
O dia de ontem foi inundado com as idas e vindas do relator da Lei das Facções, um tal de deputado Derrite, policial do Bope, que só considera policial de verdade aqueles que mataram no mínimo uns cinco, e foi conduzido pelo presidente da Câmara para a relatoria de um projeto do governo federal. Poucas horas depois de nomeado relator, apresentou um parecer tenebroso — mantendo a máxima da cavalaria de tudo muito rápido e mal feito — e foi bombardeado por todos os lados pelo péssimo serviço. Na verdade, tentou ressuscitar a anterior e rejeitada pelo Senado PEC da Impunidade, e acabou voltando ao projeto original governista, com mudanças nos nomes dos tipos penais para dizer que fez alguma coisa.
E todo esse rolo seria para abrir caminho de Tarcísio com o centrão em busca de apoio eleitoral nacional, apesar da indicação do chefe Bolsonaro permanecer negada.
Hoje tentam votar a lei, e vamos ver o que vem por aí.
Mas a manchete do dia — talvez do ano — foi a queda da inflação de outubro para número de 27 anos atrás: 0,09%.
E para o menor índice acumulado de um presidente nos três primeiros anos de governo desde o Plano Real.
E sabe o curioso do feito? O governo, ao menos no dia de ontem, praticamente não comemorou.
Há quem diga que a inflação caiu por sorte ou por acaso. Mas sabemos que não é assim que funciona.
No mesmo instante em que isso ocorre, o Brasil vive pleno emprego, recorde de nível salarial médio e investimentos estrangeiros e nacionais a pleno vapor.
Sim, podem e devem aumentar muito nos próximos anos, mas considerando os números atuais de investimentos e a inflação em baixa e em queda — onde está o milagre?
Porque isso não é trivial, nem aqui, nem na China, e muito menos na Argentina.
A resposta está no câmbio, comprimido pelas altas taxas de juros que atraem fluxo de dólar, permitindo acomodar a demanda nacional a ponto de permitir a queda.
A velha lei da oferta e procura: se sobra oferta, o preço cai.
O custo para nós é o crescimento da dívida pública, que deve chegar a 80% do PIB em 2025. Nada de assustador, e com a queda prevista das taxas a partir de 2026, retoma trajetória sustentável nos próximos anos.
O custo é alto para a façanha — eu costumo chamar de pedágio que o brasileiro paga para ter equilíbrio geral, econômico e político, evitando trapaças e golpes das forças econômicas hegemônicas. Sim, eles ganham muito nas aplicações e dão sossego para um governo inclusivo trabalhar; de outra maneira, é golpe, instabilidade e confusão.
Esse é o resumo de nossa história, ou não?
Enquanto enchem os bolsos de dinheiro, eles acalmam e permitem estabilidade para o país se desenvolver, crescer e até distribuir renda — outra façanha que só o nosso Lula consegue realizar.
Que, por sinal, é o grande responsável por mais esse feito, novamente, seguindo seus mandatos anteriores e, dessa vez, com a ajuda determinada do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O silêncio nas comemorações da inflação no topo da meta em 2025, em algum momento, deve acabar, penso. Parece que, tantas críticas à condução do BC na busca do cumprimento das metas de inflação com o necessário emprego de taxas de juros exorbitantes inibem o reconhecimento do feito e suas consequências, como o aumento da aprovação do governo e do presidente.
Sim, porque a inflação de alimentos no primeiro semestre do ano foi o motivo da queda da aprovação do governo, retomando a alta na exata medida inversa em que a inflação caía.
Esperamos o reconhecimento do esforço do BC, que mostrou o imperativo de domar a inflação — porque é a variável mais importante de uma economia periférica como a nossa — e, daqui para frente, abrir espaço para reduções da taxa SELIC sem comprometer os ganhos, tanto no câmbio quanto nos seus reflexos inflacionários.
E que o sujeito oculto da façanha tenha seus méritos reconhecidos, na condução serena, mas determinada, e com alvo implacável.
Gabriel Galípolo é mais um daqueles acertos decisivos do Lula.
📊 Seguimos firmes no compromisso com a informação independente e a análise responsável.
💬 Curta, compartilhe e faça parte dessa construção coletiva de um jornalismo sem filtros.
💳 Apoie nosso trabalho: Pix 30454964/0001-70