Silêncios.

A escolha de Flávio como o candidato do bolsonarismo não suscitou fogos e artifícios, senão silêncios.

O que nos provoca reflexões.

O maior silêncio é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-preferência do poder financeiro, da imprensa corporativa e do centrão. Mas como todos dependiam dos votos do miliciano preso, estavam esperando a decisão enquanto tentavam criar um ambiente de fato consumado para cercar a familícia e deixá-los sem opção.

Observe como a falsa iniciativa de anistia entra nesse quadro de fingimentos. Um centrão que aprova tudo quando quer era incapaz de aprovar sequer a redução das penas, claramente a moeda de troca nessa relação.

Nem Bolsonaro indicava o sucessor, nem o centrão entregava a redução das penas.

Ficamos nessa praticamente o ano inteiro, certamente na dependência da prisão do capo fascista — e mesmo aí tudo já era encenação, porque o ex-mito tinha sobre si a inelegibilidade.

Tarcísio seguiu firme no roteiro aguardando o seu dia, talvez até negociando a vice com Micheli. Nunca acreditei nela como candidata, mas de vice pode ser que aceitasse. Embora nunca tenha visto Tarcísio e Micheli juntos para essa chapa futura, parecia que corriam disputando entre si, enquanto os filhos corriam por fora.

E tudo mostrou-se ilusão, porque o chefe fez o gesto esperado para preservar seus interesses e explodiu tudo o mais à sua volta.

O silêncio de Tarcísio, Kassab, a reação praticamente de desistência do União Brasil, dos Republicanos reclamando de nada saberem antecipadamente, do pastor chamando a direita de incapaz, outros nomes em silêncio ou apontando outras prioridades, voltando a falar de anistia e coisas para tentar desfazer o anúncio definitivo.

Esqueçam, não tem volta.

E Eduardo avisou ontem mesmo que não sabiam com quem estavam lidando.

Sabiam sim, mas estavam naquela negação que costuma sair caro.

E saiu.

A perplexidade de acordos jogados na lata do lixo — imaginem. O que Tarcísio faz, sumido, é tentar reconstruir a confiança que derreteu, como a bolsa de valores, certos da derrota no próximo ano contra o inimigo de classe.

Não estão em silêncio porque não concordam; não têm como discordar. Lambem as feridas da humilhação, da falta de consideração, dos planos arruinados.

E não duvido que faziam tudo com orientação do chefe do clã, para seduzir os gananciosos dos votos alheios.

Devem cair na real, porque sumir assim vai deixar o clã desconfortável, e quem arrisca ficar no alento são esses que agora calam.

Porque os Bolsonaros mostraram que não estão nem aí para nada além do interesse de preservar o legado na família.

“Não gostaram? Que venham.” Pensam e agem abertamente.

E nunca agiram de forma diferente.

Acho que vão quebrar a cara, perder eleição, diminuir a influência, sem desaparecer contudo.

Tarcísio, dependendo do que fizer daqui em diante, poderia tentar depois — o que ele e todos já veem impossível no momento.

Por isso o desespero.

Acabou para a direita a hipótese de compor com o bolsonarismo sem Bolsonaro. É engolir o pacote completo ou tentar a sorte.

O que, ao menos até onde a vista alcança, eles não têm a menor chance de fazer.

Queriam descartar a familícia e foram descartados.

A ver o que sobra.

Porque o que se fechou não foi a porta de 2026 para um candidato do centrão, uma candidatura de Tarcísio. Fechou-se a porta para o futuro dessa gente toda, porque Flávio vem agora e vem depois e depois, até isso se resolver, se dissipar — ou não.

Ocorreu uma disputa de poder dentro da facção e os Bolsonaros ganharam.

Quem quiser engolir, que engula.

Os sonhos acabaram para Tarcísio e afins, e o silêncio é o que resta para reflexão.

Refazer contas, beijar a mão, desistir dos sonhos e planos futuros.

Eis a questão.

PS.: E neste domingo Tarcísio acabou de romper o silêncio sem tocar no assunto Flávio.

Foi rezar.

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