Sobre o futuro da Venezuela.

Acima o desfile de Maduro prisioneiro pelas ruas de NY.

O sequestro do Presidente Maduro precisou matar cerca de 80 pessoas para acontecer, sendo 36 cubanos que faziam a segurança pessoal incluídos na trágica lista.

Como isso foi possível acontecer permanece um mistério, porque, com tantas bombas jogadas de helicópteros sobre a capital, sem nenhuma resistência visível, e a invasão do palácio para retirar o presidente e a esposa do seu leito, não me parece um feito somente militar; muito mais coisa aconteceu aí.

O que tem provocado suspeitas da participação da vice-presidenta Delcy Rodriguez, agora empossada presidente com apoio civil e militar, reconhecida imediatamente pelo Brasil, que até então não tinha reconhecido nem a presidência de Maduro, depois daquela história das atas de votação exigidas pelo nosso governo.

Delcy emitiu uma nota chamando ao diálogo, sem fazer exigências de retorno do presidente sequestrado, enquanto busca consolidar sua posição interna, o que parece ter conseguido. Não caiu na armadilha de escalar, mais ou menos o que fez Lula ao evitar a reciprocidade na cobrança de tarifas até conseguir negociar. Mais à frente ficará claro como, ao lidar com o presidente sequestrado, Delcy vai nos mostrar de que lado estava nesse crime. Eu acredito nela, não a imagino como uma traidora do chavismo, longe disso, e o apoio do Exército indica a confiança do braço militar. Em todo o caso, nesse primeiro momento o objetivo claramente é evitar escalada no conflito com os EUA e não permitir algum vácuo de poder interno, o que poderia estimular a oposição sabidamente violenta.

Vejo riscos de conflito interno muito maiores que uma guerra aberta com os EUA no médio prazo.

Ao chamar por diálogo, o que está em questão seria o petróleo, o único interesse dos EUA no conflito. E, a partir dos resultados dessas conversações, vamos avaliar o que vem pela frente.

Dificilmente podemos imaginar controle total dos EUA.

Os recados de Trump para Delcy deixam claro que ele não sabe exatamente o que ela vai fazer; segue ameaçando e exibindo o presidente Maduro pelas ruas de Nova Iorque, em provocações e ameaças abertas.

Um desfile romano, com o imperador retornando com os despojos de uma guerra. Mas com o detalhe de que Roma deixou para trás terras arrasadas, não somente capturou o líder — o que estamos longe do que aconteceu na Venezuela nesses últimos dias.

Hoje teremos reunião na ONU, que não vai passar de formalidade; depois da Palestina sobrou muito pouco de proveito da ONU para levarmos em conta por alguma solução.

A reunião da CELAC ocorrida ontem e convocada pelo Brasil termina sem sequer uma nota. O fascismo age contra o povo que representa em todas as instâncias, só interessa o poder e os negócios próprios e de seus grupos.

Quando a gente lembra o quanto a união da América do Sul representou em progresso para todos os países, em época recente, só nos resta lamentar. A nossa desunião é a grande vitória do império norte-americano sobre nós, depois do que aqui fizeram os europeus.

A multipolaridade é a verdadeira guerra que os EUA promovem e o grande tema de maior empenho do presidente Lula. Nesse contexto devemos entender o acordo entre Mercosul e União Europeia, mais uma vez agendado para janeiro. O que Lula tenta aqui, apesar de não ser um acordo vantajoso para o Brasil a princípio ao menos, é atrair a Europa para blocos de exercício de interesses multipolares, evitando que os países caiam no isolacionismo que os EUA desejam.

Alguém ensinou: divide e impera.

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