
Mais alguns dias e teremos o anúncio do fim do PSDB, partido nascido de uma dissidência autodenominada moderna e social-democrata, oriunda do MDB da época da ditadura militar, que agora retorna ao ninho. Ou não, caso opte pelo PSD de Kassab.
A trajetória do partido está umbilicalmente ligada à Rede Globo, marcando a passagem desta de arauto da ditadura para símbolo de uma transição democrática “por cima”, sem a menor consideração pelas mazelas ou pelo reconhecimento do passado. O PSDB foi usado pela Globo e também a usou para sobreviver e eleger presidentes e governadores. A crise do partido nasce de uma absoluta falta de personalidade e de rumos claros entre seus líderes, que nunca conseguiram assimilar as derrotas para Lula e o PT — culminando na emblemática vitória de Dilma sobre Aécio, que jogou o partido no golpismo e preparou sua derrocada.
Os verdadeiros sociais-democratas no Brasil seriam o PDT de Brizola, um partido mais desorganizado e muito dependente da figura do próprio Brizola, e o PT. Apesar de igualmente muito ligado a Lula, o PT soube conviver com dissidências e tendências internas que oxigenam o partido. O que faltou para Brizola sobra em Lula: a capacidade de assimilar essas divergências. Não que Brizola não soubesse agregar, mas ele o fazia de fora, sem tolerância para quem o contestasse internamente.
O PSDB se afastou cada vez mais das ruas, das pautas e até da realidade, mantendo sua interlocução centrada na mídia — especialmente na Globo. Agora, parece que seu tempo chegou ao fim.
A Globo também não é mais a mesma e já não consegue mais falar sozinha. Há outros concorrentes, muitos ainda piores, fomentando a extrema-direita, enquanto canais progressistas combatem as mentiras, mostrando a realidade e limitando o alcance das manipulações tradicionais — algo que foi fatal para o PSDB.
Essas manipulações, antes sutis, hoje se tornaram extremadas e deslavadas. Não que o PSDB não tivesse apetite por esse tipo de prática — o caso do “atentado” com a bolinha de papel contra Serra foi um precursor das fake news —, mas o partido encontrou o extremo ocupado e perdeu, de vez, seu rumo.
Não deixa saudades.
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