
Bolsonaro, Flávio, lei das facções,
Aguardamos para a semana o trânsito em julgado do processo do chamado Núcleo 1, onde os principais golpistas foram agrupados e condenados. Os trâmites na Justiça são sempre intrincados, mas o máximo que ainda falta é uma decisão aqui e ali, sem muitas delongas.
E não fechamos exatamente um ciclo porque, a exemplo do que ocorre no mundo, e nesse último fim de semana com manifestações violentas no México — contra uma presidenta com 70% de aprovação —, e eleição no Chile, com a esquerda competindo contra um candidato da direita, outro da extrema direita e um terceiro da extrema extrema direita, mostram o tamanho da encrenca em que estamos metidos. Mas sempre temos esperanças, como aconteceu no Equador que, também no fim de semana, rejeitou propostas do presidente extremista Noboa de instalar bases militares norte-americanas no país, além de mudanças constitucionais de interesses autoritários.
Por aqui caminhamos razoavelmente bem, até por conta da tentativa de golpe após a derrota eleitoral, que provocou a reação institucional que deixou os extremistas acuados e sem candidato, tudo indicando uma vitória de Lula em 2026 e um Congresso de cores imprevisíveis a essa altura. Mesma coisa o Senado. Mas, no meu otimismo incorrigível, acredito que teremos boas surpresas e números melhores na correlação das casas legislativas. Até porque o centro está cada vez mais buscando alianças com a esquerda, na medida em que nos aproximamos da data eleitoral e a indefinição do candidato de oposição embaralha a decisão do grupo.
Indecisão mais ou menos, porque me parece cada vez mais claro que o nome do Flávio será o escolhido, enquanto Tarcísio, que de tudo tentou para ser o ungido, vai cada vez se queimando mais com o bolsonarismo raiz. E, segundo tenho observado, começa a perder espaço também entre os moderados por conta de seu alinhamento canino. Ou seja, sua subserviência não convence os radicais e afasta os moderados, e suas chances de vencer a reeleição em SP, apesar de muito altas ainda, vão diminuindo.
Com sinal invertido do cenário nacional, porque falta a esquerda definir o candidato em SP para enfrentar Tarcísio e aglutinar forças, para aí sim sabermos a quantas estamos.
Toda essa confusão na aprovação das leis das facções pode ser explicada pela tentativa do Tarcísio de se aproximar do centrão — todo enrolado com desvios nas emendas parlamentares, investigações na Operação Carbono (com rumores de delações premiadas a caminho) — e tentar escapar da Justiça. Mas o derretido Derrite deixou mostra de enorme incapacidade e incompetência: ao tentar aprovar uma nova lei de segurança para afastar a PF de suas obrigações, entre outros absurdos, mostrou que não passa de uma besta — assassina? — e sempre olhei para o lixo que produziu no mesmo descaminho da anistia nas mãos do Paulinho sem força.
Boa semana para todos, aqui ninguém morre de tédio.
PS.: Saiu a notícia que Tarcísio só esperava prisão do Bolsonaro para lançar sua candidatura a presidente. Mas…Neste domingo (16), após Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL) anunciaram que o clã Bolsonaro quer a “cabeça de chapa”.
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