Sequestro, petróleo e improviso: o padrão Trump em ação.

Como tudo o que anda fazendo ultimamente, sapecando tarifas para depois retirar, anunciando negócios mirabolantes que depois não se concretizam, também esse sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a posse da vice-presidente Delcy González mantêm o padrão Trump de agir: sem planejamento, com violência e sem medir consequências.

Levar Maduro preso não garante nada de prático e imediato para os EUA no país, tampouco para as indústrias petroleiras, que seriam a razão de tudo o que ocorreu.

O desprezo público de Trump pela adversária do chavismo, Maria Corina, foi um golpe duro para quem alimentava ilusões sobre estratégias e projetos na cabeça desses ianques tresloucados. Vale a afronta, a invasão, o feito extraordinário e momentâneo. E depois, um vazio, sem sentido ou direção palpável.

Maria Corina foi impedida de concorrer à presidência no último pleito vencido por Maduro exatamente porque apoiava o uso de força estrangeira em seu país. Já conspirava para que os EUA fizessem o que acabaram de fazer anos atrás. E me parece um pensamento para lá de tosco supor que retornará para Caracas depois de, mais uma vez, apoiar tropas estrangeiras em seu país — e dessa vez não foi somente um pedido, mas um fato.

Se alguém imagina que ela estará no país para concorrer a alguma coisa no futuro próximo, esqueça.

Porque sua ascensão está além das regras e disputas eleitorais e passaria por uma guerra civil ou por uma invasão de tropas em solo venezuelano.

É possível imaginar que as tropas da Venezuela estejam desmoralizadas por terem sido suplantadas de monte nessa incursão-relâmpago que sequestrou o presidente do país no leito de sua cama. E talvez daí venha esse primeiro momento de hesitação. Mas acho que Delcy tem agido certo, diminuindo a tensão com os EUA e ganhando tempo para consolidar posições e apoios, que certamente virão.

A imagem que ilustra o post dislumbra um problemão para os EUA nessa visão alucinada e colonialista de entregar o petróleo da Venezuela às suas empresas. O que está escrito na sequência da reportagem é que, para voltar a produir 1 milhão de barris por dia, teriam que investir U$50 bilhões; e para atingir 3 milhões de barris por dia — que era a capacidade anterior da produção venezuelana —, U$180 bilhões em investimentos.

E as empresas procuradas pela reportagem não estão animadas a fazer isso.

Primeiro, porque o campo apresenta riscos óbvios. Segundo, por quanto tempo conseguiriam segurar posições sem serem novamente expulsas do país — porque já foram. Terceiro, porque o preço do barril a 60 dólares não indica momento para grandes investimentos. E quarto, porque existem oportunidades mais baratas em outros países.

Então, se não foi para as petroleiras sugarem o petróleo, para que serviu esse ataque?

Certo que se pretende enviar recados e sinais — terríveis e apavorantes. Mas seriam efetivos? Perenes? Capazes de provocar mudanças?

Sei não.

O que estou vendo é o fortalecimento do chavismo na Venezuela e até na Colômbia, que terá eleições em março próximo, e onde as previsões de derrota da esquerda liderada por Petros começam a subir no telhado. O discurso anti-imperialista passou de uma ameaça para a realidade, e os povos não ficam indiferentes.

Menos aqui no Brasil, porque, se depender de Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho, entregam tudo para os EUA, e nosso povo que volte para a fila do osso ou vá comer calango.

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