Avenidas abertas, mas ninguém da direita passa.

Toda essa confusão entre Michele e os filhos do Bolsonaro, que nunca foram novidade mas entornaram para o ambiente público e sem a contenção do pai e marido na prisão, e apesar de servir para o interesse da mídia PIG no sentido de se livrarem do bolsonarismo para uso eleitoral com Tarcísio, mostra a desorientação geral da extrema direita.

Vivem o dilema da previsível derrota eleitoral e suas consequências.

Vejamos. A única coisa que interessa ao patriarca preso é sair da cadeia; a essa altura somente um perdão presidencial alcançaria o feito, e mesmo assim abrindo uma crise sem precedentes com o STF, porque não existe previsão legal de perdão para o tipo de crime praticado por Bolsonaro e sua gangue de golpistas.

Mas é o que eles pretendem, se ganharem a eleição.

Como a eleição está perdida, na minha opinião — e parece que na opinião deles também — não faz sentido apoiarem Tarcísio para perder, porque perdem a eleição mas também, e estou pensando aqui na perspectiva da familícia, perdem o comando da extrema direita para o governador paulista.

Por isso Flávio agora, e Eduardo antes dele, falam em sacrifício: disputar uma eleição presidencial para perder, mas com o objetivo claro de manter a liderança do movimento que julgam exclusividade bolsonarista.

Cada dia que passa, a disputa interna da extrema direita — e da direita sem votos — gira mais em torno de fazer bancadas e apropriar-se da herança bolsonarista visando embates futuros. E para Tarcísio o pensamento é o mesmo dos filhos do ex-presidente: vai para a disputa presidencial para perder porque garante seu espaço na liderança do movimento em disputa. Por isso insiste na vaga, mas somente se não tiver que enfrentar os Bolsonaros, de quem depende a indicação para fazer valer seu interesse futuro.

A aparição de Michele se dá no contexto da vice-presidência, com ela garantindo o sobrenome Bolsonaro nas urnas, junto a Tarcísio, e pleiteando para si o movimento extremista.

E os filhos não vão aceitar de jeito nenhum, como estão fazendo há tempos e vão continuar a fazer.

Sem garantia de vitória de um nome da direita, eles não topam perder a hegemonia — que não trocariam de mãos em caso de vitória e perdão do pai presidiário.

Tudo improvável e incerto. Não vão arriscar a herança e vão dividir a direita e a extrema direita, custe o que custar.

Me parece esse o cenário, e não acho que muda, com a liderança de Lula nas pesquisas a cada dia mais próximo da eleição.

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