
O presidente da Câmara começou a tomar medidas estranhas de uns tempos para cá, afrontando abertamente os projetos do governo, culminando com a escolha do secretário de SP do governador Tarcísio, o ex-comandante do Bope, Derrite, para relatar o projeto das facções, enviado como uma tentativa do governo de fazer presença na pauta de segurança.
Que é a pauta escolhida pela direita como um todo para a disputa eleitoral do próximo ano.
Estava clara a tentativa de disputar a pauta com o governo, mas, ao incluir Derrite para se apresentar em nome de Tarcísio, sem prestigiar os inúmeros candidatos a protagonistas disponíveis para a questão da segurança, Motta mostrou o jogo da centro-direita: tentar romper a polarização que favorece eleitoralmente PT e PL.
Alcolumbre parece ter entrado no jogo, inventando discórdia sobre indicação de ministro do STF, atribuição exclusiva do Executivo e garantia de estabilidade política nesse Brasil.
E para hoje prometem derrubar os vetos do governo no PL da Devastação, adiados por causa da COP30 — porque ficava mal perante o mundo destruir a proteção das matas e nascentes na véspera do encontro mundial sobre o tema.
E aqui estão cumprindo acordos com setores do agronegócio e setores da mineração , financiadores de campanhas eleitorais. Sem falar na composição do Congresso, apinhado de ruralistas.
Não tem o que lamentar: enquanto uns cuidam das pessoas, outros cuidam dos negócios, passando por cima de tudo. Cabe a nós manter, com as escolhas, esse jogo equilibrado. Atualmente não está — e se não fosse o Lula teriam desandado de vez.
Todo esse movimento, inclusive as desavenças, faz parte do jogo eleitoral, porque o centrão sonha com candidato próprio, sem um Bolsonaro. E precisam construir esse caminho porque, sem os votos do mito, não chegam longe. Para isso contam com a imprensa e a farsa da terceira via, que buscam desde 2018 (ou após o fim do PSDB querido) sem sucesso.
Me parece que vão fracassar novamente porque esse nome não existe. De Tarcísio a Ratinho, não conseguem sem a unção do presidiário golpista.
Mas esperneiam, até caírem na real. Coisa, por exemplo, que Arthur Lira acabou de fazer, ontem, apoiando a reeleição de Lula na cerimônia da assinatura da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil. Lira precisa ganhar espaço para tentar o Senado, e sem Lula ele não consegue.
O que tenho dito sobre todos da Bahia para cima — e estou quase incluindo MG nessa lista. Sem falar no Rio Grande do Sul, onde teremos mais uma disputa acirrada e podemos colher agradáveis notícias.
Então sobra pouco espaço para o centrão, espremido entre PT e PL, para reeleger bancadas sem o apoio de um dos dois.
Esse é o drama sem solução, e caminhamos para a polarização mais uma vez.
Apesar do esforço da mídia e do centrão.
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