Desdobramentos esperados.

A prisão do ex-presidente — porque dali ele não sai mais — aguardada ansiosamente por grupos de interesses distintos, aconteceu.

E agora?

Como esperado, quem deu o primeiro bote foi a imprensa golpista, há muito pregando o imperativo do bolsonarismo sem Bolsonaro, os mesmos da desejada terceira via de tantos fracassos.

Mal a tornozeleira saiu da canela do miliciano e todos fazem coro sobre a dificuldade de emplacar um sobrenome Bolsonaro em 2026. De fato, por enquanto, sobraram apelos humanitários em torno de um pretenso doente — patéticos, vindo da boca de apreciadores de torturadores. É a estratégia para um pedido de prisão domiciliar por motivo de saúde, o mais breve possível. Mas, como apelo eleitoral, é desastroso.

E o centrão, que finge não ter nada com isso, ensaia seus nomes — Ratinho e Tarcísio — com Leite correndo por fora.

Tarcísio preferiu mergulhar, aliás, todos eles. Em suas manifestações até aqui protocolares, fazem referência a apelos humanitários e à suposta inocência do mito encarcerado.

E não devem passar disso, porque as cenas de Bolsonaro com a responsável pela tornozeleira, com o mito falando baixinho sobre sua tentativa de rompê-la com ferro de solda… bem… ficam para a história como uma imagem definitiva de despedida de um personagem menor, ilusionista, falso, patético e covarde. Uma vergonha para si e para os seus.

As previsões de declínio seguem aceleradas; não é possível imaginar outra coisa. Até onde cairá, vamos saber em breve — e quem pode ser o beneficiário da derrocada eleitoral do falso mito.

Afetar Flávio já afetou. Manter sua fraquíssima vigília na porta da casa do pai em Brasília, com ele já na PF — vigília minguada que durou apenas duas horas, esvaziada e sem razão — serviu mais para tentar disfarçar objetivos anteriores. A meu ver, a tentativa de fuga não pode ser descartada. Lembrando que a esposa e a filha convenientemente não estavam em casa, talvez para afastar suspeitas de cumplicidade.

A entrevista de Trump logo após a prisão de Bolsonaro — que ele desconhecia ao começar a responder aos repórteres —, quando perguntado pelo ex do Brasil, começou dizendo ter falado com ele “ontem” e que “se veriam em breve”. Em seguida, informado dos fatos e sem esconder surpresa, respondeu apenas “too bad”. Isso me deixou intrigado, e não consigo separar essa fala do que aconteceu aqui, com essa tentativa de romper a tornozeleira.

A reação da embaixada dos EUA ainda ontem, atacando Moraes e ignorando a violação de segurança, pareceu demonstração de frustração e inaceitável inação — talvez de alguém que teve planos frustrados. Tal como receber um exilado perseguido pela Justiça…

No mínimo, há uma história aí a ser apurada.

A tendência é, sim, o bolsonarismo se isolar. A liderança da extrema direita no Brasil segue em aberto. Continuo apostando em Flávio — cada vez menor — e com o centrão tentando de tudo para emplacar um nome.

Mas está difícil para eles.

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