
Ontem de manhã, o governador de SP desistiu de ir a Brasília, onde faria mais contatos visando fazer andar na Câmara a tal anistia pretendida pelos bolsonaristas. Gleisi informou que entende o pleito de diminuir as penas dos bagrinhos do 08/01, condenados pela baderna. Gilmar Mendes detona ao vivo e a cores o voto do colega Fux no julgamento dos líderes da tentativa de golpe. Valdemar, em entrevista, reconhece que tentaram sim dar um golpe, mas fracassaram. E, por fim, o presidente da Câmara se movimenta inclusive nas tratativas com o STF para reduzir em comum acordo as penas, conforme Gleisi anunciou que topava.
O que todos esses movimentos têm em comum é o enterro da anistia ampla, geral e irrestrita para os golpistas. Convém a todos eles — inclusive Valdemar e Tarcísio — virar essa página do bolsonarismo e jogar todos ao mar, inclusive os filhos.
A imprensa, no fim de semana, só faltou pegar o Centrão pelo pescoço, sobretudo o Estadão, exigindo de todos virar essa página bolsonarista e arrumar logo um candidato para enfrentar Lula, que sobe nas pesquisas e apavora os donos do jornal.
O governo tenta fazer a pauta do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil andar, acionando Renan Calheiros para redigir um novo projeto, uma vez que Lira e Centrão usam a matéria paralisada para seguir chantageando o governo. Não por acaso Renan foi acionado: assim como Lira, é candidato à reeleição ao Senado e tem como adversário — embora os dois provavelmente se elejam em Alagoas — o mesmo pleito. Pra vocês verem como o jogo é bruto: se você não quer fazer andar o projeto, tem quem queira. E imagina o apelo eleitoral para o redator dessa matéria na eleição do ano que vem?
Essas e outras pautas estão a passo de tartaruga, enquanto se esperava a conclusão da decisão no STF sobre o núcleo dos líderes. Lembrando que ainda temos mais 4 por receber sentenças, e está na hora de voltar à rotina, com as disputas abertas no lado da direita sem candidato, enquanto Lula segue firme.
A conclusão nesta terça-feira, em uma semana que mal começou, é que o barco da anistia soçobrou sem que ninguém lamentasse.
Mas nem tudo são flores. Em compensação, vamos ter que engolir a relativa blindagem dos congressistas, que voltam a ter o direito de liberar investigação — ou não —, com prazo para decidir e algumas limitações. É o preço negociado também com o STF para enterrar o bolsonarismo.
Não sai barato, mas é vida que segue — e Dino não está dando moleza na fiscalização do uso do dinheiro público, se serve de consolo.
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