
Como diz o ministro Haddad, 80% do atual patamar do preço do dólar no Brasil se deve à política interna dos EUA. E aumentar a taxa Selic, diminuir seu ritmo de queda ou qualquer coisa semelhante, não ajuda e não resolve absolutamente nada.
Nosso país tem um fluxo suficiente e constante de moeda estrangeira para a promoção das trocas comerciais internacionais, não possui nenhuma dívida em moeda estrangeira e tampouco necessidade de tê-la. Então, por que o estresse?
Muitos dos solavancos da economia mundial e do fluxo internacional do dólar, que agora os EUA sugam para financiar sua dívida interna, que parece impagável para muitos, é a razão dessa movimentação brusca.
Seja verdade ou não, a subida do dólar poderia nem acontecer se outra política de câmbio fosse adotada, e não esse flutuante que temos desde o plano Real. Funcionou até aqui, mas pode ser que no futuro precise de um ajuste para evitar situações como a atual, que duram alguns dias, talvez semanas, e depois se acomodam.
A Argentina, por exemplo, não possui câmbio flutuante, e a moeda está fixa em relação ao dólar desde que o atual presidente assumiu. E não para de receber elogios do nosso mercado e até do FMI.
Toda a falação atual tem a ver com os acertos e não os erros da equipe econômica, que vai na direção contrária do entreguismo e do rentismo preguiçoso, que gosta de ganhar muito sem precisar investir em nada produtivo. Nos últimos 12 meses, o serviço da dívida pública nos custou R$750 bilhões, e você não vê um único analista ou uma única reportagem na imprensa destacando esse ponto. A tal trajetória da dívida depende muito mais da baixa na taxa Selic do que qualquer economia que o governo possa fazer no orçamento.
A Petrobrás, outro exemplo, também não entra nessa onda de mudar todo dia o preço dos combustíveis. O barril bateu em U$90 e está caindo, ainda aos poucos, porque a confusão no Oriente Médio envolve o Irã, que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A explicação para aguardar e ver no que vai dar é simples: 90% da gasolina consumida no nosso país é de produção interna, em Reais, não havendo motivos para flutuar preços acompanhando o exterior. E, mesmo assim, a previsão para o ano é de R$100 bilhões de lucro da Petrobrás, de novo, sem contar a Faixa Equatorial, que já vem por aí.
O que precisa acontecer é a queda dos juros internos e a vergonha na cara do Bolsonaro do Banco Central, que o governo discretamente sugeriu uma substituição a longo prazo, sem explicar o que seria. Torço por uma transição que comece ontem e termine agora.
Em todo o caso, a maior, mais duradoura, mais eficaz e mais importante reforma fiscal para o Brasil neste momento é a redução das taxas de juros Selic.