
Tem muita gente boa dando como certo que o governo exonerou 380 apadrinhados no governo federal indicados por deputados do Centrão que formam a base do governo.
Aquela móvel, vá lá.
Estou há dias tentando confirmar essas exonerações e não encontro confirmação.
A questão parece ter início nas falas do Presidente Lula, após aquela MP das Bets, Bancos e Bilionários caducar por falta de aprovação do Congresso no prazo limite. Lula disse que não iria implorar por apoio e que ficasse quem quisesse.
Dali em diante começaram a aparecer dois movimentos: um que ameaçava de exoneração os indicados pelos infiéis e um segundo que dizia que a representação da cobrança e manutenção dos recursos que seriam arrecadados iria voltar em breve.
De fato, pingam aqui e ali algumas exonerações, que até onde consegui apurar, não passaram de uma dezena.
E a tal lista dos nomeados, de onde entendo que surgiu o tal número astronômico de 380, apareceu em uma coluna do UOL três dias atrás como um levantamento de indicados por partidos, e não foi desmentida, mas esses números não foram confirmados nas demissões.
Curioso de onde foi que esse jornalista conseguiu essa lista, que todos repercutem sem duvidar e ainda afirmam que se tratam de exonerações que ninguém confirma. Mais, surge a informação que deputados do PT querem “dedurar” indicações do Centrão, mostrando, se ainda faltava alguma coisa, o quanto essa história está mal contada.
Ok, é uma operação que pode sim exonerar, está mandando avisos e promovendo a conta-gotas algumas demissões — umas dez confirmadas — de gente graúda do Centrão, até uns do PL, e abriu não a caixa de ferramentas, mas o balcão de negócios.
Que faz parte da relação do Executivo com sua base de apoio e da forma de preencher 10 mil cargos federais.
O movimento atende também a alguns propósitos: alinhar a base para o enfrentamento eleitoral no horizonte, dar uma satisfação àqueles que apoiam, manter o apoio e acomodar os novatos que parecem estar se achegando.
Lembrem que, apesar de perder a tal votação da MP das BBBs, o governo teve a seu favor quase 200 votos — acima da média de 130 que andava conseguindo nos embates anteriores, quando foi derrotado no plenário da Câmara.
Além das demissões, o Haddad avisa que entre 7 e 10 bilhões de reais em emendas ficam bloqueados para não comprometer o orçamento.
A novidade em tudo o que está acontecendo é a disposição do governo em enfrentar o Legislativo e, no mínimo, equilibrar as forças da relação, supondo — e a meu ver com razão — que tem condições, a partir de agora, com o Brasil deslanchando, a oposição sem candidato a presidente e Lula cada vez mais firme na reeleição, de repactuar a relação.
Tudo depende do resultado em 2026. Não basta somente reeleger Lula — como tantas e tantas vezes temos conversado — fazer uma bancada maior e ter mais gente disposta a ajudar o Brasil é decisivo.
Pode ser que estejamos para quebrar a maldição de Ulysses e a profecia de um Legislativo cada vez pior?
📊 Mantemos nosso compromisso com conteúdo independente.
💬 Curta e compartilhe.
💳 Apoie pelo Pix: 30454964/0001-70