável.
Maria Corina foi impedida de concorrer à presidência no último pleito vencido por Maduro exatamente porque apoiava o uso de força estrangeira em seu país. Já conspirava para que os EUA fizessem o que acabaram de fazer anos atrás. E me parece um pensamento para lá de tosco supor que retornará para Caracas depois de, mais uma vez, apoiar tropas estrangeiras em seu país — e dessa vez não foi somente um pedido, mas um fato.
Se alguém imagina que ela estará no país para concorrer a alguma coisa no futuro próximo, esqueça.
Porque sua ascensão está além das regras e disputas eleitorais e passaria por uma guerra civil ou por uma invasão de tropas em solo venezuelano.
É possível imaginar que as tropas da Venezuela estejam desmoralizadas por terem sido suplantadas de monte nessa incursão-relâmpago que sequestrou o presidente do país no leito de sua cama. E talvez daí venha esse primeiro momento de hesitação. Mas acho que Delcy tem agido certo, diminuindo a tensão com os EUA e ganhando tempo para consolidar posições e apoios, que certamente virão.
A imagem que ilustra o post dislumbra um problemão para os EUA nessa visão alucinada e colonialista de entregar o petróleo da Venezuela às suas empresas. O que está escrito na sequência da reportagem é que, para voltar a produir 1 milhão de barris por dia, teriam que investir U$50 bilhões; e para atingir 3 milhões de barris por dia — que era a capacidade anterior da produção venezuelana —, U$180 bilhões em investimentos.
E as empresas procuradas pela reportagem não estão animadas a fazer isso.
Primeiro, porque o campo apresenta riscos óbvios. Segundo, por quanto tempo conseguiriam segurar posições sem serem novamente expulsas do país — porque já foram. Terceiro, porque o preço do barril a 60 dólares não indica momento para grandes investimentos. E quarto, porque existem oportunidades mais baratas em outros países.
Então, se não foi para as petroleiras sugarem o petróleo, para que serviu esse ataque?
Certo que se pretende enviar recados e sinais — terríveis e apavorantes. Mas seriam efetivos? Perenes? Capazes de provocar mudanças?
Sei não.
O que estou vendo é o fortalecimento do chavismo na Venezuela e até na Colômbia, que terá eleições em março próximo, e onde as previsões de derrota da esquerda liderada por Petros começam a subir no telhado. O discurso anti-imperialista passou de uma ameaça para a realidade, e os povos não ficam indiferentes.
Menos aqui no Brasil, porque, se depender de Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho, entregam tudo para os EUA, e nosso povo que volte para a fila do osso ou vá comer calango.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Acima o desfile de Maduro prisioneiro pelas ruas de NY.
O sequestro do Presidente Maduro precisou matar cerca de 80 pessoas para acontecer, sendo 36 cubanos que faziam a segurança pessoal incluídos na trágica lista.
Como isso foi possível acontecer permanece um mistério, porque, com tantas bombas jogadas de helicópteros sobre a capital, sem nenhuma resistência visível, e a invasão do palácio para retirar o presidente e a esposa do seu leito, não me parece um feito somente militar; muito mais coisa aconteceu aí.
O que tem provocado suspeitas da participação da vice-presidenta Delcy Rodriguez, agora empossada presidente com apoio civil e militar, reconhecida imediatamente pelo Brasil, que até então não tinha reconhecido nem a presidência de Maduro, depois daquela história das atas de votação exigidas pelo nosso governo.
Delcy emitiu uma nota chamando ao diálogo, sem fazer exigências de retorno do presidente sequestrado, enquanto busca consolidar sua posição interna, o que parece ter conseguido. Não caiu na armadilha de escalar, mais ou menos o que fez Lula ao evitar a reciprocidade na cobrança de tarifas até conseguir negociar. Mais à frente ficará claro como, ao lidar com o presidente sequestrado, Delcy vai nos mostrar de que lado estava nesse crime. Eu acredito nela, não a imagino como uma traidora do chavismo, longe disso, e o apoio do Exército indica a confiança do braço militar. Em todo o caso, nesse primeiro momento o objetivo claramente é evitar escalada no conflito com os EUA e não permitir algum vácuo de poder interno, o que poderia estimular a oposição sabidamente violenta.
