Bolsonarismo sem Bolsonaro se apresenta.

Temos insistido que a chacina no Rio de Janeiro foi uma iniciativa do governador Cláudio Castro para promoção própria, talvez apropriada pela milícia interessada no território dominado pelo tráfico e usando métodos bolsonaristas de violência, intimidação e terror para impor sua pauta. A repercussão causada pelas mortes obrigou mudar o rumo e nacionalizar a crise que eles mesmos provocaram, reintroduzindo o bolsonarismo extremado como opção de escolha eleitoral.

Porque ele andava por aí com seus líderes desmotivados e cabisbaixos, esperando a hora de tomar a coroa do rei a caminho da cadeia.

A iniciativa dos governadores deve ser lida nesse objetivo: assumir a herança bolsonarista sem a presença do sobrenome, que perceberam a manobra e chiaram.

Fatos se precipitam quando o fim de um ciclo se define.

Estamos vivendo um certo silêncio no aguardo dos desdobramentos da violência, porque, se foi uma manobra eleitoral bolsonarista e que repercute em reacender certas escolhas adormecidas, por outro lado, por sua violência, pode precipitar decisões na Justiça e sepultar candidaturas envolvidas nesse crime hediondo.

A reação institucional está presente. Aos poucos, os fatos criminosos vão se revelando e uma investigação vai esclarecer as motivações e os objetivos da operação. E se o governo federal move-se cautelosamente, é porque, em conjunto com a PF e o STF, vai conduzindo a resposta institucional sem entrar no clima de guerra que interessaria ao extremismo, para fazer valer a lógica de que estamos enfrentando terroristas ou coisas semelhantes. E não pode deixar a impressão de que não prioriza o combate ao crime, porque aí está o núcleo do discurso da direita e como fazem uso dessas chacinas para a política.

A semana deve trazer muitas respostas a tudo o que ocorreu, porque a verdade não vai ficar escondida diante de uma ação bárbara e criminosa dessa monta.

O Brasil não merece essa gente, e vamos, aos poucos, nos livrando deles. A esse custo, sim, altíssimo. Mas sem permitir retorno, sabendo que, além desse crime, muitos outros estão sendo preparados e devem ser enfrentados com coragem e princípios.

Nunca foi fácil.

Mas vai valer a pena.

O bolsonarismo sem Bolsonaro se mostra tão perigoso quanto o anterior.

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