Não se deixe enganar pelas aparências: se de fato o encontro casual entre Trump e Lula não passou de uma coreografia ensaiada por ambos, uma vez que estavam previamente combinados, informados e preparados por suas assessorias, o relativo silêncio das atuais negociações para o encontro definitivo entre ambos os líderes não significa que a coisa não andou.
Hoje o secretário de Comércio, Howard Lutnick, soltou uma das pérolas dos extremistas de lá, dizendo que “é preciso consertar o Brasil para que o país deixe de prejudicar os EUA”, o que para ele significa abrir a nossa economia. A disputa da decisão de Trump sobre o Brasil não foi até aqui somente comercial, a pauta política esteve sempre à frente. E o secretário Howard Lutnick, juntamente com Marco Rubio, são os principais interlocutores do bolsonarismo e da visão colonial da América Latina, que Lula enfrenta.
O fato de Trump procurar ou, no mínimo, aceitar o diálogo modificou o cenário, ao menos na expectativa, e a fala agressiva de hoje mostra que os extremistas de lá não se dão por vencidos e seguem tentando induzir a questão para que a supremacia política supere a comercial.
Trump balança nessas correntes, enquanto vê sua popularidade ir embora e a economia de seu país nem de longe apontar para seus objetivos, o que lhe sugere acertos na rota.
Sobre Bolsonaro não se ouve mais nenhuma palavra. A questão serviu e parece não servir mais. Também por lá, um bolsonarismo sem Bolsonaro soa como música, mas pragmaticamente vai se consolidando o cenário de reeleição, e não é possível manter ilusões de anistia ou derrota de Lula, o que impõe a negociação.
Como estava agendado para a semana até um encontro entre os dois chefes de Estado, no mínimo podemos esperar algum anúncio de uma data futura. Se de fato o encontro for realizado, deve ser por conferência eletrônica, o que também não deixa de ser um avanço.
Para nós, no curto prazo, importa reconstruir o comércio bilateral, enquanto buscamos outros compradores mundo afora, o que Lula fez e faz continuamente. Para eles, importa evitar a maior proximidade do Brasil com a China, o alvo real de tudo o quanto andam aprontando mundo afora.
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