Vejo riscos de conflito interno muito maiores que uma guerra aberta com os EUA no médio prazo.
Ao chamar por diálogo, o que está em questão seria o petróleo, o único interesse dos EUA no conflito. E, a partir dos resultados dessas conversações, vamos avaliar o que vem pela frente.
Dificilmente podemos imaginar controle total dos EUA.
Os recados de Trump para Delcy deixam claro que ele não sabe exatamente o que ela vai fazer; segue ameaçando e exibindo o presidente Maduro pelas ruas de Nova Iorque, em provocações e ameaças abertas.
Um desfile romano, com o imperador retornando com os despojos de uma guerra. Mas com o detalhe de que Roma deixou para trás terras arrasadas, não somente capturou o líder — o que estamos longe do que aconteceu na Venezuela nesses últimos dias.
Hoje teremos reunião na ONU, que não vai passar de formalidade; depois da Palestina sobrou muito pouco de proveito da ONU para levarmos em conta por alguma solução.
A reunião da CELAC ocorrida ontem e convocada pelo Brasil termina sem sequer uma nota. O fascismo age contra o povo que representa em todas as instâncias, só interessa o poder e os negócios próprios e de seus grupos.
Quando a gente lembra o quanto a união da América do Sul representou em progresso para todos os países, em época recente, só nos resta lamentar. A nossa desunião é a grande vitória do império norte-americano sobre nós, depois do que aqui fizeram os europeus.
A multipolaridade é a verdadeira guerra que os EUA promovem e o grande tema de maior empenho do presidente Lula. Nesse contexto devemos entender o acordo entre Mercosul e União Europeia, mais uma vez agendado para janeiro. O que Lula tenta aqui, apesar de não ser um acordo vantajoso para o Brasil a princípio ao menos, é atrair a Europa para blocos de exercício de interesses multipolares, evitando que os países caiam no isolacionismo que os EUA desejam.
Alguém ensinou: divide e impera.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
A nota do governo brasileiro, assinada pelo presidente Lula, condenando o ataque à Venezuela seguido do sequestro do presidente Maduro, faz menção ao histórico de intervenções dos EUA na América Latina, situando a atual agressão no ponto exato. O que nem é negado pelo reincidente agressor do Norte, que assume a Doutrina Monroe de 1822 como inspiração, chama a América Latina de quintal e nos ameaça a todos.
Talvez siderados pelo feito de capturar Maduro em instantes, coisa ainda por entendermos como pôde acontecer.
Mas a sequência dos fatos e as intenções expressas na entrevista afrontosa e megalomaníaca de Trump e seus principais parceiros após o sequestro, quando deixou de lado qualquer comezinha justificativa e assumiu que agora manda na Venezuela e no seu petróleo, mostra que o feito deixou aquela gente que normalmente não raciocina direito em estado lastimável de ilusões.
Porque não se toma um país e suas riquezas sequestrando o presidente.
Certamente não a Venezuela.
O pronto restabelecimento da cadeia de comando interno e a posse da vice-presidente, que exigiu a volta do presidente Maduro ao país, deixa claro que o ataque nem de longe intimidou as lideranças na Venezuela, certamente humilhadas pelo sequestro, mas reagindo para não deixar dúvidas ou vácuos perigosos de poder.
Se a intenção daqui em diante é promover uma guerra civil na Venezuela, estimular um confronto sangrento entre chavistas e oposição, o tempo dirá. Mas, no momento, a liderança do país segue nas mesmas mãos e direção em que estava.
As reações dos líderes no mundo mostram, na sua maioria, interesses paroquiais internos e não visão do todo; mais uma vez, a mediocridade dos tempos atuais nessa safra de presidentes e primeiros-ministros está confirmada.
Aqui no Brasil, o bolsonarismo e seus governadores comemoram o sequestro. Ratinhos, Tarcísio, Zemas e Caiados deixam a quem quiser ver de que lado estão no concerto sobre democracia e direitos, inclusive humanos. Como sujeitos de uma democracia, não valem o sal que comem.
