
Eu sempre me guiei pelas análises de Marcos Coimbra, do Vox Populi. Lembro que eles só erraram em 2018, na disputa entre Bolsonaro e Haddad. Em todas as décadas anteriores — e mesmo depois, com presença mais discreta — o instituto trabalhou bem.
Na virada do ano, com a queda da popularidade de Lula nas pesquisas — fato explorado à exaustão pela mídia corporativa, na ânsia de consolidar um “anti-Lula” no bolsonarismo sem Bolsonaro —, Coimbra sempre repetiu: não é para levar muito a sério pesquisas de opinião tão distantes da eleição. O motivo é simples: grande parte do eleitorado brasileiro não se interessa por política no dia a dia e deixa para decidir o voto perto dos pleitos.
Enquanto isso, tentávamos entender as razões da queda da popularidade. E, ainda que não fosse uma definição eleitoral, mas circunstancial, a inflação crescente — sobretudo de alimentos — pesava contra o governo. Depois, com o aumento dos juros, a queda do dólar e a consequente redução do preço das commodities em reais, o custo da cesta básica foi diminuindo. Colocando em perspectiva: a curva de queda da inflação e a curva de recuperação da popularidade do governo e do presidente estão claramente ligadas.
Agora, quando a popularidade caminha para um ponto mais “normal”, Coimbra mantém sua posição e vai além: prevê que Lula chega em 2026 como o mais favorito de todas as eleições que disputou. Ele lembra ainda que o eleitorado petista nunca ultrapassou 50% do total, mas está muito próximo dos seus números históricos, a um ano da eleição.
Diante desse quadro e do cenário da oposição, é difícil discordar da avaliação.
E como se não bastasse o estado deplorável da direita — sem um nome nacional para a disputa —, há uma mudança importante na presidência do STF: Fachin assume no lugar de Barroso. Isso pode complicar bastante a vida do bolsonarismo. O julgamento do primeiro núcleo de golpistas, que reúne os principais articuladores da tentativa de golpe de Estado e de assassinato das mais altas autoridades nacionais, deve ser concluído entre setembro e outubro.
A diferença é que Fachin, segundo revelou a Folha de S.Paulo, tem preferência por decisões colegiadas em casos de grande repercussão, e não apenas nas turmas. Se isso se confirmar, a decisão da primeira turma terá recurso ao Pleno, inevitavelmente. Para Barroso, a questão estava resolvida ali. Com Fachin, vamos ter que esperar para ver.
E, nesse cenário, não dá para descartar que o julgamento no Pleno, em outubro, se estenda ainda mais, caso surja um pedido de vistas da dupla dinâmica Mendonça e Kassio (com K), empurrando a decisão para fevereiro ou março de 2026.
Isso não muda o destino dos golpistas, porque no Pleno a condenação é líquida e certa. O que muda é o tempo da decisão sobre quem será o sucessor ungido pelo chefe preso e impedido de disputar. E convenhamos: enfrentar um presidente eleito sem um nome consolidado seis meses antes da eleição já é tarefa duríssima. Fazer isso contra Lula torna-se quase impossível. Quase, porque não há certeza absoluta sobre o futuro, mas a previsibilidade, nesse caso, é clara.
A conversa de que “qualquer um vence Lula no segundo turno” desapareceu do noticiário. Sempre foi ridícula. Agora, todos sabem que precisam buscar posição com os pés no chão, sem ilusões.
Por isso, assistimos a um realinhamento político frenético, com acordos anunciados todos os dias. É pura sobrevivência. As cartas começam a aparecer na mesa de forma clara.
Façam suas apostas.
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