
O resultado eleitoral favorável ao partido governista La Libertad Avanza (LLA) é surpreendente — as pesquisas lhe davam 35%, mas obteve cerca de 40% dos votos — e deixa o governo Milei mais à vontade para seguir promovendo destruição, embora ainda precise de alianças para formar maiorias.
Três fatos, a princípio, explicariam o resultado: a maior abstenção de eleitores da história (34%) , o apoio financeiro prometido pelos EUA na véspera e a vitória parcial do governo Milei contra o descontrole inflacionário.
A abstenção histórica situa o pleito em um ambiente de descrença e desesperança do povo, e explica o fato de a maioria que compareceu ter decidido se agarrar na boia salvadora disponível: as promessas de dólares dos EUA e queda continua da inflação.
Convém observar no resultado: quando a maioria decide manter certas apostas porque ainda não se deu por vencida e, no caso, o pragmatismo necessário para a sobrevivência.
Como quem diz: se você nos trouxe até aqui, vamos ver onde isso vai dar — e garanta a promessa de resgate financeiro e o fim do aumento do custo de vida.
O que se fez foi ganhar tempo, num acordo precário entre 25% (66% de comparecimento para 40% de votos no partido do governo) dos eleitores, longe da maioria, mas decidido entre aqueles dispostos a aprofundar o modelo.
A lição que fica é que, sem uma opção clara, resta à maioria seguir sobrevivendo das promessas supostamente visíveis.
O resultado é trágico, não só para a Argentina como para a América Latina.
Mas foi, no momento, a saída possível para enfrentar a desvalorização da moeda — estimada em 12% nos próximos dias — que traria de volta a inflação e a falta de recursos para cumprir os próximos compromissos externos.
Se agarraram na boia mais próxima, que lhes sirva ao menos por enquanto.
Porque o mais provável é que tenham se agarrado na âncora.
Ps.: descubro agora dois pontos sobre a eleição : primeiro que pesquisas apontavam votação de 37% para o grupo de Milei ( chegaram a 41), não sendo portanto uma vitória inesperada. E segundo, a direita Argentina mantém em
seguidas eleições patamares de 40% nas preferências,

O que reforçam o quanto a abstenção derrota as candidaturas progressistas. Voltaremos a esse assunto .
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