G20,COP30 e Tarifas. O strike do Brasil.

A semana foi particularmente proveitosa, com a política externa colhendo êxitos em distintos locais, públicos, agendas, interesses e comerciais.

A COP30 de Belém, se não foi inteiramente um sucesso — sempre ameaçada por interesses dos produtores de petróleo, entre eles nós mesmos —, conseguiu produzir acordos suficientes para uma conclusão honrosa e, sobretudo, manteve os temas da preservação, emissão de gases e transição energética no centro da pauta mundial, algo que, no início, era visto como improvável diante das pressões internacionais.
Além disso, o encontro consolidou Belém como referência global em debates climáticos e ampliou compromissos sobre financiamento climático, mecanismos de perdas e danos e responsabilidades compartilhadas, com destaque para a cobrança feita pelo Brasil por maior ambição das nações ricas, historicamente responsáveis pela maior parte das emissões.

Teremos: os principais acordos da #COP30 incluem o esforço liderado pelo Brasil para um roadmap de transição para longe dos combustíveis fósseis e do desmatamento; recursos ampliados para financiamento de adaptação; o acelerador de implementação para manter 1,5 °C vivo; e um novo mecanismo estruturado para fortalecer a transição justa, especialmente para países em desenvolvimento.
A conferência ainda reforçou a necessidade de que os compromissos de 2030 e 2035 sejam atualizados com maior urgência, o que coloca o Brasil em posição de liderança moral e técnica no debate.

O G20 na África do Sul — meio a reboque das pautas ambientais e diante da tentativa de virada unilateral dos EUA, que não compareceram nem a Belém, nem a Joanesburgo — também produziu avanços.
O documento final menciona explicitamente “mudanças climáticas”, termo negado pelo presidente americano em recentes pronunciamentos, e reafirma o multilateralismo como princípio central. A cúpula celebrou o “desfecho bem-sucedido” da COP30, mesmo enquanto a reunião em Belém ainda estava em curso, e reforçou compromissos sobre financiamento climático, reforma da governança global e estímulos ao desenvolvimento sustentável, temas alinhados às reivindicações brasileiras.

Por fim, ainda não inteiramente concluída, a derrubada das tarifas de 40% sobre produtos da agroindústria — carne, café e outros — aponta para a normalização do nosso comércio com os EUA. Ainda faltam retirar sanções contra autoridades e tarifas sobre produtos industriais para superarmos todos os equívocos cometidos.
Mesmo a prisão de Bolsonaro, motivo alegado inicialmente para as tarifas, não voltou a ser mencionada entre as partes nas negociações, que seguem em curso de maneira pragmática.

A Venezuela segue na pauta diplomática para evitar o conflito, como Lula anuncia para breve um novo contato com o presidente norte-americano.

Podemos afirmar que o anúncio da assinatura do acordo entre a Comunidade Europeia e o Mercosul, prevista para 20 de dezembro, nos coloca próximos de um ano praticamente perfeito de amadurecimento do papel imprescindível do Brasil — e de seu presidente — na condução do mundo multipolar, tão desafiado pelas iniciativas unilaterais do império norte-americano.

Pelas bordas e dentro de suas limitações, seguimos fazendo diferença: multipolar, solidário e disposto ao diálogo, diante de um mundo pressionado a ser unilateral, distante e indiferente.

Se depender do Brasil, não.

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