Morde e Assopra.

O velho dueto nunca deve ser abandonado.

Enquanto trabalha para promover cortes no orçamento, visando evitar o crescimento da dívida pública, o governo aproveita o momento relativamente favorável, com crescimento de 3%, inflação no limite da meta e negociações em andamento nas casas legislativas e, sobretudo, no Banco Central. Após uma eleição municipal complicada, a hora é de aproveitar a metade do mandato e “sujar as mãos” ao cortar excessos – e até mesmo sacrificar algumas partes importantes – para se preparar para os dois últimos e decisivos anos.

Mordeu.

Mas também assopra, pois a nova regra para liberação dos bilhões em emendas parlamentares ainda busca consenso, sendo que a vigilância e as exigências do STF são incontornáveis e favorecem a responsabilidade. Além disso, há notícias de que a nova LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) também está sendo revisada, e que a liberação desses recursos, incluindo as emendas parlamentares, estará condicionada a projetos do Executivo, evitando assim a pulverização de bilhões em obras pontuais, como reformas de praças ou asfaltamento de acesso ao sítio do prefeito.

Por enquanto, tudo ainda está no papel, mas, se uma coisa realmente está atrelada à outra, o “morde e assopra” reaparece em grande estilo.


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