Mas uma coisa aconteceu, e se chama PSDB. Porque Aécio Neves e o governador do RS, Eduardo Leite, condenaram a ação ilegal e se colocaram fora do quadro bolsonarista.
Por quê?
Porque viram uma oportunidade de distanciar-se do fascismo que andavam acalentando e se colocam na frente democrática necessária para o futuro da disputa eleitoral cada vez mais decisiva de 2026.
Daqui pra frente, o bolsonarismo, que precisava se distanciar do extremismo para tentar ganhar a eleição, volta para seu berço natural e vai para a disputa apostando na radicalização. Para perder, bem entendido. Se tinha poucas chances com discurso moderado, passa a ter menos ainda com discurso de raiva e ódio. E a reação do PSDB mostra que, ao abraçar a bandeira dos direitos e da democracia, fazem uma aposta em direção ao futuro, enxergam uma oportunidade de sair do pântano fascista onde estavam e a possibilidade de recuperar o terreno perdido dos liberais brasileiros para os radicais da direita.
É uma mudança importante no discurso que pode ajudar a derrotar o fascismo no Brasil, se os liberais decidirem sair do barco dos extremistas.
Definitivamente.
Observe que dividi o espaço do post entre o ataque covarde dos EUA em três pontos:
1 – Os EUA não têm, até o momento, nenhum controle da Venezuela e nenhuma expectativa de obtê-lo no curto ou médio prazo. Só uma guerra civil poderia derrubar o governo chavista. O que sugere que Trump pode ter dado um passo maior que as pernas, e o velho truque de iniciar conflitos para alavancar popularidade e unir o país pode provocar efeito contrário desta vez e acordar a oposição interna contra ele.
2 – O bolsonarismo retomará o discurso de ódio e tentará atrair novamente os EUA para influenciar, com ameaças, a eleição de 2026. A ver como isso segue, porque Trump não é confiável, nem para eles.
3 – Os liberais brasileiros ensaiam sair do bloco extremista para tentar ressuscitar eleitoralmente. E até onde estão dispostos a chegar? Até a apoiar a reeleição de Lula?
Existem implicações e indícios de um rearranjo de interesses entre as grandes potências mundiais — EUA, China e Rússia — e esferas de influência que merecem reflexão. Mais à frente faremos.
Seguimos de olho na Venezuela e no Brasil. As próximas horas são importantes, mas claramente estamos no começo de mudanças importantes de maturação lenta.
Quanto a nós, também ameaçados, como toda a América Latina e o Caribe, temos na reeleição do presidente Lula o antídoto contra o fascismo assanhado que se anima. Mais uma vez, o velho Lula, com sua experiência, pode nos conduzir nesse nevoeiro.
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
Vou aproveitar esse gancho da reflexão do Jabour para fazer a minha.
Sobre os ataques a Moraes descambarem para outros alvos, o aviso sempre é verdadeiro, porque a disputa política calcada na mentira, por parte da direita, não é episódica, mas a própria essência de suas práticas: inundar, saturar, encher o noticiário e o debate de lixo, para que tudo perca seu valor e referência e os críticos de “tudo que está aí” se destaquem. Não tem segredo; como conter é a questão.
Sobre a independência do Banco Central e o combate ao subprime brasileiro, como ele chama, por exemplo, o caso Master, isso merece algumas considerações.
De fato, as chamadas fintechs cresceram em ambiente de desregulamentação total do serviço bancário, mas elas se sustentam sobre dois aspectos, um visível e outro invisível. O visível são o progresso tecnológico e o acesso por meios eletrônicos, uma comodidade insuperável na correria do mundo. E o invisível é a exploração de seus funcionários, que não são pagos como bancários, não têm sindicato e não são considerados bancários para todos os efeitos trabalhistas.
