
Sim, como movimento político com força para disputar e vencer eleição para presidente no Brasil, acabou. Mas a direita, até reacesa depois do bolsonarismo, trumpismo e coisas do tipo, permanece. E estão em busca de novos rostos para se apresentarem em 2026. A presença antes certa de um sobrenome Bolsonaro, como titular ou vice na chapa, me parece descartada. Mesmo Tarcísio, que sempre desconfiei de sua disposição de deixar uma reeleição encaminhada em SP— mas a essa altura também ameaçada — por uma aventura improvável contra Lula, me parece definitivamente fora da disputa, e os extremistas estão sem um nome para apresentar. O que significa que a cabeça da chapa vai se deslocar para o centro, com a extrema-direita apoiando um nome tipo Ratinho, Caiado ou até Leite. Não penso em Zema, no máximo vice de alguém.
O momento político segue animado, com o governo cada vez mais disposto a colocar as cartas na mesa, vetando o aumento do número de deputados que havia sido aprovado a toque de caixa, como fizeram ontem de madrugada ao aprovar o PL da devastação, que ainda recebeu vários jabutis e que será provavelmente vetado no futuro próximo.
Além do veto ao aumento de deputados, o governo obteve do STF o retorno da incidência de novas tarifas do IOF, conforme previsto. Tudo não passava de iniciativas eleitoreiras do centrão, levantando a bandeira da contenção de gastos e contra o aumento do que eles chamam de impostos. Preferem cortar no salário mínimo, na saúde e na aposentadoria. Mas não têm como fazer isso a um ano das eleições e tentaram emplacar um discurso. Foram contra-atacados pela reação do programa social e de desenvolvimento e perderam o rumo, com a aprovação do governo crescendo e as bandeiras eleitorais conhecidas e vitoriosas a caminho de mais uma reafirmação nas urnas. Quero ver alguém defender corte de gastos na campanha ano que vem.
Se não bastassem as disputas internas, agora enfrentamos o tarifaço dos EUA, e sem nenhuma dúvida o ambiente em constante rearranjo vai ser fundamental para superar esse enorme desafio. Seguramente, como em 2008 na crise dos bancos dos EUA, o presidente Lula é o homem certo na hora certa para enfrentar mais esse tsunami.
Não temos por parte dos EUA nenhuma sinalização para acordo ou flexibilização da decisão a partir de 1º de agosto, apesar da mobilização do empresariado e do governo no sentido de buscar solução. Se preparar para o pior é o mais sensato, apesar da fama de Trump de correr da raia na última hora. Não devemos contar com isso. O alvo é grande, e a aposta para os EUA é relativamente pequena ao nos atacar visando os BRICS.
Certamente, a ferida de morte do bolsonarismo permite vislumbrar uma disputa mais equilibrada também no Congresso, com a chance de eleger quadros políticos mais qualificados e afastar o PL bolsonarista das maiorias. Continua cedo para saber, mas a movimentação das candidaturas segue firme, e a disposição das forças progressistas de recuperar protagonismo com números — e não somente com gogó — parece começar a fazer sentido. A popularidade do governo é fundamental nesse jogo e todos, todos sabem disso.
Agora é verificar se o Congresso, depois do veto do Lula e da decisão do STF, vai tentar alguma coisa além de aprovar ontem o PL da devastação. Acho que ficam nisso e seguem para as férias, para avaliar e lamber feridas.
E depois veremos.
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