
Correu enormes riscos o governo Lula nesses dias, com a tentativa da direita de jogar para a esquerda o fracasso do enfrentamento ao crime, tentando encobrir seu ato criminoso de chacinas como uma atitude radical diante da omissão do Estado nacional.
Processo ainda em curso e indefinido, mas até agora com as culpas divididas e com o governador Castro corretamente entendido como maior responsável, pela maioria da opinião pública.
Muita gente na esquerda assustou-se e ainda anda assustada com essa reação extremista, que conta com devido apoio da imprensa oligopolista, ao não somente acolher a chacina como necessária, mas também como uma atitude natural diante dos desafios na segurança pública.
Estamos ainda longe de uma clareza por parte da opinião pública, que, a se valer das interações das redes sociais, não compra a acusação de omissão do governo federal, nem atribui a responsabilidade do combate inteiramente ao governo Lula. As pessoas sabem que quem combate o crime é a polícia militar e civil de seus estados, assim como também sabem das limitações de todos nessa tarefa, inclusive as do PT e de Lula sobre a questão.
Enquanto vamos decantando os terríveis fatos e a classe política reage com propostas de mais leis e endurecimento das penas atuais, os governadores da oposição fazem reuniões com intuito eleitoral e criação de consórcio entre estados, sem a presença do governo federal e buscando surfar na onda de indignação, enquanto se imaginam contrastando com posições de defesa dos direitos humanos, bandeira histórica da esquerda.
As vítimas estão sendo jogadas para debaixo do tapete, o lugar sempre a elas reservado nessas discussões quando a comoção das tragédias exige respostas e, para evitá-las, se busca levar o debate para todos os lados, menos aquele onde as vidas importam.
O governo federal busca preservar sua posição de relativa limitação institucional, ao mesmo tempo que enxerga na justiça e na apuração dos crimes uma resposta possível a ser preservada, porque a afronta dos criminosos, nesse segundo momento, se dirige a impedir que a justiça se imponha.
A pauta da disputa de 2026 se desloca, nesse momento, da economia, da saúde e da educação para debates acalorados e demagógicos sobre segurança pública, como a direita precisava para sair do impasse da ausência de candidato e do crescimento da popularidade do governo Lula.
Os efeitos sobre quem tem razão não saberemos no curto prazo. Uma nova frente de batalha está aberta, e as primeiras vítimas serão esquecidas o mais rápido possível, porque interessa aproveitar para interesses políticos e não resolver os reais problemas.
Essa discussão se encaminha para 2026 e, na eleição, o eleitor vai escolher para onde renovamos nossos objetivos: seguir combatendo a miséria, a fonte de todas as violências, ou criminalizar a pobreza, como temos feito sempre, sem esperança de solução.
A batalha de 2026 fez suas primeiras vítimas. Que nossas escolhas futuras não as deixem morrer em vão. Mesmo sendo bandidos ou não — provavelmente a maioria era —, mortes não resolvem nada e agravam a busca racional de saídas. A morte de policiais, um com apenas 40 dias após sua incorporação à PM, mostra como as vítimas estão espalhadas em todos os lados, sobretudo entre milhares de moradores de comunidades nos morros, na direção das balas assassinas.
Não existe uma solução, mas existem princípios a serem preservados: a vida, as instituições e o combate racional ao crime.
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