Então, crescem no lombo do trabalhador precarizado, sem que o Banco Central ou os sindicatos façam qualquer coisa efetiva para fiscalizar a atividade ou enquadrá-la na legislação comum aos bancos. O que me parece até concorrência desleal com os bancos tradicionais, que são fiscalizados e obrigados a cumprir a legislação trabalhista, sobre salários, horários, prêmios, horas extras, reajuste anual de salários, vale-transporte, participação nos resultados etc. Ou seja, fazem tudo que um banco comercial faz, sem precisar pagar por isso.
Se estão crescendo a ponto de ameaçar a formação de pirâmides ou subprimes, por conta da falta de regras ou da falta de fiscalização, também nesse ponto o Banco Central tenta aprovar lei para aumentar seu poder de fiscalização sobre a atividade das fintechs, sem, até o momento, obter resultado. E o tempo está passando.
Como essas empresas vieram para ficar, sem nenhuma dúvida, é imperioso que elas se enquadrem no modelo de funcionamento comercial da atividade que prestam, sobretudo no compromisso com as regras do trabalhador e de seus sindicatos. Existem funcionários das fintechs filiados a sindicatos sem nenhuma relação com a atividade bancária; ninguém age sobre isso e a exploração da mão de obra segue permitida.
Se a independência do Banco Central vai continuar — e no modelo atual me parece que deve, até porque, ao escolher seus dirigentes, o governo dá o rumo que deseja —, ela precisa, na verdade, ser aprofundada, no sentido de ter possibilidade de alcançar todas as atividades ligadas ao setor bancário, inclusive as fintechs. Então, a discussão não é bem sobre autonomia, mas sobre eficácia.
O caso Master foi um acinte e não passa de uma fintech com 500 funcionários, que provoca um rombo de 50 bilhões.
Como isso é possível?
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.
O dia de ontem começou com a jornalista de O Globo, uma lavajatista de carteirinha, mudando a versão inicial quando acusou o ministro Moraes de pressionar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para liberar a compra do Banco Master pelo BDF. A suposta pressão teria ocorrido antes da negativa oficial do BC, que acabou acontecendo, assim como a liquidação.
A jornalista passou a chamar de pedido o que antes era pressão, supostamente na frente de seis testemunhas. E continua devendo explicações, pois não diz o que exatamente Moraes teria pedido ao BC — o que, por si só, já seria absurdo.
Mas a coisa andou, porque, na noite de ontem, o banqueiro André Esteves, tido e havido como uma das fontes da tal pressão, informou que não era ele a fonte, que não tem nada contra Moraes e que isso não ajuda o Brasil.
Assim, a jornalista, que saiu de fininho, agora precisa correr, porque, sem fonte, sem história e sem credibilidade, ainda corre o risco de levar um processo nas costas.
Merecido, diga-se.
A tal acareação esdrúxula proposta por Toffoli no processo que investiga a liquidação do Banco Master subiu no telhado. As oitivas na PF estão mantidas para Vorcaro, o ex-presidente do BDF e o diretor do BC, de forma separada, como convém.
A oposição tentou interromper o recesso parlamentar ontem, sem sucesso. Queriam abrir um impeachment do ministro Moraes sem motivo, sem fatos, sem lastro, uma vez que a jornalista mudou sua versão e a PGR sequer abriu investigação sobre o contrato da esposa com o Master, que teria como base a reportagem, por falta de elementos:
“O noticiário citado [no pedido de investigação] não ostenta densidade suficiente para mobilizar o aparato da Procuradoria-Geral da República.”
A PGR ainda afirmou que o contrato era legal, um acordo firmado entre terceiros, sem indícios de crimes ou fraudes. Não é da conta de ninguém.
Sobraram quem e o quê dessa história?
Talvez a fala da Carol Proner em artigo sobre a acusação da jornalista lavajatista contra Moraes: ” suspeitamos porque temos memória!”
💳 Apoie nosso trabalho Se você acompanha e valoriza o que fazemos, contribua via Pix: 30.454.964/0001-70. Seu apoio mantém o projeto vivo, fortalece um trabalho independente e nos prepara para ampliar conteúdos, análises e alcance no próximo ano, que será de crescimento e consolidação.
📩 Inscreva-se com seu e-mail para receber as atualizações do blog e não perder nenhum conteúdo novo.