
Os tais deveres e princípios descumpridos pelo núcleo militar principal da trama golpista, Bolsonaro incluído, me deixaram com uma sensação de falta de contundência e de acusações fracas. Talvez falte ao código militar tipificar coisas como tentativa de golpe de Estado e rasgar a Constituição.
Uma leitura menos rigorosa talvez ajude a observar que não faltam acusações graves, e os pedidos de expulsão de todos não deixa dúvida da gravidade dos crimes cometidos.
Dependendo da gradação e da contundência, podemos acreditar que estão ali incluídos os elementos necessários para cumprir o dever inadiável de afastar essa gente das Forças Armadas.
O fato de ter chegado até aqui, depois das condenações no STF — ali sim, com todas as letras e palavras explícitas dos crimes cometidos — não pode deixar de ser comemorado. E, quem sabe, uma expulsão dessa monta e ineditismo possa até constranger deputados e senadores a derrubar o veto do presidente Lula à anistia da dosimetria. No mínimo, ao avalizar a decisão do STF, a Justiça Militar reforça também o inevitável julgamento de inconstitucionalidade que deve seguir, caso derrubem o veto dessa abominável dosimetria.
Outra possibilidade seria que, sem votar, ao julgar a constitucionalidade, o STF anule os efeitos dessa dosimetria, apenas reanalisando caso a caso das condenações e faça pequenos ajustes nas penas.
Ambas as possibilidades estão na mesa, considerando que, após o Carnaval e por obrigação regimental, a apreciação do veto pelo Congresso é inevitável.
Parece que os Poderes começam o ano mais preocupados com questões práticas e de efeito eleitoral; as rusgas do ano passado parecem incômodos que todos pretendem deixar para trás. A proximidade entre Legislativo e Executivo é, sem dúvida, fruto da reeleição de Lula estar cada vez mais evidente. Mesmo numa possível disputa acirrada, a expectativa de poder é a vitamina da política e a razão de todos os acordos. Ainda mais por se tratar de um segundo e último mandato, o que deixa a sensação de que, uma vez resolvido 2026, todos podem começar a sonhar com 2030.
É provável que Lula, então, se coloque cada vez mais acima das disputas futuras, porque esse sonho de espaço no futuro pode estimular tentativas de voos alucinados, inclusive de alguns mais conscientes. Mas isso fica lá, bem mais para frente.
Precisamos superar 2026.
Primeiro.
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