Argentina: mais U$ 20 bilhões e salve-se quem puder.

Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, criticou o swap de US$ 20 bilhões do Tesouro americano para a Argentina. Ele afirma que o dinheiro não visa ajudar o país, mas sim resgatar as apostas fracassadas dos fundos próximos ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.

O New York Times sugere que o propósito do resgate argentino não é estabilizar a economia, mas ajudar fundos que têm títulos argentinos, que incluem BlackRock, Fidelity, Pimco e ex-colegas de Wall Street de Bessent, como Stanley Druckenmiller e Robert Citrone.

A promessa foi reforçada com promessas de mais US$ 20 bilhões por parte da iniciativa privada, com uma condição: o governo não pode perder a eleição de outubro.

Como essa condição é, a essa altura, improvável, com os índices de aprovação do governo em queda acentuada e rápida, essa condição caiu como uma bomba negativa na opinião pública nessa véspera eleitoral. O efeito foi amenizado em nova declaração, dessa vez com juras de apoio incondicional ao projeto Milei.

Esse vai e vem precisou ser reforçado e o governo Trump está, sim, comprando peso argentino à vista, sem divulgar o montante, tentando suportar o câmbio atual até as eleições, repetindo o histórico padrão nesses casos, quando a desvalorização real ultrapassa 20 a 30%, e, uma vez passadas as eleições, a desvalorização ocorrerá em qualquer resultado no pós-eleitoral.

Esse tipo de ocorrência costuma marcar administrações definitivamente; dificilmente, para não dizer que de forma nenhuma, o governo Milei se recuperará de uma desvalorização cambial represada para enganar eleitores, sobretudo porque a consequência se verá no custo dos alimentos e na volta da inflação.

Inflação que é, em primeira instância, o objetivo das administrações argentinas sucessivas, e seria a razão de todo sacrifício para sua contenção. O fracasso nesse combate significa tornar inúteis todos os sacrifícios impostos à população argentina e, a partir de agora, inaceitáveis para a maioria.

Os EUA vão, aos poucos, buscar interlocutores com a oposição e Milei vai ser deixado de lado, como acontece nesses casos. Provavelmente, sua administração acaba ainda neste mês e, dali em diante, é o salve-se quem puder, com dinheiro novo servindo para quem se aventurou a pular fora com os recursos que arriscou — como Krugman alerta, e não sem razão, por essa ser a prática comum nesses casos.

E o dinheiro novo vai embora, e fica mais dívida para manter o país no cabresto.

Todos sabem.

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