O Petróleo seria nosso!

Políticos não são conhecidos por falarem a verdade, é preciso sempre ao ouvir algum tentar traduzir a intenção e o sentido das palavras.

Isso sempre foi assim, mas de uns tempos para cá, talvez possamos afirmar que a partir da ascensão de Trump e um modelo sistemático de usar a mentira para chocar e atrair a atenção, e vitorioso, que toda noção conhecida de avaliar discurso político foi quebrada.

Muito aconteceu por conta desse modelo, destaco Trump, Bolsonaro e Brexit da Inglaterra, entre tantos.

Então quando Trump diz alguma coisa, qualquer coisa, fica difícil saber onde quer chegar ou se alguma verdade há nas suas palavras.

Recentemente retomou sua campanha para tentar retornar a presidência dos EUA, e discursou que no fim do seu governo o caos estava instalado na Venezuela e a essa altura, imagino que se refere ao fato de não estar na presidência, “todo aquele petróleo venezuelano seria nosso!”, afirmou.

” Todo aquele petróleo seria nosso!”, dos EUA e não mais dos venezuelanos.

E, apesar da dificuldade de interpretar, acredito que esta dizendo exatamente o que pensava e pensa.

E por que o petróleo venezuelano ainda não caiu nas garras dos EUA?

E a resposta não é óbvia, passa pela resistência do regime Chavista de Maduro, muitas vezes incompreendido e cheio de dificuldades, submetido a boicote severo que arrasou com seu comércio internacional e impediu o pais a vender seu óleo, praticamente sua única fonte de divisas.

Mas isso mudou, a guerra da Rússia alterou os planos ocidentais quando direcionaram o boicote para as exportações russas de petróleo, desfalcando o fluxo do comércio de petróleo de um dos seus principais fornecedores, abrindo o oportunidade de que a Venezuela retomasse parte de sua exportação para suprir essa necessidade.

E aos poucos Biden vai retomando a relação com o pais latino, lentamente e de olho na evolução do conflito russo e no cuidado para não reabilitar inteiramente o regime venezuelano aos olhos do eleitorado norte amerinaco e de olho no Brasil de Lula.

Eu tenho uma tese que a descoberta do nosso pré sal agravou a situação de cerco na Venezuela, quando conseguiram derrubar Dilma e a primeira decisão dos golpistas foi na direção de disponibilizar nosso achado para uso e abuso dos donos desse mundo, o fornecimento por parte da Venezuela ficou sujeito a avaliação de conveniência e necessidade, e decisão por simplesmente não comprar mais petróleo venezuelano foi tomada.

O pre sal brasileiro entrou na conta ” todo aquele petróleo é nosso”!, do mundo desenvolvido.

Com a guerra russa, como afirmei, nova situação do mercado de petróleo mundial se estabelece, a prioridade agora é boicotar a Rússia e estamos nesse processo atualmente, até a próxima alteração.

Num certo sentido a volta de Lula e maiores cuidados na condução de nossas reservas de óleo entram nessa conta, favorecendo a Venezuela, talvez até para no futuro inverter o boicote, sendo a nossa economia a vítima e nossas exportações o alvo, mas para isso as reservas da Venezuela precisam estar acessíveis.

Esse o mundo em que vivemos.


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